segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Quando a ausência vira escolha

    Chega um momento em que a dúvida do outro já não pesa tanto. Não porque não doeu, mas porque cansa. Cansa explicar, cansa insistir, cansa esperar que alguém enxergue o que nunca quis ver. Hoje, olhando com mais calma, percebo que a vida era mais leve antes de certas presenças. Não mais vazia — apenas mais simples.


O destino não pediu licença. Bateu à porta como quem não aceita resposta e me empurrou para um caminho que eu não escolhi, mas precisei seguir. E foi andando por ele que entendi: algumas histórias não acabam por falta de amor, acabam por excesso de desgaste. Nem tudo que começa intenso foi feito para durar.


Confesso sem culpa: hoje prefiro uma cerveja gelada, amigos em volta da mesa, risadas que não cobram explicação. Prefiro brindar o que não deu certo do que insistir em salvar o que já se perdeu. Há derrotas que são libertação. Há fins que merecem um brinde honesto, não um lamento eterno.


Se duvidam de mim, pouco importa! Se seguem seu caminho, também! Voltar aos mesmos braços já não é opção, nem desejo. A vida segue melhor quando certas portas permanecem fechadas — não por orgulho, mas por respeito a quem a gente se tornou. E nisso, finalmente, encontrei paz.


 

J.K – 19.01.26




A pessoa mais estranha que eu amo

    Preciso te dizer uma coisa com toda a sinceridade do mundo: tu és a minha melhor amiga! Daquelas de verdade! Daquelas que sabem demais, que já viram cenas que jamais deveriam ter sido vistas e que, mesmo assim, continuam ali. Mas junto com essa declaração vem outra, igualmente verdadeira: tu és, sem dúvida alguma, a pessoa mais estranha que eu conheço. E olha que meu currículo de gente esquisita não é pequeno!


Tu tens manias que eu não sei se admiro ou se estudo. Pensas coisas que ninguém mais pensaria, reages de um jeito que desafia qualquer lógica conhecida e, quando eu acho que já te entendi… pronto, tu muda. Parece atualização de aplicativo: do nada, sem aviso e sempre com novidades inesperadas.


O mais curioso é que tu consegues ser estranha sem esforço algum! Não é pose, não é personagem, é talento natural! Enquanto o mundo tenta ser normal, tu acorda e decide ser tu mesma — o que geralmente inclui ideias aleatórias, comentários fora de contexto e uma capacidade impressionante de tornar qualquer situação simples em algo levemente caótico.


E sabe o que é pior? Eu adoro isso em ti! Porque no meio da tua estranheza mora uma lealdade absurda, um coração gigante e um senso de humor que me salva nos dias mais difíceis. Tu és aquela pessoa que me faz rir quando eu só queria reclamar da vida e que, sem perceber, me devolve o eixo quando tudo parece fora do lugar.


Então fica aqui meu aviso oficial: continua sendo essa criatura rara, meio doida, meio genial, totalmente única. O mundo já tem gente normal demais. Eu fico contigo, minha melhor amiga estranha, porque rir contigo é muito melhor do que fazer sentido sozinho! 😌💙

 

J.K – 13.01.26




Quando o samba aplaude… e a gente pensa

   Eu fico hipnotizado assistindo ao Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro na Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É impossível não se arrepiar! Cada escola entra como se carregasse o peso e o orgulho de milhares de histórias. É suor transformado em luxo, é comunidade virando espetáculo, é arte que nasce da luta e explode em cor.

 

A Estação Primeira de Mangueira veio gigante. A Beija-Flor de Nilópolis mostrou porque sabe fazer impacto. A Acadêmicos do Salgueiro incendiou a avenida. A Portela desfilou com aquela elegância que parece sussurrar tradição. Todas estavam lindas! Todas merecem aplauso.

 

Mas no meio do brilho, eu me peguei pensando em outra coisa. Carnaval é palco de homenagens — e eu acho isso maravilhoso. Celebrar cultura, ancestralidade, personagens históricos, artistas populares… é lindo! Só que quando a exaltação envolve alguém que ainda ocupa espaço de poder, que ainda decide, que ainda distribui recursos… eu começo a me perguntar: estamos reverenciando a história ou estamos fortalecendo relações?

