sábado, 18 de abril de 2026

Devaneios de um eu silencioso


     Sinto que posso me perder sozinho, que posso me despedaçar em silêncio, se algum dia quiser. Mas hoje não quero! Hoje há caminhos suaves me chamando, ventos que me conduzem sem pressa, sussurros de possibilidades que me fazem respirar mais leve. Amanhã? O amanhã é apenas uma sombra que ainda não toca meu corpo.

 

 Não posso ferir ninguém além de mim, e nisso encontro uma estranha paz. É libertador perceber que minha diferença me protege, que não preciso esmagar outros para sentir meu mundo existir. Sou um perigo contido, uma chama que queima só dentro de mim, e isso me deixa seguro, curioso e, de certo modo, inteiro.

 

 Não quero uma vida que caiba em moldes. Quero ser um nome secreto nos dias dos outros, um sussurro de presença que atravessa sem deixar pegadas claras. Quero sentir o gosto do dia, a textura do momento, a promessa de que ainda existe um amanhã que posso tocar, sem me perder no medo ou na solidão.

 

 Me pergunto quais serão minhas ferramentas para atravessar o tempo daqui para frente. Que escolhas sustentam a liberdade? Que gestos protegem a alma? Talvez a resposta seja apenas aprender a fluir, a aceitar que cada passo é devaneio, cada respiração é experiência, cada instante é uma ponte entre o que somos e o que podemos ser.

 

 Estou cansado de apenas existir, de apenas ser. Mas não há pressa, não há obrigação. Há só o instante e sua poesia, e eu me permito vagar, sonhar, errar e me reinventar. São devaneios, meus devaneios, mas são eles que me lembram que a vida pulsa mesmo na mais solitária das almas.

 

J.K – 21.02.26




 

Mensagens no WhatsApp

 

 Confesso: eu gostava mais das pessoas quando a mensagem demorava um pouquinho pra chegar. Dava tempo de sentir saudade, de organizar a resposta, de, sei lá, viver! Hoje, o celular vibra e parece que vem junto um contrato invisível: “responda agora ou será julgado”! É quase um Big Brother, só que sem prêmio e com muita cobrança.

 

 O auge pra mim são os pedidos! A pessoa manda mensagem às 23h47, como quem diz “rapidinho”, e às 23h49 já solta um “???”. Minha vontade é responder com outro “???” e perguntar se por acaso virei delivery emocional ou SAC 24 horas? E não é só a pressa é a certeza de que você está ali, disponível, esperando aquela mensagem como o grande evento do seu dia. Spoiler dois: não estou!

 

 E tem a categoria especial: os que te tratam como agenda ambulante. Mandam um “me lembra disso amanhã cedo” como se eu fosse um alarme com CPF! Gente, existe bloco de notas, existe despertador, existe até papel e caneta! Eu mal lembro onde deixei a chave de casa, imagina gerenciar a vida dos outros antes do café.

 

 O mais curioso é que essa urgência toda não vem acompanhada de reciprocidade! Querem resposta rápida, ajuda imediata, atenção total. Mas na hora de devolver, somem! A gentileza virou um serviço unilateral, tipo streaming: você assina, paga caro e ainda assim trava!

 

 No fim, fica a reflexão, com carinho e um leve desabafo: ninguém é funcionário de ninguém só porque tem WhatsApp. Respeitar o tempo do outro também é educação. E, olha, responder depois não é desinteresse! Às vezes é só alguém tentando viver offline um pouquinho.

 

J.K - 17.04.26




sexta-feira, 17 de abril de 2026

Quando a alma pede silêncio

 

 Hoje aconteceu algo que me surpreendeu profundamente! Não foi algo barulhento, nem grandioso aos olhos de quem passa. Foi silencioso, quase sussurrado, mas mexeu comigo de um jeito que senti vontade de dividir aqui com vocês e também ouvir o que pensam sobre isso.

 

 Eu estava tranquilo na sala onde trabalho, vivendo mais um dia comum, quando um cliente entrou. Conversamos normalmente, como tantas outras vezes faço com quem passa pelo Comercial. Mas, depois de uns dez minutos de conversa, ele interrompeu e perguntou se eu não estava sentindo um cheiro estranho no ambiente. Eu disse que não! Então ele olhou ao redor e falou com uma serenidade curiosa que o ambiente estava carregado. Perguntou se eu me importaria se ele fizesse uma oração para limpar a sala.

 

 Naquele momento, algo dentro de mim disse para aceitar e aceitei! Mais do que isso, confessei a ele que também estava me sentindo pesado naquele dia. O coração meio apertado, a energia baixa, como se o dia tivesse sido mais difícil do que eu conseguia explicar. Então pedi, meio em tom de brincadeira, meio em tom de esperança, se ele poderia fazer também uma limpeza espiritual em mim.

