sábado, 28 de fevereiro de 2026

Você, esse intervalo sem nome

      Você nunca chegou inteira, nem saiu por completo! Sempre foi essa presença entre um passo e outro, esse quase que permanece. Quando vinha, trazia o vento da desordem; quando ia, deixava o silêncio em desalinho. E eu, mesmo sabendo, aprendia a te esperar como quem aceita que algumas coisas não pedem lógica, apenas espaço.


Houve promessas que fiz só para mim, todas manhas antes do amanhecer. Eu dizia que não estaria mais ali, que teu retorno encontraria portas fechadas. Mas você sempre voltava pelo mesmo lugar onde eu deixava aberto por mais que eu negasse. Enquanto se perdia no mundo, eu ficava, fazendo do tempo um pretexto para não te esquecer.


Você nunca pediu cuidado, mas eu te dei abrigo! Nunca pediu perdão, mas eu ofereci descanso! Com gestos pequenos, desarmava minhas defesas, espalhava desordem doce nos meus sentidos. Tocava onde não havia palavra, bagunçava o que estava quieto, e partia como se nada tivesse acontecido, deixando tudo em mim aceso.


Há mulheres que ensinam a ficar! Você me ensinou a sentir! A ficar vulnerável, exposto, sem escudos. No teu jeito leve, quase criança, havia uma ilusão que não doía, apenas encantava. E talvez seja isso: você nunca foi permanência, mas foi marca. Não ficou, mas também nunca passou.

 

J.K – 24.01.26




Quem é você?

      Há alguém que atravessa meus pensamentos sem pedir licença. Não sei quando começou, nem como ganhou espaço, só sei que entrou. Ocupou meus sonhos, meus desejos mais guardados, como se já conhecesse cada canto de mim. Foi chegando devagar e, quando percebi, já estava dentro do meu peito, sem contrato, sem aviso, sem promessa.


Essa presença me desarma! Confunde minhas certezas, bagunça o que eu achava que estava no controle. Quando me envolve, me leva para lugares que eu nunca tinha visitado, nem em imaginação. O corpo responde, a cabeça se perde, e eu deixo! Adoro! Porque há toques que não pedem permissão, apenas acontecem!


O mais curioso é o efeito que isso causa em mim! Coisas antigas, defeitos que sempre carreguei, foram ficando mais leves, quase invisíveis. Não houve esforço, nem conversa, nem tentativa. Simplesmente deixaram de doer! Como se alguém tivesse mexido nos meus sentidos com cuidado e retirado o que já não precisava estar ali.


E talvez o mais desconcertante seja isso: fui amado sem ter pedido, envolvido sem ter planejado, tocado sem ter previsto. E, nesse caminho silencioso, acabei amando também mesmo antes de entender quem era essa pessoa. Talvez eu nunca saiba responder completamente. Talvez a pergunta continue sendo parte do encanto. Porque algumas presenças não se explica, apenas se sentem.

 

 

J.K – 24.01.26




Eu não sou quem você pensa que sou

      Eu não sou quem você pensa que sou! Aliás, às vezes nem eu sei exatamente quem sou e isso me diverte! Fujo dos padrões como quem foge de uma camisa apertada demais! Não nasci para caber em moldes prontos. Prefiro ser o sujeito estranho no canto da sala, observando tudo com um meio sorriso e um pensamento atravessado, do que mais um rosto diluído numa multidão de iguais. Se estou sozinho, quase sempre é por incompatibilidade de alma, não por falta de companhia.

 

Dizem que pareço ingênuo! Há quem jure que sou distraído, até inocente! Mas, mal sabem que penso demais, que enxergo o que não digo, que escuto até o silêncio das entrelinhas. Inteligência, para mim, é afrodisíaco! Conversa boa me ganha mais do que qualquer aparência. Então, me seduza com ideias, com argumentos, com profundidade. O resto é cenário! E cenário, você sabe, muda fácil!

 

Sou um livro aberto, mas com muitas páginas dobradas, rabiscadas, algumas arrancadas pelo tempo. Não quero te impressionar com currículo, sobrenome ou saldo bancário. Também não me impressiona o seu! O que me interessa é o que você faz quando ninguém está olhando. Sou estranho, sim! Estranhamente leal! Estranhamente intenso! Estranhamente disposto a ajudar todo mundo, mesmo quando estou cansado. Meu coração é maior do que minha prudência e isso, confesso, já me custou caro!

