sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Um trisal, um swing e um caos chamado eu

      Nunca imaginei que minha vida chegaria a um ponto em que eu seria convidado para um trisal. Sim, eu, sempre digo: “dois é bom, três é demais para mim” de repente me vi encarando algo que parecia mais roteiro de filme do que convite real.


Cheguei lá me sentindo como turista sem mapa em país estranho. Olhei para o ambiente e pensei: “Ok, todo mundo parece saber o que está fazendo, menos eu”! Me senti deslocado, quase como se tivesse entrado em um baile de máscaras sem máscara, só com minha cara de espanto e surpresa ao mesmo tempo.


No começo tentei fingir que sabia o que estava acontecendo. Sorria, balançava a cabeça, dizia “claro, claro…” como se tudo fizesse sentido. Mas, internamente, eu estava um mix de confusão, curiosidade e vontade de voltar para casa com uma taça de vinho e minha própria companhia.


Não vou mentir: foi uma experiência diferente e não sei se gostei ou não! Uma experiência que me ensinou algo fundamental: sexo, pelo menos para mim, é uma aventura que funciona melhor a dois. A intimidade que cabe em um casalzinho, naquele ritual de risadas, toque e olhar cúmplice, simplesmente não se traduz em trio, pelo menos para este sujeito aqui.


Ainda assim, saí dali com histórias para rir sozinho no banho, memórias de situações tão absurdas que até a imaginação precisaria de pausa para digerir. E confesso: apesar de não ter sido meu ponto ideal de prazer, a experiência foi válida! Porque, às vezes, precisamos nos perder para lembrar exatamente onde nos sentimos em casa. E, para mim, casa é a dois!


No fim, voltei para meu sofá, sozinho, feliz e leve. Com a certeza de que, se o mundo inventar quádruplos ou quintetos, “Meu Guri” vai passar batido, porque minha zona de conforto tem duas pessoas: eu e meu par. Não cabe mais ninguém, desculpem!

 

J.K – 19.01.26




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Tem dias em que a vida resolve andar de Havaianas tortas

      Tem dias em que a gente não acorda com o pé esquerdo. A gente acorda tropeçando nos dois pés ao mesmo tempo! E olha que nem vou me aprofundar muito no assunto “pé esquerdo” pra não gerar confusão, cancelamento ou uma crise diplomática com as Havaianas. O fato é que, hoje, minha vida simplesmente descarrilhou. Saiu dos trilhos, ignorou qualquer tentativa de freio e seguiu sem governo até boa parte da tarde, como um trem turístico conduzido por alguém que nunca viu um mapa.

 

E não fui só eu! O universo decidiu que seria um ótimo dia para as pessoas virem desabafar comigo. Clientes, colegas, conhecidos… uma espécie de plantão emocional improvisado. Alguns relatos eram tão densos que tudo o que coube foi ouvir. E ouvir de verdade! Porque há dores que não pedem resposta, só presença. A gente escuta, balança a cabeça, respira fundo e pensa: “ainda bem que hoje eu só preciso escutar”.

 

Já em outros momentos, confesso, arrisquei um ou dois conselhos. Mas sempre com aquele cuidado de quem sabe que mal consegue administrar a própria bagunça. Afinal, se eu não tenho manual nem controle remoto da minha vida, que ousadia seria querer orientar a dos outros? Um perigo público! Um conselheiro sem credenciais, com prazo de validade emocional vencido.

 

No fim das contas, percebo que quase ninguém quer soluções mirabolantes. O que a gente quer mesmo é atenção. Um abraço sincero, um sorriso que não seja automático, alguém que nos escute sem olhar o relógio ou o celular. Se consegui oferecer isso hoje, ótimo! Se não, ao menos tentei! E, convenhamos, em dias descarrilhados, tentar já é um baita feito.

 

J.K – 20.01.26




 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Quando a vida pede balanço

      Há um momento em que a gente sente que não dá mais para empurrar as coisas para depois. Não porque o fim esteja batendo à porta, mas porque a consciência pede um balanço honesto. É como se a vida puxasse uma cadeira, sentasse à nossa frente e dissesse: fala agora. Sem plateia, sem maquiagem, sem ensaio. Apenas verdade.

