terça-feira, 21 de julho de 2026

Sim, sou um sujeito estranho!

 

 Sim, sou um jeito estranho, confesso! Não sou de procurar as pessoas, pois tenho sempre a impressão de que estou sempre atrapalhando. Esse é um dos mil e um defeitos que eu tenho! Aqui, entre nós, prefiro que me procurem! Então, por favor, não me levem a mal! Não é desinteresse, é só meu jeitinho meio “não vou incomodar ninguém” por existir!


 Também não sou de fazer algo só para agradar os outros! Antes de tudo, prefiro agradar a mim mesmo! Se estou contigo, ando e converso contigo, sinta-se lisonjeado! É sinal de que eu gosto de ti! E se frequento a tua casa, aí sim, és privilegiado!


 Confraternizações e festas também não são muito comigo! Como trabalho com multidões e tento, quase sempre, ser sociável e agradável, quando termina o expediente, tudo o que eu quero é paz e sossego! Ficar em casa, ver um bom filme ou ler um livro e, de preferência, ter a minha família por perto! Então, se você me convidou para sua festa e eu fui, pode anotar: foi um milagre!


 Sim, eu sou um sujeito estranho e costumo dizer que fujo dos padrões impostos por essa sociedade que adora um molde pronto! Não gosto de me encaixar, embora respeite! Prefiro remar contra a maré, ser o avesso do avesso! Dá mais trabalho? Dá! Mas pelo menos, ao contrário de muitos, sou único, não apenas mais um na multidão! E, até quando vai ser assim? Não sei! Mas, por enquanto, estou confortável sendo exatamente desse jeito!

 

J.K – 21.04.26




segunda-feira, 20 de julho de 2026

Bons e velhos tempos que não voltam mais!

 

 Deixa eu te contar: a gente também aprontava na minha época, viu? Só que com mais estratégia do que pressa! Nada de atalho, era tudo no olho no olho, no timing certo e com aquela coragem meio inconsequente. No fundo, o jogo sempre foi o mesmo! Só mudaram os cenários.

 

 Os bailinhos eram praticamente um laboratório de segundas intenções. A gente ia arrumado, perfumado e cheio de planos que nem sempre eram tão inocentes assim! Dançar grudado era teste de aproximação, de limite, de até onde dava pra ir sem ouvir um “te enxerga”!


Recordo que tu vinhas toda produzida, sabendo exatamente o efeito que causava. E eu ali, fingindo controle, mas já negociando mentalmente cada centímetro de proximidade! Um passo a mais, uma mão que demora um pouco mais, um olhar que entrega mais do que devia. Era um jogo de sedução! E ninguém era tão inocente quanto parecia.


 E então chegava o momento decisivo! O tal do “te levo em casa”! O carro do pai virava cenário principal! No caminho, conversa boa, risada solta e aquela "tensão" gostosa crescendo sem pedir licença. E na frente do portão, silêncio! Mas, aquele silêncio que dizia tudo!


 E o beijo não era qualquer beijo! Era demorado, curioso e explorador! Mão na mão, depois já nem tão na mão assim. Sempre com aquele freio de última hora, porque alguém podia acordar ou porque a coragem ainda tinha limite! Mas a intenção, essa estava ali, bem clara!


 A gente não tinha a pressa de hoje, mas também não era santo, não! Sabia provocar, segurar, avançar e recuar! Era menos explícito, mas muito mais cheio de malícia! E talvez seja por isso que era tão bom!


 Hoje eu lembro e dou risada. A gente se divertia e sabia que já estava aprendendo direitinho o jogo mais antigo do mundo!

 

J.K – 21.04.26




domingo, 19 de julho de 2026

A saudade continua morando aqui!

 

 Hoje fazem dois anos que tu partiste! O câncer venceu a batalha e acabou nos separando. Nesse tempo, ele também levou outros amigos queridos. Mas, por mais que os dias tenham passado, tu continuas morando nos meus pensamentos e, principalmente, no meu coração.


 Sinto saudades das comidinhas deliciosas que preparavas para nós dois, das tardes ao lado dos teus amigos, dos passeios por ruas e bairros desconhecidos da capital e, sobretudo, do teu jeito de cuidar de mim! Tu me estragavas com mimos, beijinhos e carinhos sem ter fim.