 

Minha vida vista de fora pode parecer comum! Trabalho como um cdf aplicado, organizado, responsável, quase previsível! Sou família até a medula: gosto de mesa cheia, conversa longa, abraço demorado. Cumpro horários, entrego resultados, pago boletos. Mas por dentro há um universo paralelo! Entre quatro paredes, as da alma, antes de qualquer outra coisa, eu penso alto, sinto forte, desejo sem pedir licença. Não sou de joguinhos. Se for para viver, que seja inteiro!

 

E sobre assombrações? Eu não temo casas antigas nem corredores escuros! Tenho medo é dos vivos! Dos que sorriem com cálculo, dos que prometem sem intenção, dos que machucam por esporte. Lugares guardam memórias! Pessoas guardam intenções! E é aí que mora o perigo ou o milagre. Somos nos que decidimos nosso destino!

 

Sou esse paradoxo ambulante: estranho e acolhedor, reservado e intenso, disciplinado e caótico por dentro. Não quero ser entendido por todos! Quero ser reconhecido por poucos! Porque no fundo, bem no fundo, eu não sou quem você pensa que sou! Sou mais!

 

J.K – 20.02.26




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Um trisal, um swing e um caos chamado eu

      Nunca imaginei que minha vida chegaria a um ponto em que eu seria convidado para um trisal. Sim, eu, sempre digo: “dois é bom, três é demais para mim” de repente me vi encarando algo que parecia mais roteiro de filme do que convite real.


Cheguei lá me sentindo como turista sem mapa em país estranho. Olhei para o ambiente e pensei: “Ok, todo mundo parece saber o que está fazendo, menos eu”! Me senti deslocado, quase como se tivesse entrado em um baile de máscaras sem máscara, só com minha cara de espanto e surpresa ao mesmo tempo.


No começo tentei fingir que sabia o que estava acontecendo. Sorria, balançava a cabeça, dizia “claro, claro…” como se tudo fizesse sentido. Mas, internamente, eu estava um mix de confusão, curiosidade e vontade de voltar para casa com uma taça de vinho e minha própria companhia.


Não vou mentir: foi uma experiência diferente e não sei se gostei ou não! Uma experiência que me ensinou algo fundamental: sexo, pelo menos para mim, é uma aventura que funciona melhor a dois. A intimidade que cabe em um casalzinho, naquele ritual de risadas, toque e olhar cúmplice, simplesmente não se traduz em trio, pelo menos para este sujeito aqui.


Ainda assim, saí dali com histórias para rir sozinho no banho, memórias de situações tão absurdas que até a imaginação precisaria de pausa para digerir. E confesso: apesar de não ter sido meu ponto ideal de prazer, a experiência foi válida! Porque, às vezes, precisamos nos perder para lembrar exatamente onde nos sentimos em casa. E, para mim, casa é a dois!


No fim, voltei para meu sofá, sozinho, feliz e leve. Com a certeza de que, se o mundo inventar quádruplos ou quintetos, “Meu Guri” vai passar batido, porque minha zona de conforto tem duas pessoas: eu e meu par. Não cabe mais ninguém, desculpem!

 

J.K – 19.01.26




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Tem dias em que a vida resolve andar de Havaianas tortas

      Tem dias em que a gente não acorda com o pé esquerdo. A gente acorda tropeçando nos dois pés ao mesmo tempo! E olha que nem vou me aprofundar muito no assunto “pé esquerdo” pra não gerar confusão, cancelamento ou uma crise diplomática com as Havaianas. O fato é que, hoje, minha vida simplesmente descarrilhou. Saiu dos trilhos, ignorou qualquer tentativa de freio e seguiu sem governo até boa parte da tarde, como um trem turístico conduzido por alguém que nunca viu um mapa.

 

E não fui só eu! O universo decidiu que seria um ótimo dia para as pessoas virem desabafar comigo. Clientes, colegas, conhecidos… uma espécie de plantão emocional improvisado. Alguns relatos eram tão densos que tudo o que coube foi ouvir. E ouvir de verdade! Porque há dores que não pedem resposta, só presença. A gente escuta, balança a cabeça, respira fundo e pensa: “ainda bem que hoje eu só preciso escutar”.