 

Olho para trás e vejo um caminho que não foi reto, nem fácil, mas foi meu. Fui por estradas que muitos evitariam, atravessei atalhos que não estavam no mapa e, às vezes, me perdi só para ter certeza de onde não queria ficar. Não fiz tudo certo, mas fiz do jeito que consegui, com o que eu era em cada fase.

 

Sim, houve excessos! Momentos em que abracei mais do que podia sustentar, promessas grandes demais para um coração cansado. Mas também houve coragem! Aquela coragem silenciosa de continuar mesmo quando a dúvida sentava no banco do carona e tentava assumir o volante. Engoli o medo, cuspi o orgulho e segui em frente.

 

Amei com intensidade, ri quando deu, chorei quando não tinha alternativa. Caí mais de uma vez, colecionei tropeços e algumas derrotas que doeram fundo. Ainda assim, quando penso em tudo isso, não sinto vergonha. Sinto espanto. Espanto por ter vivido tanto, por ter sentido tanto, por ter permanecido inteiro apesar das rachaduras.

 

No fim das contas, talvez isso seja tudo o que importa: poder dizer que a história contada foi verdadeira. Que as palavras ditas vieram do peito, não de um roteiro alheio. Que os golpes recebidos não me tiraram a dignidade de permanecer de pé.

 

Se existe um legado, é esse: não ajoelhei diante da vida! Encarei! E, com todas as imperfeições, fiz à minha maneira.

 

J.K – 20.01.26




terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O sagrado de voltar

     Morar sozinho me ensinou que a casa é mais do que abrigo. É templo. Quando retorno no fim do dia e fecho a porta, sinto que algo em mim também se recolhe. O mundo fica do lado de fora, e eu entro em mim mesmo, com respeito e calma.

 

O trabalho ocupa horas, exige entrega, consome forças. Faço o que me cabe, sigo o fluxo do dia, enfrento o que surge. Mas carrego a certeza silenciosa de que cada jornada cumprida é uma bênção disfarçada de esforço. Nem todo dia é leve, mas todo dia é concedido.

 

Ao chegar, o primeiro gesto é a gratidão. Pelo dia que passou, pelo sustento que não faltou, pela saúde que permitiu ir e voltar. Agradeço também pelas pessoas que não dividem o teto comigo, mas habitam meu coração: a família, guardada na memória e no afeto; os amigos, espalhados pela vida, mas presentes nas minhas orações silenciosas.

 

No silêncio da casa, encontro um tipo raro de presença. Não me sinto só. Sinto-me acompanhado por algo maior, que não precisa de nome. Há paz em reconhecer que estar comigo é também estar amparado. O tempo desacelera, a alma respira, e tudo encontra seu lugar.

 

Assim, dia após dia, sigo. Voltar para casa se transforma em rito, o descanso em agradecimento, e a rotina em testemunho. Amanhã o sol nascerá outra vez, e eu estarei pronto, não por força própria, mas pela graça de simplesmente continuar.

 

J.K – 20.01.26




segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Quando falo contigo, mãe!

     Quando me dirijo a ti, Nossa Senhora, não é por hábito nem por costume aprendido. É por amor! Um amor simples, de filho que reconhece o cuidado mesmo quando não entende os caminhos. Falar contigo é repousar a alma, é saber que há um colo invisível sustentando cada passo meu.

 

Tenho caminhado como posso, com acertos e falhas, levando comigo a fé que nem sempre é forte, mas é sincera. Em ti encontro ternura e firmeza, aquela presença que não julga, mas orienta. Quando o coração se inquieta, é teu nome que acalma meus pensamentos.

 

Coloco diante de ti tudo o que sou: minhas alegrias discretas, minhas dores silenciosas, minhas dúvidas humanas. Peço que me ajudes a viver com mais mansidão, a amar com mais verdade e a confiar mesmo quando não vejo clareza no caminho. Ensina-me a aceitar o tempo, a cruz diária e o mistério da vida com humildade.

 

E quando chegar o dia em que eu tiver cumprido minha jornada aqui, sei que não estarei só. Confio que estenderei as mãos e serei acolhido como filho. Não com medo, mas com paz. Porque quem caminha sob teu cuidado aprende que o fim não é ausência, é encontro!