 

Não é sobre partido! Não é sobre torcida! É sobre coerência! A avenida é gigante, mas não é ingênua. Quem financia também aparece, mesmo quando não pisa na passarela. E quando a homenagem vem acompanhada de patrocínio generoso, eu fico com aquela sensação agridoce — tipo samba-enredo animado com letra que dá nó na cabeça.

 

Eu continuo amando o Carnaval! Continuo acreditando que ele é uma das maiores manifestações culturais do planeta. Mas talvez amar também seja ter coragem de perguntar. Porque o samba sempre foi voz do povo — e voz que só aplaude, sem refletir, vira eco. E eu, sinceramente, prefiro que a bateria marque o ritmo… mas que a consciência não saia do compasso. 🎭🔥

 

J.K – 16.02.26






Prazer, eu sou feito de palavras, ironias e sentimento demais

      Nunca fui exatamente discreto. Nem nos gestos, nem nos pensamentos, muito menos nas palavras. Escrevo porque sinto demais e porque ficar quieto nunca foi uma habilidade que eu quisesse desenvolver. Se você chegou até aqui esperando alguém neutro, equilibrado e contido… sinto informar: errou a porta.


Sou desses que ri de si mesmo antes que o mundo tente fazer isso. Uso o humor como escudo, mas também como convite. Gosto de ironia, de verdades meio incômodas e de rir alto quando a vida resolve ser absurda. Não escrevo pra agradar todo mundo — escrevo pra ser honesto, e às vezes isso causa gargalhada, às vezes silêncio.


Tenho uma relação intensa com a memória. Música me atravessa, despedidas me marcam e encontros inesperados viram texto antes mesmo de virar lembrança. Gal, Elis, pessoas que ficaram, pessoas que partiram — tudo isso me habita. Sou feito dessas referências afetivas que insistem em não ir embora.


Não disfarço a idade, não romantizo o tempo e não faço questão de parecer algo que não sou. Barba, óculos, histórias acumuladas e algumas cicatrizes emocionais fazem parte do pacote. Prefiro coerência à perfeição. Prefiro ser real a ser ideal.


Aqui você vai encontrar confissões, exageros assumidos, reflexões que começam sérias e terminam rindo, textos que cutucam e depois oferecem colo. Às vezes ouso, às vezes recolho, mas nunca passo ileso pelo que sinto.


Se você gosta de palavras com alma, humor com intenção e textos que parecem conversa de fim de noite — fique. Agora, se prefere certezas absolutas e gente que nunca se contradiz… talvez seja melhor seguir adiante.


Prazer! Eu sou assim! E escrevo exatamente por isso!


J.K – 18.01.26




Quando a comédia romântica vira espelho (e eu não gostei do reflexo)

       Resolvi assistir à comédia romântica De férias com você, dessas bem levinhas, pra rir, desligar o cérebro e fingir que minha vida emocional é organizada. Ledo engano! No meio do filme, percebi algo assustador: eu e a personagem principal somos praticamente a mesma pessoa… só que eu na versão masculina, com mais boletos e menos trilha sonora fofa.


Lá estava ela, morrendo de medo de se apaixonar, apavorada com a ideia de perder a liberdade, fazendo malabarismo emocional pra não se envolver demais. E eu, do outro lado do sofá, pensando: “olha eu aí, gente”! A única diferença é que no filme tudo parece charmoso! Na vida real, isso se chama fuga emocional com requintes de autoengano.


O ponto alto do trauma veio quando percebi que o maior pavor não é nem o relacionamento em si. É dizer “eu te amo”! Três palavrinhas simples, mas que pra mim soam como um contrato vitalício, sem cláusula de rescisão e com multa emocional altíssima. Prefiro dizer “fica à vontade” ou “quer um café?” — muito mais seguro.


Claro que no filme eles enfrentam os medos, se declaram sob um pôr do sol perfeito e vivem felizes para sempre. Já eu? Sigo firme no meu papel de protagonista da saga Fugindo dos próprios sentimentos – edição estendida. Sem trilha romântica, mas com muita reflexão às três da manhã.


