domingo, 1 de março de 2026

Se eu fosse uma planta, já aviso: não me regue demais

      Outro dia uma amiga me pegou desprevenido com aquela pergunta que parece simples, mas entrega mais da gente do que terapia: “Se tu fosse uma planta, qual seria?” Nem pensei! Respondi rápido, convicto, quase com orgulho: um cacto! Sim, um cacto! E não, não é falta de autoestima, é experiência de vida mesmo.


Cacto é prático! Não exige atenção constante, não faz drama se você some por uns dias e não fica de mal porque esqueceu de regar. Uns pingos d’água, um solzinho honesto e pronto: ele segue ali, vivo, digno e fazendo o possível com o que tem. Me senti representado.


E antes que alguém diga “ah, mas cacto é seco”, deixa eu explicar: seco é quem desiste! O cacto só aprendeu a economizar energia, emoções e paciência. Ele sabe que não dá pra desperdiçar tudo com qualquer clima ruim que aparece. Sabedoria pura!


Agora, vamos falar dos espinhos! Porque ninguém vira cacto à toa! Espinho não é agressividade, é autoproteção! É o famoso “sou gente boa, mas não me testa”! Serve pra manter distância de quem chega sem pedir licença e acha que pode pegar no vaso sem consequências.


O mais bonito é que, mesmo no meio do deserto emocional, o cacto ainda floresce. Às vezes do nada, quando ninguém espera! Uma flor absurda de linda, só pra provar que por dentro ainda tem sensibilidade, só não é pra qualquer um.


Então é isso! Se eu fosse uma planta, seria um cacto: resistente, adaptável, econômico nos afetos, cheio de espinhos estratégicos e com uma flor escondida que aparece só quando o ambiente merece. Regue com cuidado! Ou melhor: não regue demais. 😌🌵

 

J.K - 24.01.26




Quando esperar vira cuidado consigo

      Eu te esperei um dia, depois uma semana, um mês, anos inteiros. Esperei como quem acredita que o tempo também conversa, que ele entende recados silenciosos. Te escrevi todos os dias, depois toda semana, depois só de vez em quando. Até que um dia percebi: não era mais ausência de resposta, era a vida pedindo outro ritmo. As conversas viraram lembrança, os diálogos longos viraram curtidas discretas, e eu aprendi a respeitar esse novo silêncio.


O sentimento não some de uma vez. Ele cansa! Vai perdendo fôlego, diminuindo o passo, trocando a intensidade por memória. E foi assim comigo! Não houve briga, não houve cena, só a constatação de que o interesse já não se encontrava no meio do caminho. Talvez nunca tenha se encontrado! Doeu admitir, mas libertou entender.


Eu não deixei de te procurar por orgulho ferido ou jogo de desinteresse. Parei porque era necessário um pouco de amor próprio. Porque ninguém floresce esperando eternamente na sombra. Tu foste a pessoa mais linda e encantadora do meu mundo por um tempo, e isso ninguém apaga. Hoje, esse encanto virou carinho sereno, desses que não machucam mais.


E olha que curioso: quando a gente se escolhe, tudo fica mais leve! Não carrego mágoa, não carrego cobrança. Carrego gratidão pelo que foi e maturidade pelo que não se sustentou. Aprendi que finais também podem ser gentis, e que seguir em frente não é esquecer, é transformar.


Se um dia bateres à minha porta novamente, serás bem-vinda! Com sorriso aberto, conversa tranquila e afeto honesto. Ficou a amizade, o ombro amigo, a ternura boa que só os amigos sabem oferecer. E está tudo bem assim! Porque hoje eu sigo inteiro, em paz, e feliz, do jeito que a vida merece.

 

J.K – 24.01.26




sábado, 28 de fevereiro de 2026

Você, esse intervalo sem nome

      Você nunca chegou inteira, nem saiu por completo! Sempre foi essa presença entre um passo e outro, esse quase que permanece. Quando vinha, trazia o vento da desordem; quando ia, deixava o silêncio em desalinho. E eu, mesmo sabendo, aprendia a te esperar como quem aceita que algumas coisas não pedem lógica, apenas espaço.


Houve promessas que fiz só para mim, todas manhas antes do amanhecer. Eu dizia que não estaria mais ali, que teu retorno encontraria portas fechadas. Mas você sempre voltava pelo mesmo lugar onde eu deixava aberto por mais que eu negasse. Enquanto se perdia no mundo, eu ficava, fazendo do tempo um pretexto para não te esquecer.


