Morar sozinho tem suas glórias e seus boletos emocionais, confesso! A principal vantagem é viver sem relógio nem testemunhas. Posso almoçar às quatro da tarde, jantar às dez da noite ou inverter tudo e chamar de “conceito”. Ninguém pergunta, ninguém julga, ninguém faz cara feia. Liberdade pura!
A geladeira, então, é um parque de diversões
particular. Só tem o que eu gosto, do jeito que eu gosto e na quantidade que eu
acho razoável — ou completamente exagerada, dependendo do dia. Não preciso
dividir sobremesa, não preciso negociar legumes e jamais ouço a frase: “isso
não é jantar”.
Na sala, mando eu e o controle remoto. O filme é o
que eu quero, na hora que eu quero, com pausa estratégica pra buscar água,
pipoca ou simplesmente olhar pro nada e refletir sobre escolhas duvidosas da
vida. O problema é que não tem ninguém pra jogar pipoca, fazer cócegas ou me
acordar quando eu apago no meio do filme e acordo sem saber quem morreu.
O auge da experiência solo é a cama. Ah, a cama!
Dormir atravessado, no meio, na diagonal, ocupando territórios como um império
romano decadente. É um luxo! Um espetáculo. Ainda mais pra quem não nasceu com
vocação pra dormir agarrado feito polvo carente.
Mas nem tudo são lençóis esticados e silêncio
absoluto. Às vezes bate a falta de alguém pra dividir conversa fiada, risada
boba e aquele contato humano básico que lembra que a gente não é um
eletrodoméstico. Dá pra sair, conhecer gente, se divertir… mas tem dias que a
casa fica grande demais e o silêncio faz eco.
No fim, morar sozinho é esse equilíbrio estranho
entre a paz absoluta e a bagunça emocional controlada. Reclamo, brinco, faço
piada… mas gosto! Porque no fundo, entre uma vantagem e outra desvantagem, sigo
dono do meu tempo, do meu espaço e das minhas manias — que, convenhamos, já dão
trabalho suficiente!
J.K – 13.01.26

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