sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Os verdadeiros heróis usam jaleto

     Eu confesso: muitas vezes também me deixo levar pelo brilho fácil das telas. Rolo o feed, vejo dancinhas, polêmicas, vaidades embaladas em segundos… e quase sem perceber estou ali, dando tempo e atenção ao que amanhã já será esquecido. A relevância parece ter virado sinônimo de seguidores. Mas, no fundo, algo em mim se pergunta: é isso mesmo que merece o nosso aplauso?

 

Enquanto isso, longe dos holofotes digitais, uma brasileira vestindo jaleco faz história. Tatiana Sampaio conduziu uma pesquisa com células-tronco que permitiu que seis pessoas tetraplégicas recuperassem movimentos e voltassem a andar. Se isso não é extraordinário, eu não sei mais o que é! Vidas que estavam limitadas voltaram a experimentar autonomia, esperança, dignidade. E me dói perceber como algo tão gigantesco ocupa tão pouco espaço nas nossas conversas diárias.

 

Por que vibramos mais com o supérfluo do que com o que realmente transforma destinos? Por que sabemos o nome de influenciadores, mas ignoramos quem dedica a vida a curar, pesquisar, salvar? Não é uma crítica amarga — é um incômodo sincero. Talvez estejamos anestesiados pelo entretenimento constante. Talvez tenhamos desaprendido a reconhecer o sagrado que existe na ciência, no estudo silencioso, nas horas intermináveis de laboratório.

 

Hoje eu quis fazer diferente. Quis parar, refletir e dar ênfase a quem merece. Valorizar a ciência é valorizar o futuro. É escolher o que é sólido em vez do que é raso. Que a história de Tatiana nos sacuda por dentro e nos lembre que os verdadeiros heróis não usam filtros nem capas — usam jalecos, persistência e fé no conhecimento. E talvez o primeiro passo seja simples: prestar atenção no que realmente importa.

 

J.K – 20.02.26






 

Nenhum comentário:

Postar um comentário