quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Tem dias em que a vida resolve andar de Havaianas tortas

      Tem dias em que a gente não acorda com o pé esquerdo. A gente acorda tropeçando nos dois pés ao mesmo tempo! E olha que nem vou me aprofundar muito no assunto “pé esquerdo” pra não gerar confusão, cancelamento ou uma crise diplomática com as Havaianas. O fato é que, hoje, minha vida simplesmente descarrilhou. Saiu dos trilhos, ignorou qualquer tentativa de freio e seguiu sem governo até boa parte da tarde, como um trem turístico conduzido por alguém que nunca viu um mapa.

 

E não fui só eu! O universo decidiu que seria um ótimo dia para as pessoas virem desabafar comigo. Clientes, colegas, conhecidos… uma espécie de plantão emocional improvisado. Alguns relatos eram tão densos que tudo o que coube foi ouvir. E ouvir de verdade! Porque há dores que não pedem resposta, só presença. A gente escuta, balança a cabeça, respira fundo e pensa: “ainda bem que hoje eu só preciso escutar”.

 

Já em outros momentos, confesso, arrisquei um ou dois conselhos. Mas sempre com aquele cuidado de quem sabe que mal consegue administrar a própria bagunça. Afinal, se eu não tenho manual nem controle remoto da minha vida, que ousadia seria querer orientar a dos outros? Um perigo público! Um conselheiro sem credenciais, com prazo de validade emocional vencido.

 

No fim das contas, percebo que quase ninguém quer soluções mirabolantes. O que a gente quer mesmo é atenção. Um abraço sincero, um sorriso que não seja automático, alguém que nos escute sem olhar o relógio ou o celular. Se consegui oferecer isso hoje, ótimo! Se não, ao menos tentei! E, convenhamos, em dias descarrilhados, tentar já é um baita feito.

 

J.K – 20.01.26




 

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