Você nunca pediu cuidado, mas eu te dei abrigo! Nunca pediu perdão, mas eu ofereci descanso! Com gestos pequenos, desarmava minhas defesas, espalhava desordem doce nos meus sentidos. Tocava onde não havia palavra, bagunçava o que estava quieto, e partia como se nada tivesse acontecido, deixando tudo em mim aceso.


Há mulheres que ensinam a ficar! Você me ensinou a sentir! A ficar vulnerável, exposto, sem escudos. No teu jeito leve, quase criança, havia uma ilusão que não doía, apenas encantava. E talvez seja isso: você nunca foi permanência, mas foi marca. Não ficou, mas também nunca passou.

 

J.K – 24.01.26








Quem é você?

      Há alguém que atravessa meus pensamentos sem pedir licença. Não sei quando começou, nem como ganhou espaço, só sei que entrou. Ocupou meus sonhos, meus desejos mais guardados, como se já conhecesse cada canto de mim. Foi chegando devagar e, quando percebi, já estava dentro do meu peito, sem contrato, sem aviso, sem promessa.


Essa presença me desarma! Confunde minhas certezas, bagunça o que eu achava que estava no controle. Quando me envolve, me leva para lugares que eu nunca tinha visitado, nem em imaginação. O corpo responde, a cabeça se perde, e eu deixo! Adoro! Porque há toques que não pedem permissão, apenas acontecem!


O mais curioso é o efeito que isso causa em mim! Coisas antigas, defeitos que sempre carreguei, foram ficando mais leves, quase invisíveis. Não houve esforço, nem conversa, nem tentativa. Simplesmente deixaram de doer! Como se alguém tivesse mexido nos meus sentidos com cuidado e retirado o que já não precisava estar ali.


E talvez o mais desconcertante seja isso: fui amado sem ter pedido, envolvido sem ter planejado, tocado sem ter previsto. E, nesse caminho silencioso, acabei amando também mesmo antes de entender quem era essa pessoa. Talvez eu nunca saiba responder completamente. Talvez a pergunta continue sendo parte do encanto. Porque algumas presenças não se explica, apenas se sentem.

 

 

J.K – 24.01.26




Eu não sou quem você pensa que sou

      Eu não sou quem você pensa que sou! Aliás, às vezes nem eu sei exatamente quem sou e isso me diverte! Fujo dos padrões como quem foge de uma camisa apertada demais! Não nasci para caber em moldes prontos. Prefiro ser o sujeito estranho no canto da sala, observando tudo com um meio sorriso e um pensamento atravessado, do que mais um rosto diluído numa multidão de iguais. Se estou sozinho, quase sempre é por incompatibilidade de alma, não por falta de companhia.

 

Dizem que pareço ingênuo! Há quem jure que sou distraído, até inocente! Mas, mal sabem que penso demais, que enxergo o que não digo, que escuto até o silêncio das entrelinhas. Inteligência, para mim, é afrodisíaco! Conversa boa me ganha mais do que qualquer aparência. Então, me seduza com ideias, com argumentos, com profundidade. O resto é cenário! E cenário, você sabe, muda fácil!

 

Sou um livro aberto, mas com muitas páginas dobradas, rabiscadas, algumas arrancadas pelo tempo. Não quero te impressionar com currículo, sobrenome ou saldo bancário. Também não me impressiona o seu! O que me interessa é o que você faz quando ninguém está olhando. Sou estranho, sim! Estranhamente leal! Estranhamente intenso! Estranhamente disposto a ajudar todo mundo, mesmo quando estou cansado. Meu coração é maior do que minha prudência e isso, confesso, já me custou caro!

 

Minha vida vista de fora pode parecer comum! Trabalho como um cdf aplicado, organizado, responsável, quase previsível! Sou família até a medula: gosto de mesa cheia, conversa longa, abraço demorado. Cumpro horários, entrego resultados, pago boletos. Mas por dentro há um universo paralelo! Entre quatro paredes, as da alma, antes de qualquer outra coisa, eu penso alto, sinto forte, desejo sem pedir licença. Não sou de joguinhos. Se for para viver, que seja inteiro!

