segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Saudades dos anos 80!

 



 

 

 Passei parte da minha infância nos anos 80 e posso dizer, sem medo de errar, que aquela década deixou uma quantidade absurda de ícones na música, no cinema, na televisão e na cultura pop. Voltar para os anos 80 seria muito mais do que matar a saudade. Seria reencontrar pessoas que fizeram parte da nossa história, caminhar por ruas que ainda guardam lembranças, ouvir uma música no rádio e ser transportado imediatamente para outro tempo.

 

 Naquela época, a vida parecia ter mais horas e menos pressa. A gente brincava na rua até o anoitecer, chamava o amigo no grito pelo portão ou tocava o interfone. Não existia WhatsApp, celular, computador em casa ou essa necessidade maluca de estar conectado o tempo inteiro.

 

 Minha maior preocupação, confesso, era ir para a escola e tomar meu Toddynho enquanto ele ainda estivesse gelado. E olha que isso já era assunto sério! A felicidade estava nas pequenas coisas: no cheiro de bolo caseiro nas festas de aniversário, na bicicleta encostada no muro, na fita cassete gravada do rádio e no sábado em que a gente ia à locadora escolher um filme em VHS. A vida era analógica, mas as lembranças ficaram em alta definição.

 

E que década, hein? A televisão e o cinema nos entregavam Os Goonies, La Bamba, Sexta-feira 13, Flashdance, Guerra nas Estrelas, Karatê Kid, A Lagoa Azul e Dirty Dancing. Na televisão, tinha Casal 20, O Incrível Hulk, Miami Vice, As Panteras, Magnum e tantos outros. No rádio, era Ritchie, Roupa Nova, RPM, Legião Urbana, Lulu Santos, Sempre Livre, Inimigos do Rei, Ira!, Engenheiros do Hawaii, Capital Inicial, Kid Abelha, Joelho de Porco, AC/DC, Cyndi Lauper, The Police, Madonna, Bon Jovi, Guns N' Roses... e a gente ainda precisava esperar a música tocar para gravá-la na fita cassete, torcendo para o locutor não falar justamente no começo. E tinha a Buzina do Chacrinha nas tardes de sábado, com as chacretes, cada uma com sua beleza, seu corpo e seu jeito.

 

 Hoje, olhando para trás, acho curioso como havia espaço para tantos tipos de beleza. Não existia essa obrigação de todo mundo parecer ter saído do mesmo filtro. E a moda? Bom, aí já é outra história! Roupas enormes, cores cítricas, estampas geométricas, cabelos extravagantes e aquelas ombreiras gigantescas que, sinceramente, eram horríveis! Hoje olho para as fotos e penso: Meu Deus, o que eu estava fazendo? Mas era moda! E a gente era feliz assim mesmo. E como!

 

 Também foi uma década de mudanças! Em 1984, o movimento Diretas Já levou milhões de brasileiros às ruas em busca de democracia, num país que ainda tentava deixar para trás os anos de ditadura. A tecnologia começava a chegar, os videogames de cartucho encantavam a gurizada e tudo parecia novidade. Só que, apesar de todas essas transformações, ainda vivíamos naquele finalzinho de uma época em que a criatividade precisava existir porque não havia um aplicativo para resolver tudo.

 

 Se queríamos conversar, conversávamos. Se queríamos brincar, inventávamos a brincadeira. Se queríamos ouvir música, esperávamos o rádio tocar. Se queríamos assistir a um filme, íamos à locadora. E talvez seja justamente por isso que eu tenha tanta saudade. Não porque tudo fosse melhor, porque não era. Havia problemas, dificuldades, injustiças e muita coisa que precisava mudar. Mas existia uma espécie de intervalo entre uma coisa e outra.

 

 Hoje vivemos no “produza, produza imediatamente!”, cercados de telas, notificações, cobranças e uma pressa que parece ter tomado conta até dos nossos momentos de descanso. Trabalhamos, corremos, consumimos, respondemos mensagens e, quando finalmente temos tempo, muitas vezes não sabemos mais o que fazer com ele.

 

 Talvez seja por isso que eu goste tanto de lembrar dos anos 80. Não quero voltar no tempo. Sei que isso é impossível e, sinceramente, também não gostaria de abrir mão de tudo o que conquistamos. Mas às vezes eu queria apenas recuperar um pouquinho daquela sensação de que a vida não precisava acontecer imediatamente.

 

 Queria novamente ter uma tarde inteira pela frente, sem agenda, sem notificação, sem ninguém perguntando onde eu estava. Queria uma fita cassete, uma bicicleta, uma rua cheia de crianças, um bolo feito em casa e um filme escolhido depois de meia hora diante de uma prateleira de VHS. Talvez a minha memória esteja romantizando tudo, e provavelmente está. Memória tem dessas coisas: ela tira as rugas do passado e coloca um filtro bonito sobre aquilo que vivemos. Mas eu gosto desse filtro!