 

Até lá, permanece comigo, Mãe! Guarda meu coração, guia meus passos e fortalece minha fé. Amo-te com amor de filho, e é nesse amor que sigo, hoje, amanhã e além.

 

J.K – 20.01.26




 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

A cidade desfila dentro da gente

     Domingo, quarto dia da 35ª Festa Nacional da Uva, e eu fui assistir ao segundo desfile cênico na Caxias do Sul. Confesso: fui curioso… voltei emocionado! O desfile é ágil, vibrante, daqueles que passam num sopro. E, de repente, surge uma italiana bonita de encher os olhos, dessas que fazem a gente querer largar tudo e dançar tarantela no meio da rua. No final, muitos turistas fizeram exatamente isso! E eu quase fui junto!

 

A história é bem contada, as coreografias são ensaiadas com capricho, as vestimentas parecem ter saído de fotografias antigas que ganharam movimento. Mas o que mais me tocou foi outra coisa: em alguns momentos, eu me senti parte daquele cortejo. Não era só um espectador! Era alguém que também estava sendo contado ali. Afinal, foi essa cidade que me acolheu há 40 anos, que me deu chão, sotaque e pertencimento.

 

Eu, que carrego sobrenome alemão e português, ouso brincar que sou um “gringo avesso”, um italiano de coração emprestado. Falo alto, gesticulo, misturo tradição com afeto e tenho esse jeito meio colono que já virou minha assinatura. Ser filho adotivo de Caxias é isso: a gente escolhe amar e quando escolhe, ama com intensidade.

 

Foi bonito ver a Sinimbu lotada, gente sorrindo, abanando para as colônias que desfilavam com orgulho. Impressiona também a organização: as ruas fecham, o espetáculo acontece, e logo tudo volta ao lugar como mágica. Em minutos, o Centro respira de novo. É um esforço coletivo que emociona tanto quanto o próprio desfile.

Por isso, deixo aqui um convite sincero: se você ainda não assistiu, assista! Permita-se uma hora de encantamento. O desfile passa rápido e quando você percebe, já acabou… mas fica! Fica no peito, como ficam as boas histórias contadas ao redor de um filó. 🍇✨

 

J.K – 22.02.26






As mulheres que se reconhecem no próprio encanto

    Todas as mulheres são bonitas! Todas! Cada uma à sua maneira, no seu tempo, no seu corpo, na sua história. A beleza feminina não mora em um padrão, mora na forma como cada mulher ocupa o mundo, como caminha, fala, sente e se sustenta. Algumas encantam pela delicadeza, outras pela força, outras pelo silêncio! E o mais bonito é que nenhuma beleza anula a outra — elas coexistem.


Dito isso, em tom confessional e sem culpa, há mulheres que me encantam mais. Não porque sejam melhores, mas porque despertam algo específico em mim. Adoro mulheres de uniforme! Qualquer uniforme! Talvez seja um fetiche, talvez seja admiração, talvez seja a mistura de postura, identidade e função. Uniformes contam histórias, revelam rotinas, mostram que ali existe alguém que assume um papel no mundo. E isso, para mim, é profundamente sedutor.


Também me seduz — e muito — a inteligência. Sempre digo que inteligência é afrodisíaco! Nada se compara à intimidade de uma boa conversa, à troca de ideias, ao riso que nasce de uma frase bem colocada. Gosto de mulheres com quem se pode falar por horas, dividir pensamentos, silêncios, afetos. Aquelas conversas que acontecem sem pressa, depois do corpo descansar, com o calor ainda presente, e que fazem tudo recomeçar de forma natural, quase inevitável.


E não, nunca me atraíram corpos perfeitos ou moldados por exigências externas. O que me encanta são corpos reais. Mulheres com curvas, com uma leve barriguinha, com lugares onde se pode tocar, segurar, percorrer sem medo. Corpos que acolhem, que respondem ao toque, que têm história. É bonito demais quando o corpo da mulher não pede permissão para existir — ele simplesmente existe, e isso basta.


No fim, talvez o que mais me encante seja isso: mulheres que não tentam caber, mas ocupam. Que se reconhecem, se aceitam e seguem. Porque quando uma mulher se sente confortável em quem é, ela não apenas é bonita — ela é inesquecível.

 

J.K – 24.01.26