Resolvi assistir à comédia romântica De férias com você, dessas bem levinhas, pra rir, desligar o cérebro e fingir que minha vida emocional é organizada. Ledo engano! No meio do filme, percebi algo assustador: eu e a personagem principal somos praticamente a mesma pessoa… só que eu na versão masculina, com mais boletos e menos trilha sonora fofa.
Lá estava ela, morrendo de medo de se apaixonar,
apavorada com a ideia de perder a liberdade, fazendo malabarismo emocional pra
não se envolver demais. E eu, do outro lado do sofá, pensando: “olha eu aí,
gente”! A única diferença é que no filme tudo parece charmoso! Na vida real,
isso se chama fuga emocional com requintes de autoengano.
O ponto alto do trauma veio quando percebi que o
maior pavor não é nem o relacionamento em si. É dizer “eu te amo”! Três
palavrinhas simples, mas que pra mim soam como um contrato vitalício, sem
cláusula de rescisão e com multa emocional altíssima. Prefiro dizer “fica à
vontade” ou “quer um café?” — muito mais seguro.
Claro que no filme eles enfrentam os medos, se
declaram sob um pôr do sol perfeito e vivem felizes para sempre. Já eu? Sigo
firme no meu papel de protagonista da saga Fugindo dos próprios sentimentos
– edição estendida. Sem trilha romântica, mas com muita reflexão às três da
manhã.
Pensando bem, faço isso há mais de meio século! Negando sentimentos com uma habilidade digna de Oscar. E o mais engraçado (ou
trágico) é perceber que continuo lutando… contra mim mesmo! Pela liberdade1 Pela paz! Pelo direito sagrado de não responder mensagens emocionais.
No fim das contas, desliguei a Netflix, ri de mim
mesmo e aceitei: talvez eu não seja contra o amor. Só sou a favor dele… bem
devagar, sem pressão e, se possível, com legendas explicando o que estou
sentindo. Afinal, cada um vive sua comédia romântica do jeito que consegue — a
minha só demora um pouco mais pra chegar no final feliz 😅
J.K -
14.01.26

Adorei texto 😘
ResponderExcluirQue bom que gostou! Fico lisonjeado!
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