 

 Afinal, passei parte da infância naquela década e algumas das melhores lembranças que carrego nasceram ali. Os anos 90 ficam para outra crônica. Por enquanto, deixa eu ficar mais um pouco nos anos 80. Afinal, saudade também é uma maneira bonita de visitar lugares onde a gente foi feliz!

 

JK. 07.09.26


Do meu coração, tu nunca sairás!

 

 Hoje, tudo o que eu queria era saber de ti, te reencontrar pra sentar e conversar. Os dias tem passado rápido demais e esta complicado da gente se ver! Tenho tantas novidades para te contar e sei que tu adorarias saber!

 

 A felicidade toma conta do meu coração só de imaginar em te ver! Meus lábios se abrem e sorriem só de pensar em te ver. Até hoje não perdoo quem te levou para longe de mim e jamais vou perdoar! E, agora, fico feliz em saber que ele também foi embora! Que vá com Deus!

 

 Meu sonho e ter você, outra vez, do meu lado. Antes de tudo, tu era, e ainda é, minha melhor amiga apesar de não estarmos mais juntos presencialmente, mas do meu coração, tu nunca sairás! Tenho certeza! Só sei que sonho que amanhã, estaremos juntos outra vez, lado a lado!

 

J.K. – 26.08.26




Quando a saudade senta no sofá!

 

 Hoje a saudade parece que escolheu a minha casa para morar! Ela entrou sem bater, sentou no sofá ao meu lado e, quando percebi, já estávamos conversando como velhos conhecidos. Falamos de pessoas, de lugares, de momentos que ficaram para trás e de tudo aquilo que a vida levou sem pedir licença. Eu até tentei mudar de assunto, mas ela sempre encontra um jeito de voltar e permanecer!

 

 Sim, a tristeza já aprendeu o caminho e se sentiu, se sente em casa! Confesso que, ultimamente, ela tem sido uma companhia bastante presente! Não é que eu queira viver triste, muito menos transformar a saudade em endereço definitivo. Mas, infelizmente, existem lembranças que não desaparecem só porque o tempo passou, elas continuam ali, quietinhas, esperando a noite chegar para aparecer nos meus sonhos e apertar um pouquinho mais o meu coração.

 

 Talvez a vida seja mesmo essa eterna saudade de alguma coisa que tivemos, de alguém que amamos ou até de quem éramos um dia! E talvez crescer seja aprender a conviver com essas ausências sem deixar que elas ocupem todos os espaços. Enquanto isso, quando a noite chega, puxo uma manta, sento no sofá e deixo a saudade conversar comigo. Afinal, depois de tanto tempo, já somos quase íntimos!

 

J.K. – 26.08.26




domingo, 6 de setembro de 2026

O amor que deixei na Espanha!

  

 Eu sempre fui apaixonado pela Espanha! Por Madrid, Barcelona, suas praças, seus monumentos, seus cafés, sua música, sua cultura e, principalmente, pelo jeito daquele povo de viver a vida. Talvez por isso, quando finalmente coloquei os pés naquele país, tive a sensação estranha de que já conhecia tudo aquilo! Era como se estivesse voltando para um lugar onde nunca tinha estado.

 

 Madrid me encantou logo de cara! Caminhei sem pressa, entrei em cafés, sentei em praças, observei as pessoas e me deixei levar pela cidade. Foi ali, em um desses dias, que conheci uma espanhola que mudou a minha viagem. Não estava procurando ninguém! Aliás, nunca estamos quando as melhores histórias começam.

 

 Conversamos por horas. Primeiro sobre a cidade, depois sobre música, cinema, viagens, família e sobre a vida. Quando percebi, já queria estar perto dela no dia seguinte, e no outro e, no outro também! A viagem ganhou outro sentido. Madrid deixou de ser apenas Madrid e virou o lugar onde eu conheci alguém que fez meu coração bater diferente.

 

 Depois fomos para Barcelona! E foi ainda mais bonito! Caminhamos pelas Ramblas, vimos o mar, conhecemos lugares que eu jamais esqueceria e conversamos sobre tudo e sobre nada! E, é claro, rimos muito e brigamos por bobagens. Mas, fizemos as pazes! Tiramos fotos, tomamos vinho e vivemos aqueles dias como se soubéssemos que eles tinham prazo de validade, mas fingimos que não!

 

Só que toda viagem termina! E chegou o dia de voltar para casa sem grande despedida de cinema ou promessa de amor eterno e nem juras de que um dia tudo seria igual. Trocamos apenas um abraço demorado, um beijo e aquela sensação incômoda de que eu estava deixando na Espanha uma parte de mim!

 

 Voltei com as malas cheias de lembranças, fotos e presentes! Mas deixei lá uma coisa que não cabia em nenhuma bagagem: um grande amor!

 

 Talvez eu volte à Espanha um dia, ou talvez não! Madrid e Barcelona continuarão lindas, o povo continuará alegre, as ruas continuarão cheias e a vida seguirá normalmente. Mas, para mim, a Espanha nunca mais será apenas um país que eu amo. Será o lugar onde vivi uma das histórias mais bonitas da minha vida e onde deixei alguém que, mesmo longe, ainda mora em alguma esquina da minha memória.

