sábado, 14 de fevereiro de 2026

Entre a espera e o estrago

 Chega um momento em que a gente precisa escolher: ou decide, ou resolve de vez. Porque ficar empurrando com a barriga tem um preço alto. E o risco é passar mais um inverno exatamente no mesmo lugar, cercado pelo conforto previsível, pela rotina segura e pela solidão disfarçada de costume.

 

Eu tentei de tudo para tirar você daí. Convites, jantares, filmes incontáveis, noites pensadas com carinho. Mas chega uma hora em que repetir os mesmos gestos cansa, e o entusiasmo vira insistência. Não dá para viver eternamente de programas que não avançam.

 

No meio disso tudo, eu fui me perdendo. Me vi refém dos seus humores, correndo atrás de migalhas de atenção, investindo tempo, dinheiro e expectativa. Flores, presentes, promessas… Dei mais do que tinha, apostei mais do que podia, e ainda assim parecia nunca ser suficiente.

 

Enquanto os dias passavam, eu seguia ali, esperando um sinal claro. Exagerei, me endividei, atravessei limites práticos e emocionais. Telefone madrugada adentro, decisões impulsivas, multas por parar onde não devia — tudo em nome de um encontro que talvez nem acontecesse.

 

Mas agora basta. Não vou passar mais um ano parado do lado de fora, observando a vida acontecer sem mim. Não vou continuar na soleira, esperando permissão para entrar. Não é falta de sentimento, é excesso de cansaço.

 

Então não leve a mal. Desta vez, eu escolho por mim. E se essa escolha causar algum abalo, que cause. Às vezes, só um bom estrago é capaz de encerrar uma espera longa demais!

 

J.K – 09.01.26




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