Não virei quem virei por economia de sentimentos. Foi excesso mesmo! Amor demais, intensidade sem manual, emoção escorrendo pelos cantos da vida. Às vezes fui macio como quem pede licença, outras vezes duro como quem já apanhou bastante. Não por escolha estética, mas porque o caminho me moldou assim: contraditório, instável, profundamente humano.
Passei muito tempo
achando que precisava dominar o mundo, quando na verdade mal conhecia meus
próprios atalhos. Fui me perdendo em músicas, em promessas, em paixões que não
sabiam acabar. Cada entrega deixava uma marca. Algumas viraram cicatriz,
outras viraram mapa. E mesmo sem perceber, eu já estava em busca de algo maior:
entender quem eu era quando ninguém estava olhando.
Teve medo, claro! Teve fuga também! Mas aprendi que o verdadeiro confronto não acontece fora,
acontece no peito. Abrir espaço por dentro dói mais do que enfrentar qualquer
fera visível. A luta diária não é contra o outro, é contra a tentação de
desistir, de se esconder, de fingir que não sente. Coragem, descobri, não é
ausência de medo, mas é seguir apesar dele.
Andei longe, sonhei
alto, errei rotas! Às vezes fui rápido demais, outras vezes fiquei parado tempo
demais. Mas cada passo, mesmo torto, me levou um pouco mais perto de mim. Hoje
sigo sem garantias, mas com uma certeza quieta: continuo procurando. Não por
falta, mas por vontade! Porque no fim, a maior aventura sempre foi essa, me
encontrar, sem armadilhas, sem disfarces, do jeito que sou.
J.K – 07.02.26






