Prometi que minha história terminaria ali, que aquele amor seria definitivo, protegido como um segredo raro. Acreditei que bastava cuidado para que tudo durasse para sempre. Mas algumas coisas não se trancam, por mais que a gente tente. O que parecia intenso revelou-se frágil, e o calor que jurávamos eterno se apagou sem pedir desculpas.
Depois disso, fiz votos silenciosos de não me
entregar outra vez. Disse a mim mesmo que era melhor evitar o risco, fugir da
dor que já conhecia bem. Só que o coração não costuma respeitar resoluções
racionais. Descobri, quase sem querer, que amar ainda valia a pena, e quando
percebi, estava envolvido de novo.
Carrego esse defeito antigo: hesito, prometo,
recuo. Tomo decisões com convicção e, logo depois, duvido delas. Vivo nesse vai
e vem entre o que digo e o que sinto, como se a certeza fosse sempre provisória
e o arrependimento estivesse à espreita.
Talvez tenha chegado a hora de parar de fazer
pactos comigo mesmo. Não jurar mais nada, nem fidelidade ao medo, nem distância
do desejo. Apenas viver o que vier, aceitar minhas contradições e seguir em
frente, sem promessas grandiosas que eu sei que posso não cumprir.
J.K – 10.01.26

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