sábado, 7 de fevereiro de 2026

Nada em exposição

  Você não vai me encontrar desfilando minha vida nas redes, nem posando diante de pratos caros ou cenários que pedem aplauso. Se me procurar, estarei onde sempre estive: no trabalho, perto da família, dividindo risadas com poucos amigos — poucos, mas verdadeiros. Nunca tive vocação para vitrine.


Aprendi que a vida acontece longe das telas, no silêncio dos dias comuns e nos gestos que não rendem curtidas. Não faço da minha história um livro escancarado, aberto a julgamentos e palpites aleatórios. Quem vive meus dias sou eu, ao lado de algumas almas que escolhi levar comigo nesse caminho breve que chamamos de existência.


E não há reprovação alguma em quem escolhe o oposto. Que bom que somos diferentes. A monotonia mora na igualdade forçada, embora o mundo insista em nos moldar, em nos empurrar para o mesmo gosto, a mesma roupa, os mesmos desejos, os mesmos horários. Preferi seguir na direção contrária, mesmo sabendo que esse caminho não promete chegada nem aplauso.


Sou feliz assim, do meu jeito, caminhando fora do fluxo. Não me constrange admitir que sou uma dessas tantas ovelhas negras espalhadas por aí. E, convenhamos, entre nós: são elas que dão cor, graça e alguma verdade a um rebanho que insiste em marchar em fila. Você não acha?


J.K – 10.01.26




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