sábado, 21 de fevereiro de 2026

Talvez eu esteja cansado de falar de mim

     Eu tenho tentado escrever sobre o que está acontecendo no mundo. Sair um pouco do meu umbigo literário e olhar para fora. Já me meti a falar da prisão de Maduro, das polêmicas envolvendo comerciais da Pepsi e das Havaianas (que, aliás, eu adorei, pronto, falei!), do carnaval e aquela homenagem ao presidente que mais parecia horário eleitoral gratuito, da Festa da Uva que está tomando conta de fevereiro e março, e até da Tatiana Sampaio, essa gigante da ciência que faz a gente acreditar que o Brasil ainda produz heroínas de jaleco. Eu olho para tudo isso e penso: estou ficando mais atento… ou só mais opinativo?

 

Confesso que estava começando a cansar de escrever sobre amores — os que deram certo, os que não deram, os que deram errado mas renderam texto. Cansado de transformar minhas próprias dores em parágrafos organizados, de analisar meu cotidiano como se eu fosse personagem principal de uma série que ninguém pediu para assistir. Convenhamos: eu não sou celebridade, não sou influenciador, não lanço tendência. Sou só alguém com teclado, opinião e um certo excesso de sentimentos.

 

E talvez aí esteja a graça… ou o problema. Porque escrever sobre mim era confortável. Eu controlo a narrativa, escolho o drama, exagero na vírgula. Quando falo de política, de cultura, de ciência ou de festas populares, eu me exponho diferente. Posso desagradar. Posso provocar. Posso até errar. E, veja só, isso dá um certo frio na barriga — que é ótimo, mas cansa também.

 

Depois de tantos textos publicados, tantas reflexões jogadas ao vento digital, eu comecei a pensar se não seria hora de dar um tempo. Respirar. Ficar em silêncio. Talvez me renovar. Talvez me reinventar. Ou talvez só descansar dessa necessidade de transformar tudo em texto. Porque escrever é maravilhoso — mas também é se despir em praça pública. E, convenhamos, até quem gosta de palco precisa sair de cena de vez em quando.


J.K – 20.02.26




2 comentários:

  1. Bom dia!
    "As vezes,a gente só precisa decidir se continua"
    Falar de vc é como se despir em frente ao público: E ao mesmo tempo é inspirar as pessoas a se abrir para um novo. Não deixa de escrever seus textos eles são um bálsamo para nós seus leitores "ouso falar no plural pq tenho certeza que a maioria vence a minoria"
    Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom dia!

      Às vezes, a gente só precisa decidir se continua… e, confesso, mensagens como a tua me ajudam a continuar.

      Escrever, pra mim, é exatamente isso que tu disseste: é se despir em praça pública. Dá um frio na barriga, dá medo de exagerar, de ser mal interpretado, de parecer sensível demais… mas também é a forma mais honesta que encontrei de existir.

      Se os textos são um bálsamo, talvez seja porque eu escrevo com as feridas ainda abertas — não como quem ensina, mas como quem sente junto.

      E saber que há leitores que se reconhecem, que se permitem abrir algo novo dentro de si… isso me lembra por que eu comecei.

      Obrigado!

      Excluir