Tem dias em que a alma pesa mais que o corpo. A gente acorda sentindo que carregou coisa demais, olhares tortos, palavras atravessadas, cansaços que não são só nossos. Nessas horas, não adianta pressa nem discurso bonito. O que resolve é ritual simples, daqueles aprendidos mais pela vida do que por livro. É como se o corpo pedisse um recomeço silencioso.
Eu acredito nessas pequenas proteções que não fazem
barulho, mas fazem efeito. Um banho que não é só de água, um gesto repetido
como quem espanta o que não serve mais. Sacudir o que ficou grudado, devolver
pro chão o peso que não é meu. É um jeito de dizer pra mim mesmo: daqui pra
frente, só o que soma atravessa a porta.
Quando a confusão aperta, eu volto às raízes. Busco
o sagrado que mora na tradição, no toque de quem benze, na palavra que acalma,
na fé passada de mão em mão. Tem sempre alguém que sabe rezar melhor do que
explicar, alguém que cura mais com presença do que com promessa. E isso me
basta.
Minha casa também participa disso tudo. Não como
superstição, mas como cuidado. Um detalhe aqui, outro ali, um canto protegido,
uma luz acesa pra lembrar que nem tudo é sombra. São sinais de que estou
atento, de que me importo com o que deixo entrar e com o que faço ficar do lado
de fora.
No fim, não é medo do azar nem fuga do mundo. É
escolha. Escolha por seguir com o corpo mais leve, a mente em paz e o caminho
desimpedido. Porque quando a gente se cuida por dentro, até o passo muda — e o
resto, naturalmente, encontra seu lugar.
J.K – 31.01.26

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