Há histórias que não pedem apenas atenção, pedem consciência. A do cãozinho Orelha, em Santa Catarina, não é só mais uma notícia triste — é um espelho quebrado da nossa humanidade. Um animal indefeso, que confiou, que não soube se proteger da maldade gratuita, e que perdeu a vida por atos que nunca deveriam ser chamados de descuido, mas pelo nome certo: barbárie. Ler isso dói. Saber que aconteceu, revolta. E aceitar em silêncio seria compactuar.
Animal não é distração de verão, não é objeto de
uso momentâneo, não é algo que se ignora quando deixa de ser conveniente. Quem
convive com um cão sabe: eles oferecem tudo sem pedir quase nada. Um olhar
inteiro, uma alegria sem cálculo, uma lealdade que não negocia. Quando alguém
escolhe ferir um animal, não está apenas machucando um corpo pequeno — está
rompendo um pacto básico de humanidade.
Orelha não morreu só pela violência direta. Ele
morreu também pela falta de empatia, pela ausência de limites claros, pela
certeza, ainda muito presente, de que maus-tratos a animais ficam impunes. E
isso precisa mudar. Precisa haver punição exemplar. Não por vingança, mas por
justiça. Para que fique claro, ferir um animal é crime. É falha moral. É sinal
de uma sociedade que precisa reaprender a cuidar.
Cuidar é mais do que alimentar. É proteger. É
vigiar o ambiente. É intervir quando algo está errado. É entender que um animal
depende inteiramente de nós. Quando falhamos nisso, falhamos feio. E não há
desculpa aceitável. Quem ama, protege. Quem respeita, não vira o rosto. Quem
tem caráter, não normaliza a crueldade.
Que a história do Orelha não seja só mais um nome
esquecido nas redes. Que ela provoque reflexão, indignação e mudança. Que sirva
de alerta e de limite. Porque a forma como tratamos os animais diz muito sobre
quem somos — e sobre o tipo de mundo que estamos permitindo existir. Sempre é
tempo de escolher diferente. Sempre é tempo de cuidar.
J.K – 07.02.26


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