 

Já em outros momentos, confesso, arrisquei um ou dois conselhos. Mas sempre com aquele cuidado de quem sabe que mal consegue administrar a própria bagunça. Afinal, se eu não tenho manual nem controle remoto da minha vida, que ousadia seria querer orientar a dos outros? Um perigo público! Um conselheiro sem credenciais, com prazo de validade emocional vencido.

 

No fim das contas, percebo que quase ninguém quer soluções mirabolantes. O que a gente quer mesmo é atenção. Um abraço sincero, um sorriso que não seja automático, alguém que nos escute sem olhar o relógio ou o celular. Se consegui oferecer isso hoje, ótimo! Se não, ao menos tentei! E, convenhamos, em dias descarrilhados, tentar já é um baita feito.

 

J.K – 20.01.26




 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Quando a vida pede balanço

      Há um momento em que a gente sente que não dá mais para empurrar as coisas para depois. Não porque o fim esteja batendo à porta, mas porque a consciência pede um balanço honesto. É como se a vida puxasse uma cadeira, sentasse à nossa frente e dissesse: fala agora. Sem plateia, sem maquiagem, sem ensaio. Apenas verdade.

 

Olho para trás e vejo um caminho que não foi reto, nem fácil, mas foi meu. Fui por estradas que muitos evitariam, atravessei atalhos que não estavam no mapa e, às vezes, me perdi só para ter certeza de onde não queria ficar. Não fiz tudo certo, mas fiz do jeito que consegui, com o que eu era em cada fase.

 

Sim, houve excessos! Momentos em que abracei mais do que podia sustentar, promessas grandes demais para um coração cansado. Mas também houve coragem! Aquela coragem silenciosa de continuar mesmo quando a dúvida sentava no banco do carona e tentava assumir o volante. Engoli o medo, cuspi o orgulho e segui em frente.

 

Amei com intensidade, ri quando deu, chorei quando não tinha alternativa. Caí mais de uma vez, colecionei tropeços e algumas derrotas que doeram fundo. Ainda assim, quando penso em tudo isso, não sinto vergonha. Sinto espanto. Espanto por ter vivido tanto, por ter sentido tanto, por ter permanecido inteiro apesar das rachaduras.

 

No fim das contas, talvez isso seja tudo o que importa: poder dizer que a história contada foi verdadeira. Que as palavras ditas vieram do peito, não de um roteiro alheio. Que os golpes recebidos não me tiraram a dignidade de permanecer de pé.

 

Se existe um legado, é esse: não ajoelhei diante da vida! Encarei! E, com todas as imperfeições, fiz à minha maneira.

 

J.K – 20.01.26




terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O sagrado de voltar

     Morar sozinho me ensinou que a casa é mais do que abrigo. É templo. Quando retorno no fim do dia e fecho a porta, sinto que algo em mim também se recolhe. O mundo fica do lado de fora, e eu entro em mim mesmo, com respeito e calma.

 

O trabalho ocupa horas, exige entrega, consome forças. Faço o que me cabe, sigo o fluxo do dia, enfrento o que surge. Mas carrego a certeza silenciosa de que cada jornada cumprida é uma bênção disfarçada de esforço. Nem todo dia é leve, mas todo dia é concedido.

 

Ao chegar, o primeiro gesto é a gratidão. Pelo dia que passou, pelo sustento que não faltou, pela saúde que permitiu ir e voltar. Agradeço também pelas pessoas que não dividem o teto comigo, mas habitam meu coração: a família, guardada na memória e no afeto; os amigos, espalhados pela vida, mas presentes nas minhas orações silenciosas.

 

No silêncio da casa, encontro um tipo raro de presença. Não me sinto só. Sinto-me acompanhado por algo maior, que não precisa de nome. Há paz em reconhecer que estar comigo é também estar amparado. O tempo desacelera, a alma respira, e tudo encontra seu lugar.

 

Assim, dia após dia, sigo. Voltar para casa se transforma em rito, o descanso em agradecimento, e a rotina em testemunho. Amanhã o sol nascerá outra vez, e eu estarei pronto, não por força própria, mas pela graça de simplesmente continuar.

 

J.K – 20.01.26