sexta-feira, 27 de março de 2026

Sob o manto que acolhe

             Hoje eu me coloco pequeno, quase como uma criança cansada, pedindo colo sem saber direito por onde começar! Sinto essa vontade de ser acolhido, de me esconder em um cuidado que não julga, que apenas envolve! É como se meu coração soubesse que existe um lugar de paz, um olhar que acalma, uma presença que silencia o barulho que carrego por dentro. E eu sei de onde vem essa paz: é de Nossa Senhora, mãe de Jesus, que me acolhe com ternura e intercede por mim.


 Tenho andado por caminhos difíceis, e nem sempre meus passos foram firmes. Às vezes, pisei em pedras que eu mesmo não vi, outras vezes fui eu quem as deixou pelo caminho. Carrego marcas, dores antigas, lembranças que ainda pesam! Mas, mesmo assim, sigo pedindo força para continuar, para não desistir no meio da travessia, para suportar aquilo que ainda precisa ser vivido, confiando que ela caminha ao meu lado.


 Também trago comigo arrependimentos! Palavras que não deveriam ter sido ditas, atitudes que feriram quem não merecia! E isso pesa! Por isso, hoje eu peço, com humildade, que meu coração seja limpo dessas mágoas, que eu aprenda a perdoar e a pedir perdão de verdade. Que eu seja mais leve por dentro, mais inteiro, mais verdadeiro no amor, como ela me ensina em silêncio.

 

 Quando a dor apertar e meu corpo quase ceder, que eu não me sinta sozinho! Que haja um alívio silencioso, uma força que me sustente quando já não consigo mais. Que minha fé cresça nos dias difíceis, que meu coração desacelere quando o medo vier, e que eu encontre paz mesmo em meio às minhas próprias tempestades, seguro nas mãos de Nossa Senhora.


 Eu sei que não caminho só! Mesmo quando choro em silêncio, existe um cuidado que me envolve, mãos invisíveis que me sustentam. E é nisso que eu escolho confiar! Que minha vida, meu destino e cada passo que eu der sejam guiados com carinho, com proteção e com amor, sob o manto de Nossa Senhora, mãe de Jesus.


 Hoje, mais do que pedir, eu me entrego! Porque no fundo, tudo o que eu mais preciso é disso: ser cuidado, ser conduzido e seguir em paz. Por isso, te peço sua benção minha mãe, mãe de Jesus!

 

27.03.26






Rio Grande do Sul: firmes como o Cavalo Caramelo

  Eu nunca vou esquecer aqueles dias em que a água tomou conta das ruas, das casas, dos silêncios. Ver o meu amado Rio Grande do Sul machucado doeu fundo, como se cada esquina alagada fosse um pedaço da minha própria história submersa. Mas, no meio daquele cenário de incertezas, surgiu ele, o tal do Cavalo Caramelo. E, bah, que baita símbolo ele se tornou pra todos nós!

 

 A imagem daquele cavalo resistindo, firme, ilhado mas não vencido, virou mais do que notícia: virou espelho! Espelho do povo gaúcho! Porque nós também ficamos cercados por dificuldades, por perdas, por medos. Mas não arriamos o pé! Assim como o Caramelo, seguimos de cabeça erguida, esperando a maré baixar e trabalhando enquanto ela ainda subia.

 

 Confesso, tchê, que me emocionei ao ver a corrente de solidariedade se formando! Gente daqui, gente de fora, gente do mundo inteiro estendendo a mão! Mas, principalmente, nós mesmos! O povo gaúcho mostrando que sabe se unir quando o bicho pega! Teve chimarrão compartilhado em abrigo, teve vizinho salvando vizinho de barco improvisado, teve trabalhador virando voluntário sem pensar duas vezes! Isso é ser do Sul! Isso é ser de fibra!

 

 E se a enchente levou muito, ela também revelou muito mais! Revelou coragem, parceria, hospitalidade, essa nossa mania bonita de ajudar antes mesmo de perguntarem. Em pouco tempo, começamos a levantar paredes, limpar ruas, reconstruir sonhos. Não foi fácil! Não está sendo! Mas estamos fazendo! Porque somos teimosos no melhor sentido da palavra. Somos trabalhadores, solidários, orgulhosos da nossa querência.

