quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Três semanas, três quilos e nenhuma vergonha na cara

  Eu saí de casa para trabalhar. Voltei promovido a degustador oficial do Brasil. Foram três semanas de estrada, abraços apertados, reuniões produtivas… e mesas que pareciam desfile de escola de samba: uma explosão de cores, cheiros e tentações. Resultado? Engordei três quilos. Um por semana. Organização e disciplina eu tenho — só usei no lugar errado.

 

Minha nutricionista deve estar sentindo uma perturbação na força. Tenho quase certeza de que, em algum momento dessas semanas, o celular dela vibrou sozinho e apareceu a notificação: “Jean repetiu a sobremesa”. Minha família também já deve estar organizando uma intervenção, daquelas com cadeiras em círculo e cara de decepção. E o pior: eu participaria… como acusado e como testemunha. Porque eu sabia. Eu via o perigo. E mesmo assim dizia: “Só mais um pedacinho”. O pedacinho vinha do tamanho do Rio Grande do Sul.

 

Mas, meu guri… como resistir? Cada agente de compras nos esperava com uma mesa que parecia banquete de casamento. Tinha bolo, tinha torta, tinha salgado, tinha aquela sobremesa que a gente aceita “só pra não fazer desfeita”. Eu não queria magoar ninguém. Sou uma pessoa sensível. Solidária. Empática. Gulosa também, mas principalmente empática. Confesso que só de lembrar já senti a calça apertar meio centímetro.

 

Teve um momento de desespero em que pensei: “E se eu tomar detergente? No rótulo diz que elimina até as gorduras mais difíceis…” Mas logo me dei conta de que a única coisa que ia embora era o meu juízo. Melhor manter os quilinhos do que virar experiência científica doméstica. A maturidade chegou. Tarde, mas chegou.

 

Quando voltei pra casa e fui vestir minhas roupas, elas me receberam com tanta saudade que decidiram me abraçar. E não foi abraço frouxo, não. Foi abraço apertado, firme, daqueles que dizem: “Sentimos tua falta… e agora vamos te lembrar disso o dia inteiro.” A calça fechou? Fechou. Mas com negociação. A camisa serviu? Serviu. Mas respirando com respeito.

 

No fim das contas, foram três quilos a mais e incontáveis histórias pra contar. A estrada cansa o corpo, mas engorda a alma… e aparentemente o resto também. Agora é fazer as pazes com a balança, pedir desculpas à nutricionista e combinar com as roupas que, na próxima viagem, a gente tenta manter a dignidade. Ou pelo menos dividir o doce em duas vezes. 😄

 

J.K – 12.02.26




Beira Mar: pequeno no tamanho, gigante no sabor

Confesso: tenho um carinho especial por lugares que não fazem alarde, mas entregam tudo. O Restaurante Beira Mar, coladinho ao Mercado Público de Rio Grande, é exatamente assim. São pouco mais de cinquenta metros quadrados, oito mesas apenas, um espaço simples, sem luxo algum — e talvez seja justamente isso que o torne tão verdadeiro. Na minha modesta opinião, é ali que se come o melhor peixe e o melhor camarão de Rio Grande. E digo isso com a autoridade de quem volta sempre.

 

Toda vez que estou na cidade, religiosamente, eu e meu colega de viagem fazemos o mesmo ritual: estacionamos, caminhamos até o Beira Mar e nos sentamos para almoçar. Já virou tradição. O corpo pode estar cansado da estrada, mas o paladar desperta na primeira garfada. É bom, é barato e é feito com aquele cuidado que não se aprende em curso — se aprende na prática, no respeito ao cliente e ao ingrediente. O atendimento é exemplar, daqueles que fazem a gente se sentir conhecido, mesmo quando a casa está cheia.

 

E é bonito de ver. De verdade. Olhar ao redor e perceber as pessoas saboreando os pratos com satisfação quase cinematográfica. Parece cena de filme ou propaganda antiga de televisão: todos felizes, concentrados no prato, conversas animadas, o aroma do peixe fresco dominando o ambiente. Há uma alegria simples ali, que não depende de sofisticação, apenas de comida bem feita e acolhimento sincero.

 

Se um dia você for a Rio Grande, não deixe de conhecer o Beira Mar. Recomendo sem hesitar — tenho certeza de que você não vai se arrepender. E aproveite o passeio completo: a poucos metros dali, do outro lado da praça, experimente o café da Café Turismo e caminhe pelo Centro Histórico, que tem seu charme próprio. Se der tempo (e eu torço para que dê), leve um isopor ou uma bolsa térmica e compre os pescados fresquinhos que os pescadores vendem em frente ao restaurante. Eles limpam os peixes e os camarões na tua frente — é encantador de ver, quase uma aula viva de tradição. No fim das contas, o Beira Mar não é só um restaurante. É uma experiência que mistura sabor, simplicidade e a alma de Rio Grande.