 

 Ele sorriu com muita simplicidade e disse que sim! Falou que, de certa forma, eu sou como uma esponja, alguém que absorve muito as energias ao redor. As boas e as ruins! Disse que pessoas assim, muitas vezes, precisam cuidar do espírito com mais atenção, fazer pequenas limpezas espirituais de vez em quando, para não carregar o peso do mundo nos ombros.

 

 Então ele começou a orar, uma oração tranquila e simples, quase como uma conversa com o céu. Mas, quando ele terminou, algo inesperado aconteceu comigo: meus olhos encheram de lágrimas e eu chorei sem entender exatamente o porquê. Não era de tristeza, era como se algo pesado tivesse sido retirado de dentro de mim!

 

 E, de verdade, me senti leve e estranhamente feliz! Como se aquele dia pesado tivesse ido embora junto com aquelas palavras sussurradas. Ele me abraçou, com um sorriso enorme no rosto, e se despediu! Antes de sair, apenas me disse que, se eu quisesse, poderia acender uma vela de sete dias naquele ambiente, mas não acendi! Apenas queimei um incenso! Acho perigoso acender velas em ambiente de trabalho ou em casa.

 

 Fiquei ali, alguns minutos em silêncio, tentando entender o que tinha acontecido. Senti verdade nas palavras dele e n Nas orações também! E confesso para vocês que, depois daquele momento, me senti muito melhor, mais tranquilo, leve, em paz e protegido!

 

 Agora eu quero saber de vocês! Vocês acreditam que existem pessoas que conseguem sentir e limpar energias assim? Vocês já passaram por algo parecido? Por favor, deixem aqui a opinião de vocês. Quero muito ouvir o que cada um pensa sobre isso. 

 

J.K – 05.02.26




quinta-feira, 16 de abril de 2026

Bloqueado, injustiçado e rindo de nervoso!

 

 Eu juro que tentei começar o ano mais leve, mais zen, quase um monge digital. Mas não deu tempo! O ano mal abriu as portas e eu já fui bloqueado no Facebook! Sim, bloqueado! E não foi por algo recente, não! Fui condenado por uma publicação de seis anos atrás! Se isso não é desenterrar defunto virtual, eu não sei mais o que é!


 E o melhor, ou pior, depende do humor: a justificativa veio cheia daquele ar tecnológico, como se fosse uma decisão extremamente inteligente. Só que não! A tal da inteligência artificial respondeu igual disco riscado. Eu escrevia, tentava argumentar, quase mandava um “vamos conversar como adultos”, e recebia sempre a mesma resposta pronta. Se isso é inteligência artificial, eu sou um liquidificador com Wi-Fi.


 Agora me explica uma coisa, com toda sinceridade do mundo: não seria mais simples apagar a tal publicação e avisar o motivo? Pronto, resolvido, vida que segue! Mas não! Preferiram me transformar no exemplo, no cidadão que paga pelos pecados digitais da humanidade. Enquanto isso, o resto do caos segue firme, forte e rolando solto por aí, como se nada tivesse acontecido.


 Confesso que, na hora, a indignação veio forte. Dei aquela respirada funda, pensei em recorrer, escrever um manifesto, chamar um advogado das redes sociais. Mas aí caiu a ficha. Não adianta! No tribunal invisível da internet, a sentença já vem pronta. E você, meu amigo, só aceita e cumpre!


 No fim das contas, depois de toda essa revolta interna, sabe o que me restou? Rir! Rir de nervoso, claro! Porque ou a gente ri, ou a gente surta de vez. E cá estou eu, cumprindo minha “pena”, escrevendo esse textão como forma oficial de desabafo. Pelo menos isso ainda não bloquearam.


J.K – 15.04.26




segunda-feira, 13 de abril de 2026

Pedaços de você!

 

 Às vezes me pego tentando enxergar no mundo, buscando onde você realmente está, tentando descobrir o que te faz feliz. E me pergunto como poderia me tornar alguém que te faça sorrir de verdade, alguém que consiga alcançar o que você deseja sem perder quem eu sou.

 

 Eu tento entender quais detalhes do mundo poderiam te prender, quais gestos, quais cores fariam você se sentir segura e inteira. Ontem tive um pesadelo que me deixou inquieto e com o coração apertado, e não resisti: precisei ouvir sua voz, precisava sentir que ainda existia algum elo entre nós.

 

 Será que, mesmo à distância, você ainda lembra de mim? Será que em algum instante do seu dia minha imagem atravessa seus pensamentos? Essas perguntas insistem em me perseguir, e às vezes me deixam perdido entre a raiva momentânea e o carinho infinito que sinto por você.

 

 E mesmo quando a irritação passa, o amor que sinto se intensifica. Cada detalhe seu me invade: seu cheiro, seu toque, seu jeito único. Tudo em você me tira da paz e me prende num devaneio constante, onde a certeza de que ainda penso em você é a única coisa que me acalma e me atormenta ao mesmo tempo.