 

 Hoje, quando lembro do Cavalo Caramelo, não penso na tragédia. Penso na força! Penso que, assim como ele, a gente pode até ficar cercado pelas águas da vida, mas não se entrega. A gente resiste, aguenta firme e, quando a água baixa, sai mais forte, mais unido, mais humano.

 

 Somos gaúchos, com muito orgulho! E se alguém duvida da nossa capacidade de recomeçar, eu só respondo: mas bah, vivente, aqui é o Sul! Aqui ninguém se entrega fácil!

 

J.K – 15.02.26




 

quinta-feira, 26 de março de 2026

Depois que o futuro ficou para trás

         Nós já moramos no amanhã! Construímos um tempo que ainda nem existia e caminhamos por ele como se fosse certeza. Falávamos de anos à frente com a mesma naturalidade de quem fala do domingo seguinte. Era tão real que eu quase podia tocar. Mas o futuro, às vezes, é só uma miragem que dois corações insistem em enxergar juntos.

 

 Entre promessas e desenganos, fomos nos perdendo sem perceber. Não houve um grande adeus, apenas pequenos afastamentos, silêncios acumulados e olhares que já não se demoravam. Madrugadas longas demais, onde eu esperava por algo que nem eu sabia mais nomear. Você virou o rosto antes de virar o corpo! E quando percebi, já estávamos em margens opostas.

 

 Ainda assim, não nego o que fomos. Houve entrega, houve verdade, houve momentos que não cabem em explicação, apenas em lembrança! Fizemos história um no outro. E certas histórias não acabam; apenas mudam de lugar dentro da gente.


 Hoje eu não te peço que fique! Também não imploro que volte! Existe uma tristeza serena em aceitar que o nosso tempo passou. Como estação que cumpriu seu ciclo. Quero que você encontre um caminho leve. E, no meio desse desejo sincero, estou tentando aprender a caminhar sem a sombra do “nós”.

 

 Vai ser estranho substituir retratos, reorganizar os espaços, reaprender o silêncio! Mas talvez exista liberdade nisso! A liberdade de amar novamente sem carregar culpas. De desejar alguém sem trair memórias, de permitir que o que fomos seja lembrança, não prisão! Depois de tantos sonhos, restou maturidade e depois de tantos planos, restou verdade!


 E, mesmo que doa, existe algo bonito em saber a hora de soltar. E eu, soltei!

 

J.K – 25.02.26




quarta-feira, 25 de março de 2026

Do jeito que ela é


         Eu demorei para entender que algumas pessoas não pedem muito, pedem apenas o que é essencial. Ela nunca quis exageros, promessas grandiosas ou espetáculos públicos. O que ela precisava era cuidado! Atenção sincera! Amor dito com verdade e demonstrado nos gestos pequenos do dia a dia.

 

Percebi que existem pessoas que florescem quando são reconhecidas. Não por vaidade, mas por reciprocidade. Assim como certas coisas no mundo só revelam sua beleza quando alguém se dispõe a olhar com carinho, ela também precisava ser vista inteira, com suas forças e fragilidades.

 

Ela tem essa mistura de firmeza e sensibilidade! Pode ser forte como quem enfrenta o mundo de cabeça erguida, mas também carrega uma doçura que merece colo, respeito e afeto. Amar alguém assim não é sobre posse, é sobre presença, é sobre entender que até quem parece segura também precisa ser cuidada.

 

Aprendi que mulheres não precisam de príncipes, mas de parceiros! Não precisam de aplausos vazios, mas de reconhecimento real! E quando são amadas do jeito certo, se tornam ainda mais grandiosas, não porque dependam disso, mas porque amor verdadeiro potencializa o que já é precioso. Ela merece ser amada com maturidade, admiração e verdade!

 

J.K – 15.02.26

 

Nos detalhes que ficam

         Você pode até dizer que virou página, que reorganizou a vida, que limpou as gavetas da memória. Mas tem coisas que não obedecem à nossa vontade! Eu sei que, por muito tempo ainda, vou morar em pequenos cantos do seu cotidiano, nesses lugares onde ninguém percebe, mas tudo permanece.

 

 Não são os grandes gestos que resistem! São as miudezas! Um som parecido com o meu riso! Uma roupa antiga que te transporta para uma tarde qualquer! Um jeito torto de falar, uma mania boba, uma implicância carinhosa. Essas coisas pequenas carregam um peso imenso! Elas não se apagam com discursos firmes nem com novas promessas.

