Foram três semanas na estrada. Três. Semanas. Mais de nove mil quilômetros rodados, visitando agentes de compras em três estados diferentes. E já aviso com toda a delicadeza possível: se alguém acha que isso é férias, lazer ou qualquer variação de descanso remunerado, está vivendo numa realidade paralela — provavelmente bem confortável.
A estrada é
bonita? Claro. Especialmente quando não se está preso em congestionamentos
quilométricos, desviando de obras eternas, enfrentando chuva fora de hora ou
sol inclemente. O Waze, sempre otimista, cumpre seu papel de nos lembrar que fé
é importante. E quando finalmente se para, surge o banheiro de beira de
estrada: um espaço que desafia conceitos básicos de higiene, dignidade e
amor-próprio.
Entre um trecho e
outro, há o glamouroso entra e sai de hotéis, malas abertas e fechadas sem
qualquer emoção, bancos de carro pensados para corpos que claramente não são os
nossos, cafés ingeridos por necessidade médica e refeições feitas quando dá —
não quando o organismo ousa pedir. Tudo isso repetido diariamente, porque
rotina também existe fora do escritório.
E para quem gosta
de dizer que “não fizemos nada” ou que “estamos de férias”, fica o convite
irrecusável: em julho, durante as próximas visitas, venha junto. As despesas
são suas, naturalmente. Em troca, oferecemos horas intermináveis de estrada,
conversas profundas sobre absolutamente nada e a chance única de voltar para
casa com uma certeza cristalina: isso nunca foi férias.
J.K - 12.02.26

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