Nasci em uma família tradicional do interior, nos bons anos 60, quando a vida acontecia mais devagar e a família era o centro de tudo. A casa tinha cheiro, tinha rotina, tinha silêncio e tinha cuidado. Ali eu aprendi, sem que ninguém precisasse explicar, o que era pertencimento!
Cresci aprontando, como quem testa o mundo. Corria
até o corpo pedir descanso, inventava travessuras e voltava para casa ao fim do
dia carregando poeira nos pés e alegria no peito. Sempre havia um abraço do pai
me esperando, um beijo da mãe e o riso cúmplice da minha irmã. Aquilo me
recolocava no eixo. Era onde eu me encontrava!
Meu pai saía cedo, anel e formatura no dedo, passos
firmes, levando nos ombros mais do que trabalho: levava responsabilidade,
exemplo e presença. Minha mãe ficava. Cuidava! Sustentava! A casa respirava
através dela. A comida era afeto servido à mesa, e o cuidado, um gesto diário
que nunca fez barulho!
Um dia, sem aviso, meu pai partiu! A casa continuou
em pé, mas algo dentro de nós cedeu. A mesa ficou incompleta. O silêncio ganhou
peso. A saudade chegou e ficou morando comigo. Não passa! Não passa mesmo.
Aprende-se apenas a conviver com ela!
Nos aproximamos ainda mais da mãe e seguimos. Seguimos
como deu. Com dor, com vazio, com fé. Porque ele nos ensinou, sem palavras, que
a vida continua e que a gente precisa honrar quem foi ficando inteiro. A
ausência não nos quebrou. Nos fortaleceu de outro jeito!
Cresci assim, carregando memórias, exemplos e
silêncios. Tudo o que sou hoje nasceu daquela casa, daquela família, daquele
amor que não acabou com a morte. Uma família bem estruturada não nos livra da
perda, mas nos ensina a atravessar o luto sem perder quem somos. E aquela casa…
aquela casa ainda mora em mim!
J.K - 11.01.2026

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