 Também sinto saudades da tua alegria, mesmo nos dias em que a dor insistia em aparecer! Tenho saudades até dos nossos pequenos estresses. Das noites de filme, quando tu sempre acabavas dormindo no meu peito e, depois, acordavas perguntando como terminava a história. E, é claro, dos nossos namoros intermináveis, que nos deixavam sem fôlego e completamente felizes.


 Hoje percebo que o amor não acaba quando a vida termina! Ele apenas aprende um novo jeito de existir. E a saudade! Ah, essa continua vivendo comigo todos os dias! Porque há pessoas que partem deste mundo, mas nunca vão embora do coração. E, enquanto eu lembrar de ti com esse sorriso, uma parte de nós continuará viva para sempre!


J.K. – 19.07.26




Manual nada oficial da solteirice digital!

  

 Tem uma coisa curiosa que aprendi rolando o feed como quem faz pesquisa de campo. Dá para perceber quando uma mulher está solteira com uma facilidade impressionante! Quando vive um relacionamento, as fotos costumam vir acompanhadas, clima de família, casal sorrindo, amigos por perto, vida compartilhada! Aí, de repente, muda o vento! Surge uma sequência de fotos solo, poses ensaiadas, iluminação caprichada e um festival de filtro que transforma até segunda-feira em capa de revista.

 

 E tem o clássico repertório das poses: beicinho estratégico, olhar de lado, aquela tentativa de sensualidade que às vezes vira comédia sem querer. Eu dou risada com respeito, porque faz parte do jogo! O mais engraçado é que foto de balada quase nunca aparece. Parece que a festa acontece em segredo, como se tivesse um código de silêncio que ninguém comentou comigo.

 

 As frases também entregam muito! É cada legenda cheia de atitude que até o algoritmo fica intimidado. Mulher decidida, que sabe o que quer, dona do próprio destino e com currículo emocional atualizado. Eu leio e penso que essa segurança toda devia vir com manual, porque na vida real a gente tropeça bem mais do que admite.

 

 Agora, o que realmente me intriga é essa necessidade de transformar a vida em vitrine! Tudo vira conteúdo: o café, o jantar, a companhia, o humor do dia! Às vezes parece que viver perdeu um pouco da graça e virou uma obrigação de postar. Eu mesmo já entrei nessa onda e hoje tento me segurar! Nem sempre consigo, confesso! Tem dias em que quase tiro foto até do copo d’água, depois lembro que a sede passa sem plateia.

 

 E os relacionamentos entraram nessa dança também! Antes tinha a conversa, o olhar e aquele jogo lento de conquista. Hoje o pedido chega rápido e direto, como se fosse item de lista de compras e aquele pedido sem vergonha de nudes. Se agradou, continua! Se cansou, um bloqueio resolve tudo! Prático, rápido e sem charme! Eu fico me sentindo um modelo antigo que ainda acredita em papo olho no olho e risada sem filtro.

 

 No fim das contas, talvez eu esteja mesmo ficando ultrapassado, mesmo jurando que sou moderno. Só que tem uma coisa que eu seguro com gosto: viver mais do que postar! Até porque já dá um trabalhão cuidar da minha própria bagunça! Imagina ainda administrar a vida dos outros pelo celular.

 

J.K – 03.05.26




 

Quando o amor vira desvio de rota!

 

 Confesso: "eu não terminei um relacionamento, eu finalizei um capítulo com direito a ponto final, parágrafo e até mudança de livro"! Chegou um momento em que eu não estava só cansado, eu estava tipo celular em 1% de bateria, modo economia ligado e procurando desesperadamente um carregador emocional que simplesmente não existia mais! E olha, insistir nisso seria tipo tentar carregar o celular na tomada errada. Não dá!


 Tu conseguiu um feito raro: esgotar até o estoque de paciência que eu nem sabia que eu ainda tinha! E não foi de uma vez só, não! Foi no gotejamento, naquelas pequenas coisas que vão desgastando, tipo chinelo ruim que arrebenta bem no meio da rua! Quando eu vi, não tinha mais nada para segurar, nem amor, nem amizade, nem vontade de tentar mais uma vez.


 E o mais curioso é que não sobrou raiva, eu juro! Nada de ranço e nada de desejo de vingança! Eu só quero distância mesmo, tipo duas pessoas educadas que se cumprimentam de longe e seguem cada uma pro seu lado. Inclusive, se puder evitar qualquer chance de trombarmos pelas ruas de Caxias do Sul, eu agradeço profundamente. E volto a frisar: "não é mágoa, é só logística emocional"!