 

J.K. – 12.02.26




 

Quando a estrada ensina e a gratidão acompanha

Depois de três semanas intensas na estrada, percorrendo três estados e somando mais de nove mil quilômetros, encerramos nossa missão. Foram dias visitando agentes de compras, apresentando e convidando para o que acreditamos ser o melhor inverno dos últimos tempos no atacado. O corpo sente o cansaço, é verdade, mas a alma volta abastecida de encontros, aprendizados e muita gratidão.

 

Antes de qualquer coisa, agradeço a Deus e a Nossa Senhora por nos acompanharem em cada trecho dessa viagem, nos protegendo, guiando e permitindo que tudo transcorresse da melhor forma possível. Na sequência, minha gratidão sincera ao colega Delmar, incansável nessa longa jornada. Dividimos estrada, conversas, ensinamentos e muito profissionalismo — desses que não se aprendem em manuais, mas no dia a dia.

 

Não posso deixar de agradecer também aos nossos gestores, que não nos deixaram faltar nada e garantiram todas as condições necessárias para que a viagem acontecesse com tranquilidade. Esse apoio faz toda a diferença quando se passa tanto tempo longe de casa, vivendo a rotina intensa das estradas e dos compromissos.

 

O que torna essas viagens realmente especiais é saber que somos sempre recebidos de braços abertos. Abraços carinhosos, sorrisos generosos, excelentes almoços e jantares de confraternização, longas conversas, boas risadas — sem esquecer da hospitalidade do chimarrão e do café bem servido. Vocês, nossos agentes de compras e amigos, fazem a diferença. Pena ser impossível visitar todos, embora a vontade seja enorme.

 

Aos que ficaram sentidos por não termos conseguido avisar ou encontrar durante nossa passagem, deixamos nosso pedido de desculpas. Nem sempre o roteiro acontece como o planejado: o tempo muda, surgem percalços, manutenções nas estradas e o movimento intenso das rodovias interfere no cronograma. Mas oportunidades não faltarão — julho logo chega, e com ele, novas viagens.

 

Agora, esperamos vocês no maior polo de moda atacadista do sul do estado, em Farroupilha. Os shoppings Farroupilha’s Center e 585 aguardam vocês e seus clientes de braços abertos, com atendimento cordial e o melhor da nova coleção outono-inverno, com preços direto de fábrica. Fiquem atentos: os lançamentos acontecem no dia 24 de março, no Shopping 585, e no dia 28 de abril, no Farroupilha’s Center. Agendem essas datas. A estrada continua — e ela sempre nos leva de volta ao que importa. 💙



J.K - 12.02.26





Três semanas, nove mil quilômetros e zero glamour

Foram três semanas na estrada. Três. Semanas. Mais de nove mil quilômetros rodados, visitando agentes de compras em três estados diferentes. E já aviso com toda a delicadeza possível: se alguém acha que isso é férias, lazer ou qualquer variação de descanso remunerado, está vivendo numa realidade paralela — provavelmente bem confortável.


A estrada é bonita? Claro. Especialmente quando não se está preso em congestionamentos quilométricos, desviando de obras eternas, enfrentando chuva fora de hora ou sol inclemente. O Waze, sempre otimista, cumpre seu papel de nos lembrar que fé é importante. E quando finalmente se para, surge o banheiro de beira de estrada: um espaço que desafia conceitos básicos de higiene, dignidade e amor-próprio.


Entre um trecho e outro, há o glamouroso entra e sai de hotéis, malas abertas e fechadas sem qualquer emoção, bancos de carro pensados para corpos que claramente não são os nossos, cafés ingeridos por necessidade médica e refeições feitas quando dá — não quando o organismo ousa pedir. Tudo isso repetido diariamente, porque rotina também existe fora do escritório.


E para quem gosta de dizer que “não fizemos nada” ou que “estamos de férias”, fica o convite irrecusável: em julho, durante as próximas visitas, venha junto. As despesas são suas, naturalmente. Em troca, oferecemos horas intermináveis de estrada, conversas profundas sobre absolutamente nada e a chance única de voltar para casa com uma certeza cristalina: isso nunca foi férias.


J.K - 12.02.26








O homem, o unicórnio e o mistério da vida

 Eu já tinha passado dos cinquenta anos quando aprendi que o espanto não envelhece. Foi numa estrada de chão batido, dessas que cortam o interior de Caxias do Sul como quem divide o mundo em silêncio e neblina. Eu caminhava sem pressa, colecionando pensamentos gastos, quando o vi.

