quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Quando o silêncio vira crueldade


Há histórias que não pedem apenas atenção, pedem consciência. A do cãozinho Orelha, em Santa Catarina, não é só mais uma notícia triste — é um espelho quebrado da nossa humanidade. Um animal indefeso, que confiou, que não soube se proteger da maldade gratuita, e que perdeu a vida por atos que nunca deveriam ser chamados de descuido, mas pelo nome certo: barbárie. Ler isso dói. Saber que aconteceu, revolta. E aceitar em silêncio seria compactuar.

 

Animal não é distração de verão, não é objeto de uso momentâneo, não é algo que se ignora quando deixa de ser conveniente. Quem convive com um cão sabe: eles oferecem tudo sem pedir quase nada. Um olhar inteiro, uma alegria sem cálculo, uma lealdade que não negocia. Quando alguém escolhe ferir um animal, não está apenas machucando um corpo pequeno — está rompendo um pacto básico de humanidade.

 

Orelha não morreu só pela violência direta. Ele morreu também pela falta de empatia, pela ausência de limites claros, pela certeza, ainda muito presente, de que maus-tratos a animais ficam impunes. E isso precisa mudar. Precisa haver punição exemplar. Não por vingança, mas por justiça. Para que fique claro, ferir um animal é crime. É falha moral. É sinal de uma sociedade que precisa reaprender a cuidar.

 

Cuidar é mais do que alimentar. É proteger. É vigiar o ambiente. É intervir quando algo está errado. É entender que um animal depende inteiramente de nós. Quando falhamos nisso, falhamos feio. E não há desculpa aceitável. Quem ama, protege. Quem respeita, não vira o rosto. Quem tem caráter, não normaliza a crueldade.

 

Que a história do Orelha não seja só mais um nome esquecido nas redes. Que ela provoque reflexão, indignação e mudança. Que sirva de alerta e de limite. Porque a forma como tratamos os animais diz muito sobre quem somos — e sobre o tipo de mundo que estamos permitindo existir. Sempre é tempo de escolher diferente. Sempre é tempo de cuidar.

 

J.K – 07.02.26




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