 

J.K. – 22.08.26




Seja feliz, mas longe de mim!

 

 Sim, eu cansei! Literalmente, estou exausto! Percebo que não tivemos uma relação normal, mas doentia. Fui cobrado por tudo o que fiz e até pelo que não fiz e que nem imaginei fazer.

 

 Eu, ao contrário de ti, nunca te cobrei nada! Te aceitei exatamente como tu és! E, sabendo da tua realidade, não tinha esse direito! Então, volto a frisar: as cobranças partiram somente de ti!

 

 E, se nos desentendemos dezenas de vezes, ouso dizer que sou inocente na maioria delas, por mais que tu não assumas isso! Eu estou de consciência tranquila, apenas me arrependo das vezes em que perdi a razão. No mais, por favor, siga teu rumo e deixe eu seguir o meu! Seja feliz e, de preferência, longe de mim!

 

J.K. – 17.08.26




O que estamos fazendo com a liberdade que recebemos?

 

 Amanhã, segunda-feira, vamos comemorar o 7 de Setembro! Para muita gente, será apenas mais um feriado, uma oportunidade para dormir até mais tarde, viajar, fazer um churrasco ou simplesmente aproveitar o dia de folga. E confesso que isso me incomoda um pouco! Não porque eu seja contra descansar, muito pelo contrário, mas porque às vezes tenho a impressão de que estamos perdendo a capacidade de lembrar por que determinadas datas existem. O 7 de Setembro não nasceu para nos dar um dia de descanso. Nasceu de uma história, de escolhas, de conflitos e de um momento que mudou os rumos do nosso país.

 

 Eu não sou daqueles que acredita que precisamos decorar datas, nomes e acontecimentos históricos para provar que somos brasileiros. Mas acredito, cada vez mais, que precisamos saber de onde viemos para entender um pouco melhor quem somos. A Independência do Brasil, proclamada por Dom Pedro às margens do Ipiranga, em 1822, representa a ruptura política com Portugal e o começo de uma nova etapa para o país. E talvez seja justamente isso que esteja faltando nos dias de hoje: compreender que a História não é uma coisa morta, guardada nos livros. Ela continua presente nas nossas escolhas, nos nossos erros, nas nossas conquistas e até nos problemas que ainda não conseguimos resolver.

 

 Por isso, na segunda-feira, quando eu vir as bandeiras do Brasil espalhadas por aí, vou tentar lembrar que existe muito mais por trás delas do que um simples feriado! Independência também deveria significar consciência, responsabilidade e vontade de construir um país melhor. Porque de nada adianta saber cantar o Hino Nacional, vestir verde e amarelo ou publicar uma bandeira nas redes sociais se não fazemos a menor ideia do que estamos comemorando. Talvez o melhor jeito de celebrar o 7 de Setembro seja justamente parar alguns minutos e perguntar a nós mesmos: o que significa, de verdade, ser independente? E, principalmente, o que estamos fazendo com a liberdade que recebemos?

 

J.K. – 06.09.26








 

sábado, 5 de setembro de 2026

Um sábado para limpar a casa e a alma!

  

  Sábado, cinco de setembro, e uma leve neblina deixa Caxias do Sul cinza. O sol não aparece para aquecer este dia gelado. Aproveito para dar uma geral no apartamento, fazer aquela limpeza caprichada, com direito a anil, sal grosso e folhas de ervas. De vez em quando, também precisamos limpar as energias da casa! E, hoje foi esse dia! Para ajudar, incensos e velas aromáticas espalhadas pelos cômodos do apartamento. Enquanto limpo, também vou colocando algumas coisas no lugar dentro de mim. Acho que, às vezes, a casa só precisa de uma boa faxina porque a gente também precisa respirar melhor.

 

 Na playlist, Nat King Cole tocando sem parar. Lembro do meu pai, que era apaixonado por suas canções. Inclusive, sou obrigado a concordar com ele: são belíssimas, sem contar que sua voz é única, ímpar! É curioso como algumas músicas têm esse poder de nos transportar no tempo! Basta uma canção começar e, de repente, a gente está novamente em algum lugar do passado, lembrando de alguém que já não está aqui, mas que continua morando dentro da gente.

 

 Antes das dez, deixo o apartamento impecável! Agora é hora de passar aquele cafezinho amargo que adoro e, depois, me energizar com um bom banho de ervas. Em seguida, descansar até terça-feira, quando será hora de recomeçar a semana com todo o gás. Também preciso me recuperar desse terçol e da conjuntivite. No fim das contas, talvez seja disso que eu esteja precisando: colocar a casa em ordem, perfumar os ambientes, ouvir uma música bonita, tomar um café e simplesmente ficar quieto por algumas horas. Nem sempre a gente precisa de grandes acontecimentos. Às vezes, uma limpeza na casa e um pouco de silêncio já ajudam a colocar a vida novamente no lugar.

 

J.K. – 05.09.26