Hoje me considero um jovem senhor da chamada terceira idade. Carrego comigo o peso bonito de quem já viveu bastante, tropeçou, acertou, perdeu e ganhou — e, ainda assim, tem plena consciência de que sabe muito pouco. A cada vez que penso ter entendido o mundo, ele muda de roupa, de ritmo e de regra. E lá vou eu, reaprendendo tudo de novo.
Vivemos tempos velozes demais. As transformações
acontecem num piscar de olhos, e confesso: não consigo acompanhar todas. Mas
isso não me diminui — pelo contrário! Só reforça a certeza de que a vida é um
eterno aprendizado. Aprender é um exercício de humildade. Só deixamos de
aprender quando morremos… e, mesmo assim, tenho minhas dúvidas. Acredito que o
corpo repousa, mas a alma segue por aí, curiosa, inquieta, cumprindo sua
missão.
Não me considero velho, muito menos ultrapassado.
Dou trabalho — e às vezes até um certo “show” — para jovens que insistem em
dizer que sabem tudo, quando ainda não sabem quase nada. A vida não se aprende
em frases prontas nem em certezas absolutas. Aprende-se vivendo, errando,
escutando e, principalmente, respeitando a própria consciência.
Estamos num mundo onde quase tudo é permitido, onde
valores se transformam o tempo todo — ora para melhor, ora para pior. O
julgamento do que é certo ou errado não cabe aos outros, mas à nossa própria
consciência. Temos o livre-arbítrio, e eu fiz minha escolha: decidi ser feliz
com o tempo que ainda tenho. Quero amar muito, abraçar sem economia, viver a
intimidade com verdade e presença. Quero longas conversas ao redor de um
chimarrão ou de um bom café, almoços demorados, jantares em boa companhia, um
happy hour no fim do dia e, acima de tudo, estar perto da minha família.
E se tem algo que hoje me enche de gratidão é poder
celebrar a vida da minha velinha, que neste ano nos foi abençoada com seus 85
anos. Isso, sim, é riqueza. No fim das contas, talvez a juventude não esteja no
corpo, mas na vontade de continuar aprendendo, sentindo e vivendo — enquanto
houver tempo. 💙
J.K – 07.02.26

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