Eu confesso: muitas vezes também me deixo levar pelo brilho fácil das telas. Rolo o feed, vejo dancinhas, polêmicas, vaidades embaladas em segundos… e quase sem perceber estou ali, dando tempo e atenção ao que amanhã já será esquecido. A relevância parece ter virado sinônimo de seguidores. Mas, no fundo, algo em mim se pergunta: é isso mesmo que merece o nosso aplauso?
Enquanto isso,
longe dos holofotes digitais, uma brasileira vestindo jaleco faz história. Tatiana
Sampaio conduziu uma pesquisa com células-tronco que permitiu que seis pessoas
tetraplégicas recuperassem movimentos e voltassem a andar. Se isso não é
extraordinário, eu não sei mais o que é! Vidas que estavam limitadas voltaram a
experimentar autonomia, esperança, dignidade. E me dói perceber como algo tão
gigantesco ocupa tão pouco espaço nas nossas conversas diárias.
Por que vibramos
mais com o supérfluo do que com o que realmente transforma destinos? Por que
sabemos o nome de influenciadores, mas ignoramos quem dedica a vida a curar,
pesquisar, salvar? Não é uma crítica amarga — é um incômodo sincero. Talvez
estejamos anestesiados pelo entretenimento constante. Talvez tenhamos
desaprendido a reconhecer o sagrado que existe na ciência, no estudo
silencioso, nas horas intermináveis de laboratório.
Hoje eu quis fazer
diferente. Quis parar, refletir e dar ênfase a quem merece. Valorizar a ciência
é valorizar o futuro. É escolher o que é sólido em vez do que é raso. Que a
história de Tatiana nos sacuda por dentro e nos lembre que os verdadeiros
heróis não usam filtros nem capas — usam jalecos, persistência e fé no
conhecimento. E talvez o primeiro passo seja simples: prestar atenção no que
realmente importa.
J.K – 20.02.26

Nenhum comentário:
Postar um comentário