Pensando bem, faço isso há mais de meio século! Negando sentimentos com uma habilidade digna de Oscar. E o mais engraçado (ou trágico) é perceber que continuo lutando… contra mim mesmo! Pela liberdade1 Pela paz! Pelo direito sagrado de não responder mensagens emocionais.


No fim das contas, desliguei a Netflix, ri de mim mesmo e aceitei: talvez eu não seja contra o amor. Só sou a favor dele… bem devagar, sem pressão e, se possível, com legendas explicando o que estou sentindo. Afinal, cada um vive sua comédia romântica do jeito que consegue — a minha só demora um pouco mais pra chegar no final feliz 😅

 

J.K - 14.01.26




domingo, 15 de fevereiro de 2026

O que ficou em mim

    Eu já saí de uma história com a sensação de ter perdido quase tudo. Não foi só uma despedida — foi uma ruptura. Saí inteiro por fora, mas por dentro parecia que tinham passado um vendaval. Meus planos ficaram espalhados pelo chão, alguns sonhos rasgados, outros simplesmente abandonados na pressa de ir embora antes que eu me perdesse de vez.


Houve momentos em que me senti encurralado. Não por gritos, mas por expectativas, por promessas que fui aceitando sem perceber o preço. Eu, que sempre fui desconfiado, baixei a guarda. Acreditei! E quando a gente acredita demais, esquece que também pode se machucar. Doeu mais por ter sido escolha minha.


Caminhei muito depois disso! Fugi de lembranças, evitei lugares, apaguei rastros como se pudesse apagar sentimentos. Tentei convencer a mim mesmo de que era só mais uma experiência. Mas há marcas que não desaparecem com distância. O tempo ensina a conviver, não a esquecer.


Sim, houve momentos bons! Houve riso, entrega, verdade! Mas nem toda flor resiste a tempestades repetidas. Algumas relações não acabam por falta de amor, acabam por excesso de desgaste. E o coração até aprende a perdoar… mas não apaga o que atravessou.


Hoje eu sei que não sou o mesmo. Carrego cicatrizes que me lembram onde não devo mais permanecer. Não é frieza! É proteção! Não é amargura! É instinto!


Eu sigo! Ainda forte! Ainda sensível! Ainda capaz de amar! Mas agora consciente de que há batalhas que não se lutam duas vezes.

 

J.K – 14.02.26




Quando o corpo pede limpeza e o espírito pede reza

    Tem dias em que a alma pesa mais que o corpo. A gente acorda sentindo que carregou coisa demais, olhares tortos, palavras atravessadas, cansaços que não são só nossos. Nessas horas, não adianta pressa nem discurso bonito. O que resolve é ritual simples, daqueles aprendidos mais pela vida do que por livro. É como se o corpo pedisse um recomeço silencioso.

 

Eu acredito nessas pequenas proteções que não fazem barulho, mas fazem efeito. Um banho que não é só de água, um gesto repetido como quem espanta o que não serve mais. Sacudir o que ficou grudado, devolver pro chão o peso que não é meu. É um jeito de dizer pra mim mesmo: daqui pra frente, só o que soma atravessa a porta.

 

Quando a confusão aperta, eu volto às raízes. Busco o sagrado que mora na tradição, no toque de quem benze, na palavra que acalma, na fé passada de mão em mão. Tem sempre alguém que sabe rezar melhor do que explicar, alguém que cura mais com presença do que com promessa. E isso me basta.

 

Minha casa também participa disso tudo. Não como superstição, mas como cuidado. Um detalhe aqui, outro ali, um canto protegido, uma luz acesa pra lembrar que nem tudo é sombra. São sinais de que estou atento, de que me importo com o que deixo entrar e com o que faço ficar do lado de fora.

 

No fim, não é medo do azar nem fuga do mundo. É escolha. Escolha por seguir com o corpo mais leve, a mente em paz e o caminho desimpedido. Porque quando a gente se cuida por dentro, até o passo muda — e o resto, naturalmente, encontra seu lugar.

 

J.K – 31.01.26