 

J.K – 21.02.26




domingo, 12 de abril de 2026

Domingo de fé

 

 Domingo, para mim, sempre foi esse refúgio silencioso que a gente nem sabia que precisava, mas precisa! É o dia em que o mundo desacelera por fora e, curiosamente, começa a falar mais alto por dentro. Fico entre a cama e o sofá, de abrigo, meias e chinelo, vivendo aquela mistura de preguiça com paz que só o domingo sabe entregar.


 Mas, dessa vez, teve algo diferente! Tive a companhia mais valiosa que existe: minha mãe, minha HH. Entre um café passado na hora e um risoto de camarão feito com carinho, a gente dividiu mais do que uma refeição! Dividimos tempo, presença, essas pequenas coisas que, quando a gente percebe, são as maiores de todas!


 Assistimos a dois filmes! Um fez a gente sorrir, o outro fez a gente chorar de verdade! Daqueles choros que não são só pelo que está na tela, mas por tudo que a gente carrega por dentro! E foi no meio desse “dilúvio” na sala que veio a lembrança mais simples e, ao mesmo tempo, mais poderosa: a fé!


 A fé não como algo distante ou complicado, mas como esse fio invisível que nos sustenta quando a gente nem percebe! Foi tão forte aquele momento que acendemos um incenso, uma velinha, e ali, juntos, rezamos uma Ave Maria! Sem pressa, sem formalidade. Apenas presença, gratidão e um pedido silencioso para que a vida continue sendo gentil conosco!


 Olhei para minha mãe e senti aquele aperto bonito no peito! O tempo passa, e ele não pede licença! Ela está mais velhinha, é verdade, mas continua sendo esse lugar onde meu coração descansa! E naquele instante, tudo que eu consegui fazer foi agradecer a Deus pela vida e esse privilégio de ainda poder estar ali, ao lado dela!


 Talvez a gente complique demais o que é simples! A fé não precisa ser grandiosa! Às vezes, ela está num café compartilhado, numa lágrima dividida, numa oração sussurrada no meio da sala. Está nesses momentos que parecem pequenos, mas que, no fundo, sustentam tudo! E, no fim das contas, é isso que fica: a certeza de que, enquanto houver amor, presença e um pouco de fé, a vida sempre encontra um jeito de fazer sentido.

 

J.K – 12.04.26

 

 

***O filme, em questão, é Inexplicável (2025), disponível na Netflix!




Amor que late, mia e cura

 

 Eu sempre achei que sabia o que era amor até um par de olhos brilhantes me esperando na porta como se eu fosse a melhor pessoa do mundo, mesmo nos dias em que eu claramente não era! Amor de quatro patas não faz discurso, não cobra coerência, não exige currículo emocional! Ele simplesmente deita aos nossos pés e fica de verdade!

 

 Ter um animal em casa é aprender sobre presença! Eles não estão conosco pelo que temos, mas pelo que somos! Não perguntam quanto ganhamos, não se importam com nossas falhas, não fazem levantamento de erros passados. Se a gente chega cansado, eles vibram! Se a gente chega triste, eles encostam! Se a gente chora, eles silenciam ao lado, como quem diz: “Eu não entendo tudo, mas estou aqui!”

 

 Cuidar de um bichinho é um exercício diário de responsabilidade e ternura. É acordar mais cedo para passear, é dividir espaço no sofá, é aceitar pelos na roupa como medalhas de afeto. É dar banho, vacina, atenção e, em troca, receber aquela alegria desproporcional por coisas mínimas, como jogar a mesma bolinha pela centésima vez! Amor não é intensidade passageira, é repetição feliz.

 

 Claro, eles aprontam! Roem o chinelo preferido, fazem xixi no lugar errado, mastigam o controle remoto como se fosse gourmet. Mas, no fundo, é só vida querendo brincar! Às vezes penso que somos nós que complicamos demais! Eles erram, a gente corrige! Eles aprendem, a gente ri! E tudo volta ao normal com um abanar de rabo ou um ronronar estratégico.

 

 O que mais me comove é a lealdade! Um animal não abandona, ele espera, ele acredita! Ele ama sem manual, sem condição, sem cláusula escondida. E talvez seja essa a maior lição: amar é permanecer! É aceitar imperfeições! É escolher ficar.

 

 Eu já tive dias difíceis salvos por um focinho encostado na minha mão. Já recebi consolo de quem não fala, mas entende! E toda vez que olho para aquele ser pequeno, que depende de mim, percebo que, na verdade, sou eu quem depende dele para lembrar o que importa. Porque amar um animal é isso: é descobrir que a forma mais pura de amor não fala nossa língua, mas fala direto com o coração.

 

J.K – 20.02.26