Chega um momento em que a gente precisa escolher: ou decide, ou resolve de vez. Porque ficar empurrando com a barriga tem um preço alto. E o risco é passar mais um inverno exatamente no mesmo lugar, cercado pelo conforto previsível, pela rotina segura e pela solidão disfarçada de costume.
Eu tentei de tudo para tirar você daí. Convites,
jantares, filmes incontáveis, noites pensadas com carinho. Mas chega uma hora
em que repetir os mesmos gestos cansa, e o entusiasmo vira insistência. Não dá
para viver eternamente de programas que não avançam.
No meio disso tudo, eu fui me perdendo. Me vi refém
dos seus humores, correndo atrás de migalhas de atenção, investindo tempo,
dinheiro e expectativa. Flores, presentes, promessas… Dei mais do que tinha,
apostei mais do que podia, e ainda assim parecia nunca ser suficiente.
Enquanto os dias passavam, eu seguia ali, esperando
um sinal claro. Exagerei, me endividei, atravessei limites práticos e
emocionais. Telefone madrugada adentro, decisões impulsivas, multas por parar
onde não devia — tudo em nome de um encontro que talvez nem acontecesse.
Mas agora basta. Não vou passar mais um ano parado
do lado de fora, observando a vida acontecer sem mim. Não vou continuar na
soleira, esperando permissão para entrar. Não é falta de sentimento, é excesso
de cansaço.
Então não leve a mal. Desta vez, eu escolho por
mim. E se essa escolha causar algum abalo, que cause. Às vezes, só um bom
estrago é capaz de encerrar uma espera longa demais!
J.K – 09.01.26

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