Há algo que invade minhas noites sem pedir licença. Quando percebo, o sono já foi embora e eu fico ali, acordado, encarando pensamentos que constroem promessas no ar e as derrubam no instante seguinte. É estranho como esse sentimento suspende o tempo, bagunça o rumo e me deixa sem chão, como se tudo que antes fazia sentido tivesse sido momentaneamente roubado de mim.
Enquanto o mundo segue, eu enxergo detalhes que só
aparecem no escuro. A noite parece guardar segredos que piscam diante dos meus
olhos, e você surge assim: distante e próxima ao mesmo tempo. Uma presença que
confunde, como água no meio do nada, dessas que a gente jura ver, mas nunca
sabe se pode tocar.
Às vezes, fragmentos do teu corpo atravessam meus
pensamentos e somem rápido demais. Seu nome parece espalhado pelo mundo,
escondido em esquinas, rostos desconhecidos, sinais que insistem em me
perseguir. Caminho pelas ruas com essa sensação grudada na pele, sabendo que
você passa por mim sem virar o rosto, como se não houvesse rastro algum.
Talvez seja melhor assim. Há linhas que não
atravesso, porque sei do estrago que causariam. Não sou capaz de puxar o fio
que dispara o coração sem volta. Ainda assim, seguimos atuando nesse filme
silencioso, onde os encontros acontecem sem roteiro, sem explicação… e, apesar
de tudo, continuam se chamando amor.
J.K – 05.01.26

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