quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Três semanas, nove mil quilômetros e zero glamour

Foram três semanas na estrada. Três. Semanas. Mais de nove mil quilômetros rodados, visitando agentes de compras em três estados diferentes. E já aviso com toda a delicadeza possível: se alguém acha que isso é férias, lazer ou qualquer variação de descanso remunerado, está vivendo numa realidade paralela — provavelmente bem confortável.


A estrada é bonita? Claro. Especialmente quando não se está preso em congestionamentos quilométricos, desviando de obras eternas, enfrentando chuva fora de hora ou sol inclemente. O Waze, sempre otimista, cumpre seu papel de nos lembrar que fé é importante. E quando finalmente se para, surge o banheiro de beira de estrada: um espaço que desafia conceitos básicos de higiene, dignidade e amor-próprio.


Entre um trecho e outro, há o glamouroso entra e sai de hotéis, malas abertas e fechadas sem qualquer emoção, bancos de carro pensados para corpos que claramente não são os nossos, cafés ingeridos por necessidade médica e refeições feitas quando dá — não quando o organismo ousa pedir. Tudo isso repetido diariamente, porque rotina também existe fora do escritório.


E para quem gosta de dizer que “não fizemos nada” ou que “estamos de férias”, fica o convite irrecusável: em julho, durante as próximas visitas, venha junto. As despesas são suas, naturalmente. Em troca, oferecemos horas intermináveis de estrada, conversas profundas sobre absolutamente nada e a chance única de voltar para casa com uma certeza cristalina: isso nunca foi férias.


J.K - 12.02.26








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