 

 Talvez alguém esteja agora ocupando o espaço que um dia foi meu! Talvez ele diga palavras bonitas, talvez tente acertar onde eu falhei! Mas amor não é competição de frases bem ditas. Amor é marca! E marca não se copia, se sente! Até os meus defeitos, aqueles que você fingia corrigir, acabam virando lembrança involuntária.

 

 Vai ter noites em que o silêncio do seu quarto vai ficar maior do que o mundo. E, sem querer, você vai buscar uma imagem minha na memória, mesmo que outra pessoa esteja ao seu lado. Não porque você queira voltar! Mas porque o que a gente viveu deixou vestígios que o tempo demora a dissolver.

 

 Eu sei que os anos passam e que quase tudo se transforma em quase nada! Mas “quase” ainda é alguma coisa! E quando um amor foi inteiro, ele não desaparece de uma vez. Ele se espalha! Se dilui! E, de vez em quando, reaparece. Você pode tentar me esquecer! Pode repetir isso quantas vezes quiser! Mas, em algum detalhe distraído da vida, eu ainda vou existir.

 

J.K – 15.02.26




terça-feira, 24 de março de 2026

Do fundo do meu coração

  Toda vez que você reaparecia, algo em mim sorria antes mesmo de eu permitir. Era automático! Bastava te ver chegando para eu esquecer as promessas que fiz a mim mesmo nas madrugadas de lucidez. Eu jurava que tinha aprendido! Jurava que daquela vez seria diferente! Mas bastava você encostar no meu mundo para eu provar de novo aquele sentimento que é doce na boca e amargo na alma.

 

 Eu assisti ao meu orgulho escorrer pelos seus dedos! Vi minha dignidade perder força enquanto eu insistia em chamar de amor aquilo que me machucava. Cada despedida sua deixava marcas que eu fingia não ver. E quando você voltava, eu inventava justificativas, criava esperanças, fazia de conta que o passado não tinha acontecido.

 

 A verdade é que eu sempre quis acreditar que, dessa vez, você ficaria! Que o retorno significava permanência! Que o abraço e os beijos não eram só passagem! Mas, no silêncio que vinha depois, eu entendia: eu era porto provisório, nunca destino.

 

 Hoje estou aqui, olhando para as cicatrizes que ficaram! Elas não desapareceram, mas me ensinaram alguma coisa. Amar não pode ser sinônimo de implorar! Sentir não pode significar se diminuir! E, mesmo que uma parte de mim ainda respondesse “sim” se você perguntasse se eu sou seu, existe outra parte, a mais cansada e mais consciente, que finalmente aprendeu a dizer “não”!

 

Do fundo do meu coração, eu sei: para me reconstruir, você não pode voltar! Não porque eu não ame, mas porque, dessa vez, eu preciso me escolher, esquecer de você!

 

J.K – 15.02.26




segunda-feira, 23 de março de 2026

Entre o céu e a lua

          Acordei acreditando que a noite ainda morava na gente. Dei bom dia com o mesmo sorriso de quem tinha amado sem medida poucas horas antes. Mas o silêncio veio primeiro! Um silêncio pesado, desses que ocupam o quarto inteiro e deixam a gente pequeno dentro dele! Fiquei tentando entender como algo tão intenso pode amanhecer tão distante.

 

 Enquanto escovava os dentes, me olhei no espelho procurando respostas. Perguntei a mim mesmo onde foi que errei. Se exagerei no sentimento, se falei demais, se senti demais. Porque, na noite anterior, tudo parecia encaixar. Era como se o mundo tivesse parado só para nos assistir. E agora havia esse muro invisível entre nós!

 

 É estranho como o coração da gente não acompanha as mudanças de clima do outro. Ontem era verão, calor, entrega! Hoje é vento frio sem aviso! Aprendi, meio atordoado, que nem sempre a felicidade que a gente enxerga é garantia de permanência. Às vezes o sorriso da noite não sobrevive à luz do dia!

 

 Ela muda como o céu muda antes da chuva! Num momento me envolve, me puxa para perto, me faz acreditar que sou abrigo. No outro, se recolhe, se fecha, vira mistério. E eu fico ali, tentando decifrar sinais que talvez nem existam!

 

 Amar alguém assim é aceitar viver entre eclipses e clarões! É nunca ter certeza do tempo que faz no coração dela! E, mesmo assim, continuar olhando para o alto, esperando que a lua volte a brilhar do meu lado.

 

J.K – 15.02.26