Acabei de escutar Ópera
Grunkie, novo trabalho de Marina Lima, no Spotify. Fui com vontade,
curiosidade e, claro, carregando na memória aquela Marina que tantas vezes fez
parte da trilha sonora da minha vida. Talvez esse tenha sido meu primeiro erro:
esperar encontrar alguma coisa daquela mulher de Fullgás, Todas,
Virgem e de tantos discos que ouvi e ainda gosto de ouvir. Não
encontrei!
Ópera Grunkie é diferente, experimental e tem uma proposta
interessante, confesso! Marina mistura música, poesia, vozes, lembranças, luto
e liberdade numa espécie de ópera pop dividida em atos. É um disco muito
pessoal, principalmente quando toca na perda do irmão e parceiro Antônio
Cicero. Entendi a proposta, respeitei a coragem de continuar experimentando
depois de tantos anos de carreira, mas ela não me pegou. Faltou alguma coisa!
Faltou aquela música que termina e me dá vontade de voltar imediatamente para
ouvir outra vez.
Sem contar que é
preciso falar da voz! Marina nunca foi uma cantora de grandes malabarismos
vocais, e talvez justamente aí estivesse parte do seu charme. Mas hoje sua voz
está cada vez mais frágil, limitada, quase falada em alguns momentos. Sei que o
tempo passa para todo mundo e não quero comparar uma Marina de 71 anos com a
Marina dos anos 80. Seria injusto! Só que, ouvindo o disco, senti falta daquela
interpretação que entrava na música e fazia a gente entrar junto.
Não gostei muito
de Ópera Grunkie. Pronto, falei! Mas uma coisa não anula a outra.
Marina Lima continua tendo meu respeito, minha admiração e um lugar importante
na música brasileira e na minha memória afetiva. Prefiro Fullgás? Mil
vezes! Prefiro seus trabalhos antigos? Sem dúvida! Mas gosto também de ver uma
artista com tantos anos de estrada ainda inquieta, fazendo o que tem vontade e
sem tentar imitar a si mesma. Ópera Grunkie pode não ter me
conquistado, mas merece ser escutado. Afinal, Marina continua sendo Marina!
J.K. – 03.10.26






