Sinto que posso me perder sozinho, que posso me despedaçar em silêncio, se algum dia quiser. Mas hoje não quero! Hoje há caminhos suaves me chamando, ventos que me conduzem sem pressa, sussurros de possibilidades que me fazem respirar mais leve. Amanhã? O amanhã é apenas uma sombra que ainda não toca meu corpo.
Não posso ferir ninguém além de mim, e nisso encontro uma estranha
paz. É libertador perceber que minha diferença me protege, que não preciso
esmagar outros para sentir meu mundo existir. Sou um perigo contido, uma chama
que queima só dentro de mim, e isso me deixa seguro, curioso e, de certo modo,
inteiro.
Não quero uma vida que caiba em moldes. Quero ser um nome secreto
nos dias dos outros, um sussurro de presença que atravessa sem deixar pegadas
claras. Quero sentir o gosto do dia, a textura do momento, a promessa de que
ainda existe um amanhã que posso tocar, sem me perder no medo ou na solidão.
Me pergunto quais serão minhas ferramentas para atravessar o tempo
daqui para frente. Que escolhas sustentam a liberdade? Que gestos protegem a
alma? Talvez a resposta seja apenas aprender a fluir, a aceitar que cada passo
é devaneio, cada respiração é experiência, cada instante é uma ponte entre o
que somos e o que podemos ser.
Estou cansado de apenas existir, de apenas ser. Mas não há pressa,
não há obrigação. Há só o instante e sua poesia, e eu me permito vagar, sonhar,
errar e me reinventar. São devaneios, meus devaneios, mas são eles que me
lembram que a vida pulsa mesmo na mais solitária das almas.
J.K – 21.02.26






