Eu sempre fui mais guitarra alta, estrada aberta e refrão gritado
com o vidro do carro abaixado. Intensidade, improviso e aquele espírito meio
rebelde que acha que tudo se resolve com três acordes e coragem. Ela, não! Ela
era pôr do sol na varanda, moda boa tocando baixinho, história de amor contada
em detalhes. Eu tão rock in roll! Ela tão sertaneja!
No começo foi bonito e a diferença parecia charme! Eu achava graça
no jeito dela cantar sofrência com convicção e ela ria da minha necessidade de
transformar qualquer segunda-feira em show ao vivo! A gente se admirava, era
quase um festival: dois palcos diferentes dividindo o mesmo terreno.
Só que amar não é só gostar da música do outro! É conseguir dançar
no mesmo ritmo! E aí começaram os desencontros! Eu queria acelerar, ela queria
marcar o compasso! Eu resolvia no impulso, ela queria refrão repetido e
declaração com eco! Não era briga, era desencontro de frequência, sintonia em estações de rádio diferente.
O mais curioso é que o sentimento era verdadeiro! Tinha carinho,
tinha cuidado, tinha vontade de dar certo, mas tinha também aquela sensação
constante de que um estava sempre ajustando o volume para caber no mundo do
outro. E amor não é pra ser fone de ouvido com chiado. O nosso era!
Hoje a gente se olha com respeito, virou amizade boa, daquelas que
sabem onde apertava mas escolhem não apertar mais! Porque às vezes duas vozes
são lindas, só não formam um dueto.
E tudo bem! Nem todo amor nasce pra ser banda, ser conjunto! Alguns nascem pra
ser trilha sonora de uma fase bonita da vida. E o nosso foi! 🎸🌅
J.K – 16.02.26






