Tem dias em que tudo o que eu quero é botar os pés na terra e deixar o campo falar comigo. Andar sem pressa pelas coxilhas, sentir o cheiro das ervas amassadas no passo, deixar o vento do sul me contar histórias antigas. É ali que eu me encontro! É ali que eu lembro quem eu sou e de onde vim.
O sol do verão vai
me marcando a pele e o tempo vai me deixando mais simples, mais inteiro. O
corpo se ajusta ao ritmo do campo, o pensamento desacelera e o coração aprende
a bater no compasso da natureza. Nesse chão largo, não falta inspiração, sobra
motivo pra verso, canto e gratidão.
Gosto de buscar
água limpa, dessas que parecem rezar junto com a gente. Olhar longe, até onde a
vista alcança, e agradecer em silêncio. Aqui, a fé não grita, ela se espalha! Vive nas cantigas antigas, no mate bem cevado, na memória que passa de pai pra
filho sem precisar ser explicada.
O que mais me
emociona é ver a vida florescendo do jeito mais simples: campo verde, riso
de criança, gente vivendo sem precisar endurecer. É um lugar onde o viver não
pesa tanto, onde ainda dá pra sonhar sem pedir licença e seguir em frente sem
chorar.
Esse é o meu Rio
Grande do Sul! Terra forte, céu aberto, vento que limpa a alma. Um lugar onde
tudo que se planta encontra jeito de crescer, mas o que mais brota, o que mais
insiste em ficar, é o amor! E enquanto eu puder pisar nesse chão, sei que nunca
vou caminhar sozinho.
J.K – 31.01.26






