domingo, 15 de fevereiro de 2026

Carnaval não é do capeta, é do povo (e da ressaca também)!

   Eu já pulei muito carnaval! Muito mesmo! Já perdi a voz, a dignidade, a noção do horário e, provavelmente, alguns neurônios pelo caminho. Sempre fui daqueles que acreditava que fevereiro era o mês oficial de esquecer o boleto, vestir qualquer fantasia improvisada e sair por aí abraçando desconhecidos como se fossem primos distantes. Porque, no fim das contas, o carnaval é isso: uma festa paga — às vezes com ingresso, às vezes com a própria vergonha — mas onde todo mundo tem o direito sagrado de pular, cair na folia e sambar até as pernas pedirem arrego.

 

Agora, sejamos justos: nem todo mundo gosta! Tem gente que olha pro carnaval como se fosse um ensaio geral do apocalipse. Respeito total! Cada um com seu bloquinho interior. Mas também é preciso respeitar quem gosta! Porque, convenhamos, tem coisa bem pior no mundo. Enquanto há guerras que matam centenas de pessoas e destroem famílias, o carnaval no máximo faz a gente perder a caixa preta, beber todas, cair no chão, levantar com glitter até no pensamento e rir da própria desgraça no dia seguinte. É caos? É! Mas é um caos com tamborim e sorriso no rosto.

 

E claro, tem a parte que todo mundo finge que não é parte oficial da programação: o amor de carnaval. Ou a paixão de três dias. Ou o “te amo” que dura menos que a bateria da escola. Pode transar? Pode! Deve? Se quiser! Mas com responsabilidade, meu povo! Camisinha, métodos preventivos, juízo na cabeça — ou pelo menos na gaveta do criado-mudo. Porque nove meses depois o samba pode virar canção de ninar e o bloquinho pode ganhar um ou vários dependentes, dependendo da empolgação da agenda carnavalesca. Aí o enredo muda e a fantasia vira fralda.

 

Hoje, confesso, eu já não sou mais aquele folião raiz. Meu carnaval acontece em versão compacta, no conforto do sofá. Assisto pela televisão, troco de canal como quem troca de bloco e, no máximo, vou ver o desfile dos blocos Ovelha e Arco da Velha passando pela cidade — blocos que eu já pulei com a alma, o fígado e o coração. Hoje prefiro a tranquilidade de sambar em frente à TV, zapeando pela infinidade de canais e nunca achando nada que preste. O máximo da minha ousadia é levantar pra pegar mais gelo e fingir que estou “acompanhando tudo”.

 

No fim das contas, acho que o segredo é esse: viver e deixar viver. Se é pra pular, que pule! Se é pra descansar, que descanse! Se é pra criticar, que critique com respeito. O carnaval passa, a ressaca também — algumas mais rápido que outras. E a vida segue, com ou sem confete grudado na alma.

 

Dicas de sobrevivência (para foliões e ex-foliões como eu):

·         Se for pra rua: hidrate-se mais do que opina.

·         Use proteção. Sempre! O samba pode até ser improvisado, mas a responsabilidade não.

·         Combine ponto de encontro. Glitter confunde mais que GPS.

·         Se for ficar em casa: prepare petiscos, escolha um desfile específico para assistir e pare de zappear como se estivesse procurando sentido na vida.

·         E, acima de tudo, respeite quem escolheu diferente de você. Carnaval é liberdade — inclusive a liberdade de não gostar.

E tu, vai pra avenida ou pro sofá este ano? 😄

 

J.K – 15.02.26




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