Às vezes imagino
como seria reencontrar, depois de tantos anos, alguém que já foi importante
para mim e também deixou algumas cicatrizes. Durante muito tempo, pensei que
gostaria de chegar nesse encontro por cima. Bonito, feliz e realizado! Só para
mostrar que sobrevivi muito bem, obrigado! Mas o tempo tem dessas coisas: mexe
com o rosto, muda o corpo, embranquece os cabelos e, principalmente, coloca
muita coisa no seu devido lugar.
Talvez eu ainda procurasse naquele olhar
alguma lembrança do que fomos. Um arrependimento, quem sabe! Aquela pontinha de
culpa que, durante algum tempo, eu achei que merecia encontrar. Hoje já não sei!
A raiva passou, a mágoa também! E confesso que foi bom descobrir que certas feridas
não precisam desaparecer, basta que parem de doer!
Se a vida nos
colocasse, hoje, frente a frente, eu provavelmente enxergaria alguém que também
envelheceu, sofreu, acertou e errou enquanto eu fazia exatamente a mesma coisa
do outro lado! Não teria vontade de saber por onde andou, com quem esteve ou se
alguma vez sentiu minha falta. Essa curiosidade já não mora mais em mim! O que
vivemos teve seu tempo e foi infinito enquanto durou! Mas, não teve futuro,
apenas passado!
Se ela me perguntasse o que ainda sinto, acho
que responderia sem pensar muito: “Eu lhe quero bem e desejo que seja feliz”! E seguiria meu caminho novamente, sem
vingança, sem cobrança e sem esperar aquele arrependimento que um dia desejei
tanto pra ela! Talvez essa seja a parte mais bonita de finalmente deixar alguém
no passado: poder encontrar de novo e perceber que o coração já não pede
absolutamente nada dela.
J.K. – 21.09.26






