Deixa eu te
contar: a gente também aprontava na minha época, viu? Só que com mais estratégia do que
pressa! Nada de atalho, era tudo no olho no olho, no timing certo e com aquela
coragem meio inconsequente. No fundo, o jogo sempre foi o mesmo! Só mudaram os
cenários.
Os bailinhos eram
praticamente um laboratório de segundas intenções. A gente ia arrumado,
perfumado e cheio de planos que nem sempre eram tão inocentes assim! Dançar
grudado era teste de aproximação, de limite, de até onde dava
pra ir sem ouvir um “te enxerga”!
Recordo que tu vinhas toda
produzida, sabendo exatamente o efeito que causava. E eu ali, fingindo
controle, mas já negociando mentalmente cada centímetro de proximidade! Um
passo a mais, uma mão que demora um pouco mais, um olhar que entrega mais do
que devia. Era um jogo de sedução! E ninguém era tão inocente quanto parecia.
E então chegava o
momento decisivo! O tal do “te levo em casa”! O carro do pai virava cenário
principal! No caminho, conversa boa, risada solta e aquela "tensão" gostosa
crescendo sem pedir licença. E na frente do portão, silêncio! Mas, aquele silêncio
que dizia tudo!
E o beijo não era
qualquer beijo! Era demorado, curioso e explorador! Mão na mão, depois já nem
tão na mão assim. Sempre com aquele freio de última hora, porque alguém podia
acordar ou porque a coragem ainda tinha limite! Mas a intenção, essa estava
ali, bem clara!
A gente não tinha
a pressa de hoje, mas também não era santo, não! Sabia provocar, segurar,
avançar e recuar! Era menos explícito, mas muito mais cheio de malícia! E
talvez seja por isso que era tão bom!
Hoje eu lembro e
dou risada. A gente se divertia e sabia que já estava
aprendendo direitinho o jogo mais antigo do mundo!
J.K – 21.04.26






