Morar sozinho me ensinou que a casa é mais do que abrigo. É templo. Quando retorno no fim do dia e fecho a porta, sinto que algo em mim também se recolhe. O mundo fica do lado de fora, e eu entro em mim mesmo, com respeito e calma.
O trabalho ocupa
horas, exige entrega, consome forças. Faço o que me cabe, sigo o fluxo do dia,
enfrento o que surge. Mas carrego a certeza silenciosa de que cada jornada
cumprida é uma bênção disfarçada de esforço. Nem todo dia é leve, mas todo dia
é concedido.
Ao chegar, o primeiro
gesto é a gratidão. Pelo dia que passou, pelo sustento que não faltou, pela
saúde que permitiu ir e voltar. Agradeço também pelas pessoas que não dividem o
teto comigo, mas habitam meu coração: a família, guardada na memória e no
afeto; os amigos, espalhados pela vida, mas presentes nas minhas orações
silenciosas.
No silêncio da
casa, encontro um tipo raro de presença. Não me sinto só. Sinto-me acompanhado
por algo maior, que não precisa de nome. Há paz em reconhecer que estar comigo
é também estar amparado. O tempo desacelera, a alma respira, e tudo encontra
seu lugar.
Assim, dia após
dia, sigo. Voltar para casa se transforma em rito, o descanso em agradecimento,
e a rotina em testemunho. Amanhã o sol nascerá outra vez, e eu estarei pronto, não por força própria, mas pela graça de simplesmente continuar.
J.K – 20.01.26

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