domingo, 15 de fevereiro de 2026

Morar sozinho, eu e minhas manias

    Morar sozinho tem suas glórias e seus boletos emocionais, confesso! A principal vantagem é viver sem relógio nem testemunhas. Posso almoçar às quatro da tarde, jantar às dez da noite ou inverter tudo e chamar de “conceito”. Ninguém pergunta, ninguém julga, ninguém faz cara feia. Liberdade pura!


A geladeira, então, é um parque de diversões particular. Só tem o que eu gosto, do jeito que eu gosto e na quantidade que eu acho razoável — ou completamente exagerada, dependendo do dia. Não preciso dividir sobremesa, não preciso negociar legumes e jamais ouço a frase: “isso não é jantar”.


Na sala, mando eu e o controle remoto. O filme é o que eu quero, na hora que eu quero, com pausa estratégica pra buscar água, pipoca ou simplesmente olhar pro nada e refletir sobre escolhas duvidosas da vida. O problema é que não tem ninguém pra jogar pipoca, fazer cócegas ou me acordar quando eu apago no meio do filme e acordo sem saber quem morreu.


O auge da experiência solo é a cama. Ah, a cama! Dormir atravessado, no meio, na diagonal, ocupando territórios como um império romano decadente. É um luxo! Um espetáculo. Ainda mais pra quem não nasceu com vocação pra dormir agarrado feito polvo carente.


Mas nem tudo são lençóis esticados e silêncio absoluto. Às vezes bate a falta de alguém pra dividir conversa fiada, risada boba e aquele contato humano básico que lembra que a gente não é um eletrodoméstico. Dá pra sair, conhecer gente, se divertir… mas tem dias que a casa fica grande demais e o silêncio faz eco.


No fim, morar sozinho é esse equilíbrio estranho entre a paz absoluta e a bagunça emocional controlada. Reclamo, brinco, faço piada… mas gosto! Porque no fundo, entre uma vantagem e outra desvantagem, sigo dono do meu tempo, do meu espaço e das minhas manias — que, convenhamos, já dão trabalho suficiente!

 

J.K – 13.01.26




Nenhum comentário:

Postar um comentário