 

E sobre assombrações? Eu não temo casas antigas nem corredores escuros! Tenho medo é dos vivos! Dos que sorriem com cálculo, dos que prometem sem intenção, dos que machucam por esporte. Lugares guardam memórias! Pessoas guardam intenções! E é aí que mora o perigo ou o milagre. Somos nos que decidimos nosso destino!

 

Sou esse paradoxo ambulante: estranho e acolhedor, reservado e intenso, disciplinado e caótico por dentro. Não quero ser entendido por todos! Quero ser reconhecido por poucos! Porque no fundo, bem no fundo, eu não sou quem você pensa que sou! Sou mais!

 

J.K – 20.02.26




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Um trisal, um swing e um caos chamado eu

      Nunca imaginei que minha vida chegaria a um ponto em que eu seria convidado para um trisal. Sim, eu, sempre digo: “dois é bom, três é demais para mim” de repente me vi encarando algo que parecia mais roteiro de filme do que convite real.


Cheguei lá me sentindo como turista sem mapa em país estranho. Olhei para o ambiente e pensei: “Ok, todo mundo parece saber o que está fazendo, menos eu”! Me senti deslocado, quase como se tivesse entrado em um baile de máscaras sem máscara, só com minha cara de espanto e surpresa ao mesmo tempo.


No começo tentei fingir que sabia o que estava acontecendo. Sorria, balançava a cabeça, dizia “claro, claro…” como se tudo fizesse sentido. Mas, internamente, eu estava um mix de confusão, curiosidade e vontade de voltar para casa com uma taça de vinho e minha própria companhia.


Não vou mentir: foi uma experiência diferente e não sei se gostei ou não! Uma experiência que me ensinou algo fundamental: sexo, pelo menos para mim, é uma aventura que funciona melhor a dois. A intimidade que cabe em um casalzinho, naquele ritual de risadas, toque e olhar cúmplice, simplesmente não se traduz em trio, pelo menos para este sujeito aqui.


Ainda assim, saí dali com histórias para rir sozinho no banho, memórias de situações tão absurdas que até a imaginação precisaria de pausa para digerir. E confesso: apesar de não ter sido meu ponto ideal de prazer, a experiência foi válida! Porque, às vezes, precisamos nos perder para lembrar exatamente onde nos sentimos em casa. E, para mim, casa é a dois!


No fim, voltei para meu sofá, sozinho, feliz e leve. Com a certeza de que, se o mundo inventar quádruplos ou quintetos, “Meu Guri” vai passar batido, porque minha zona de conforto tem duas pessoas: eu e meu par. Não cabe mais ninguém, desculpem!

 

J.K – 19.01.26




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Tem dias em que a vida resolve andar de Havaianas tortas

      Tem dias em que a gente não acorda com o pé esquerdo. A gente acorda tropeçando nos dois pés ao mesmo tempo! E olha que nem vou me aprofundar muito no assunto “pé esquerdo” pra não gerar confusão, cancelamento ou uma crise diplomática com as Havaianas. O fato é que, hoje, minha vida simplesmente descarrilhou. Saiu dos trilhos, ignorou qualquer tentativa de freio e seguiu sem governo até boa parte da tarde, como um trem turístico conduzido por alguém que nunca viu um mapa.

 

E não fui só eu! O universo decidiu que seria um ótimo dia para as pessoas virem desabafar comigo. Clientes, colegas, conhecidos… uma espécie de plantão emocional improvisado. Alguns relatos eram tão densos que tudo o que coube foi ouvir. E ouvir de verdade! Porque há dores que não pedem resposta, só presença. A gente escuta, balança a cabeça, respira fundo e pensa: “ainda bem que hoje eu só preciso escutar”.

 

Já em outros momentos, confesso, arrisquei um ou dois conselhos. Mas sempre com aquele cuidado de quem sabe que mal consegue administrar a própria bagunça. Afinal, se eu não tenho manual nem controle remoto da minha vida, que ousadia seria querer orientar a dos outros? Um perigo público! Um conselheiro sem credenciais, com prazo de validade emocional vencido.

 

No fim das contas, percebo que quase ninguém quer soluções mirabolantes. O que a gente quer mesmo é atenção. Um abraço sincero, um sorriso que não seja automático, alguém que nos escute sem olhar o relógio ou o celular. Se consegui oferecer isso hoje, ótimo! Se não, ao menos tentei! E, convenhamos, em dias descarrilhados, tentar já é um baita feito.

 

J.K – 20.01.26