sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Gal não partiu, virou trilha sonora eterna

   Faz três anos que Gal Costa nos deixou — pelo menos no plano físico. Porque, na prática, Gal nunca foi embora. Ela continua surgindo quando a saudade aperta, quando o amor transborda, quando a liberdade pede voz. Gal é dessas presenças que não se contam em datas, mas em arrepios. Eu penso nela e automaticamente penso em cor, em vento no rosto, em desejo de viver sem pedir licença.


Gal cantava como quem se despe da alma. Em Baby, ela ensinou delicadeza sem fragilidade. Em Divino maravilhoso, nos lembrou que é preciso estar atento e forte — não como ameaça, mas como postura diante do mundo. Gal nunca implorou espaço: ela ocupou. Com doçura, coragem e uma sensualidade que vinha mais da verdade do que do corpo.


Quando ouço Chuva de prata, parece que algo se ajeita por dentro. É como se Gal dissesse que, mesmo depois da tempestade, ainda há beleza caindo do céu. Já em Vaca profana, ela virou afronta elegante, provocação inteligente, mostrando que ousadia também pode ser arte fina. Gal tinha esse dom raro: cantar o que muita gente sentia, mas não sabia dizer.


O mais bonito é que Gal atravessou gerações sem envelhecer. Cada fase dela parecia uma mulher diferente — e todas verdadeiras. Tropicalista, romântica, roqueira, íntima. Em Meu bem, meu mal, ela era entrega total; em Força estranha, era mistério e transcendência. Gal cantava e a gente se reconhecia, mesmo sem saber exatamente onde doía.


Três anos depois, o silêncio que ficou não é vazio. É cheio de ecos. De vozes nossas cantando junto, de memórias embaladas por aquela voz cristalina que sabia ser doce e feroz ao mesmo tempo. Gal nos ensinou que sentir muito não é exagero — é coragem.


Se você ainda não ouviu Gal hoje, ouça. Se já ouviu, ouça de novo. Porque Gal Costa não é passado: é presente contínuo. Daqueles que aquecem, provocam e libertam. E enquanto houver alguém disposto a sentir, Gal seguirá cantando — linda, necessária e absolutamente eterna. 🎶✨


J.K – 18.01.26




Nenhum comentário:

Postar um comentário