quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Um aprendiz com cabelos prateados

Hoje me considero um jovem senhor da chamada terceira idade. Carrego comigo o peso bonito de quem já viveu bastante, tropeçou, acertou, perdeu e ganhou — e, ainda assim, tem plena consciência de que sabe muito pouco. A cada vez que penso ter entendido o mundo, ele muda de roupa, de ritmo e de regra. E lá vou eu, reaprendendo tudo de novo.

 

Vivemos tempos velozes demais. As transformações acontecem num piscar de olhos, e confesso: não consigo acompanhar todas. Mas isso não me diminui — pelo contrário! Só reforça a certeza de que a vida é um eterno aprendizado. Aprender é um exercício de humildade. Só deixamos de aprender quando morremos… e, mesmo assim, tenho minhas dúvidas. Acredito que o corpo repousa, mas a alma segue por aí, curiosa, inquieta, cumprindo sua missão.

 

Não me considero velho, muito menos ultrapassado. Dou trabalho — e às vezes até um certo “show” — para jovens que insistem em dizer que sabem tudo, quando ainda não sabem quase nada. A vida não se aprende em frases prontas nem em certezas absolutas. Aprende-se vivendo, errando, escutando e, principalmente, respeitando a própria consciência.

 

Estamos num mundo onde quase tudo é permitido, onde valores se transformam o tempo todo — ora para melhor, ora para pior. O julgamento do que é certo ou errado não cabe aos outros, mas à nossa própria consciência. Temos o livre-arbítrio, e eu fiz minha escolha: decidi ser feliz com o tempo que ainda tenho. Quero amar muito, abraçar sem economia, viver a intimidade com verdade e presença. Quero longas conversas ao redor de um chimarrão ou de um bom café, almoços demorados, jantares em boa companhia, um happy hour no fim do dia e, acima de tudo, estar perto da minha família.

 

E se tem algo que hoje me enche de gratidão é poder celebrar a vida da minha velinha, que neste ano nos foi abençoada com seus 85 anos. Isso, sim, é riqueza. No fim das contas, talvez a juventude não esteja no corpo, mas na vontade de continuar aprendendo, sentindo e vivendo — enquanto houver tempo. 💙


J.K – 07.02.26




 

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