sábado, 14 de fevereiro de 2026

Nada a perder

   Quando a gente percebe que não havia prêmio no fim do caminho, tudo muda de peso. É como assistir ao dia se despedindo sem cerimônia, ver a noite tomar conta e o tempo seguir adiante sem pedir licença. Fica a pergunta incômoda: quem permanece em paz com a própria vida e quem carrega, nas mãos, a chave para ir embora, para um lugar que não seja exatamente este onde eu fiquei parado.


Eu tentei! Tentei de verdade, e quem esteve perto sabe disso. Experimentei caminhos, gestos, silêncios e até excessos. Errei, claro! Mas errei porque amei, sem truques, sem manual, como ama um homem comum, desses que não sabem se proteger direito quando acreditam demais.

No começo, tudo parecia prometer sentido. No fim, ficou apenas o entendimento tardio de que algumas histórias nascem já com prazo curto. Não houve vilões nem grandes cenas finais, apenas o desgaste natural de quem insistiu até onde deu e precisou aceitar que ali terminava.


Às vezes penso que não havia mais o que dizer. Para quem nunca teve certezas, a vida costuma se resumir a uma escolha dura: pegar ou largar. E o que sobra, depois disso tudo, é o amor que ficou guardado, sem endereço, esperando alguém que talvez nunca volte para buscar.


A história que eu queria viver não era assim, tão atravessada de silêncios e finais antecipados. Talvez ela nem exista fora da minha imaginação. O que existe sou eu, hoje, olhando para trás, entendendo que tentei — e, no fim das contas, quando se tenta de verdade, já não há nada a perder.


J.K – 10.01.26




 

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