 Teve um momento em que eu sentei e comecei a deletar tudo: conversas, fotos, lembranças digitais e, aos poucos, até as emocionais foram indo junto! Foi quase uma limpeza de primavera, só que no coração! E olha, deu um alívio que nem eu esperava! Descobri que desapegar também pode ser terapêutico, tipo abrir espaço no armário e perceber que agora cabe muita coisa nova1


 Hoje somos dois completos desconhecidos! E, sinceramente, acho que foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Porque tem gente que não nasceu pra continuar na nossa história, nasceu só pra escrevermos alguns capítulos e sair de cena. A vida segue, e eu sigo mais leve, mais consciente e, principalmente, mais em paz comigo mesmo.


J.K – 11.04.26




Quando a conversa vira monólogo e a gente nem percebe!

 

 

 Essa semana vivi uma daquelas cenas que, se não fosse trágica, daria um baita quadro de comédia! Lá estava eu, empolgado, contando um assunto que, na minha cabeça, era digno de documentário! Quando percebo que meu colega estava em um relacionamento sério com o celular! Olhar fixo, dedo rolando, zero reação! Fiz até um teste básico: “E aí, o que tu acha disso que falei?”. Ele, num talento digno de ator, desconversou! Traduzindo: não ouviu absolutamente nada! E o pior, não foi a primeira vez! Eu sigo sendo deixado no vácuo com uma frequência que já dava pra virar rotina! E mesmo assim, eu ainda me surpreendo!

 

 Hoje teve reprise! Comecei a contar uma história para uma colega e, no meio do caminho, meu assunto sofreu um golpe fatal! Sem aviso prévio, sem direito a defesa! Ela simplesmente sequestrou o tema e começou a falar do dela, com uma naturalidade impressionante! O meu relato ficou estendido no chão, sem ninguém nem fechar os olhos! Foi embora ali mesmo, sem plateia, sem aplauso, sem nada!

 

 E olha, não é só comigo! Tenho percebido isso em geral! Com colegas, com clientes, com todo mundo! Parece que ouvir virou artigo de luxo! A conversa virou uma disputa silenciosa de quem consegue falar mais de si mesmo sem ser interrompido! Cada um defendendo o seu mundinho como se fosse manchete de jornal! Interesse pelo outro está em falta no estoque!

 

 Claro, em um momento de sinceridade quase dolorosa, pensei: vai ver o problema sou eu! Vai ver minhas histórias são um tédio completo! Mas pensando melhor, não fecha a conta! Porque eu escuto! Eu deixo espaço! Eu entro no assunto do outro! Eu tento, pelo menos!

 

 No fim das contas, fica a reflexão com uma pitada de riso nervoso: será que estamos conversando ou só esperando a nossa vez de falar? Porque, do jeito que vai, qualquer dia vou precisar mandar um áudio pra mim mesmo, só pra ter certeza de que alguém me escutou!

 

J.K – 02.05.26




sábado, 18 de julho de 2026

Quem foi que inventou o inverno?

 

 Confesso que não aguento mais o frio! Este ano, as temperaturas judiaram dos gaúchos, principalmente, de quem mora na Serra! Tem feito dias de renguear cusco! Nem o tradicional chimarrão e uma boa sopa de agnolini conseguem aquecer a alma.


 E não que eu esteja contando os dias, capaz! Mas faltam exatamente 66 dias para a primavera e 156 para o verão. Hoje, o frio deu uma trégua aqui em Caxias do Sul e a temperatura está tri agradável! Só que eu sei que essa alegria tem prazo de validade! A previsão é de muita chuva, temporal, granizo e, logo depois, a terceira massa de ar frio. Ser gaúcho não é para os fracos tchê!


 E, não sei se fui eu que envelheci ou se este inverno resolveu bater todos os recordes, mas tem feito frio demais! Acordar às cinco da manhã, tomar banho e sair para trabalhar às seis virou um verdadeiro teste de resistência! No frio, só tenho vontade de ficar em casa, enrolado numa mantinha e cercado de comidas quentinhas. Não tenho vontade de sair, nem de namorar! Pode isso? Agora me contem uma coisa: quem é que realmente gosta do inverno?


J.K. – 18.07.26