 

Primeiro veio o susto. Meu coração disparou como se tivesse reencontrado algo que nunca soube que perdera. Ele também recuou. O unicórnio — sim, um unicórnio — baixou a cabeça, o chifre em espiral refletindo a luz do entardecer. Seu pelo era prata viva, não o brilho frio do metal, mas um clarão macio, quase respirável. Por alguns segundos, fomos dois seres igualmente assustados, tentando entender o erro que o mundo havia cometido ao nos colocar ali.

 

O medo durou pouco. Talvez porque o medo, quando encontra o sagrado, se transforma em respeito. Ou talvez porque, dentro de mim, uma criança antiga começou a puxar conversa.

 

Aproximei-me devagar. Ele fez o mesmo. O chifre dele vibrava levemente, como se captasse algo que meus sentidos já não alcançavam. Foi então que entendi: aquele chifre não era arma, nem ornamento. Era antena. Um elo. Um fio invisível ligando céu e terra, infância e velhice, dúvida e fé.

 

Ele me olhou — e não era um olhar comum. Era um olhar que atravessa.
Sem palavras, ele me contou que seu chifre tinha propriedades de cura, mas não apenas do corpo. Curava a pressa, o cinismo, a dureza que os anos colocam na gente como poeira. Disse que os homens adoecem mais por esquecer do amor do que por falta de remédios.

 

Sentamo-nos ali, eu e o impossível, como velhos amigos que se reencontram sem explicação. E foi nesse silêncio que ele me contou algo maior. Disse que Jesus Cristo está voltando. Não como ameaça, nem como espetáculo. Voltando como promessa. Como abraço. Como lembrança viva de que o amor ainda é o caminho mais curto entre dois homens.

 

Eu acreditei. Não porque o unicórnio falou. Mas porque, enquanto ele falava, meu coração reconheceu a verdade como quem reconhece a própria casa.

 

Ele me disse que o mundo anda cansado, ferido, desconfiado. Que os homens esqueceram de escutar — uns aos outros, a si mesmos, e a Deus. Que a esperança não faz barulho, mas resiste. E que esperar o Salvador não é ficar parado olhando o céu, mas caminhar melhor pela terra.

 

Quando a neblina engrossou, ele se levantou. Tocou meu ombro com o chifre, de leve. Não houve milagre visível. Nenhuma cura instantânea. Apenas uma paz estranha e funda, dessas que não passam.


Ele seguiu pela mata. Eu segui pela estrada.

 

Desde aquele dia, caminho diferente. Carrego menos peso, falo com mais cuidado, amo com mais urgência. E quando alguém ri da ideia de um unicórnio, eu sorrio também. Há verdades que só aparecem para quem ainda consegue acreditar.

 

Eu acredito. E aguardo, com fé serena, a vinda do Salvador.

 

J.K – 06.02.26




Um aprendiz com cabelos prateados

Hoje me considero um jovem senhor da chamada terceira idade. Carrego comigo o peso bonito de quem já viveu bastante, tropeçou, acertou, perdeu e ganhou — e, ainda assim, tem plena consciência de que sabe muito pouco. A cada vez que penso ter entendido o mundo, ele muda de roupa, de ritmo e de regra. E lá vou eu, reaprendendo tudo de novo.

 

Vivemos tempos velozes demais. As transformações acontecem num piscar de olhos, e confesso: não consigo acompanhar todas. Mas isso não me diminui — pelo contrário! Só reforça a certeza de que a vida é um eterno aprendizado. Aprender é um exercício de humildade. Só deixamos de aprender quando morremos… e, mesmo assim, tenho minhas dúvidas. Acredito que o corpo repousa, mas a alma segue por aí, curiosa, inquieta, cumprindo sua missão.

 

Não me considero velho, muito menos ultrapassado. Dou trabalho — e às vezes até um certo “show” — para jovens que insistem em dizer que sabem tudo, quando ainda não sabem quase nada. A vida não se aprende em frases prontas nem em certezas absolutas. Aprende-se vivendo, errando, escutando e, principalmente, respeitando a própria consciência.

 

Estamos num mundo onde quase tudo é permitido, onde valores se transformam o tempo todo — ora para melhor, ora para pior. O julgamento do que é certo ou errado não cabe aos outros, mas à nossa própria consciência. Temos o livre-arbítrio, e eu fiz minha escolha: decidi ser feliz com o tempo que ainda tenho. Quero amar muito, abraçar sem economia, viver a intimidade com verdade e presença. Quero longas conversas ao redor de um chimarrão ou de um bom café, almoços demorados, jantares em boa companhia, um happy hour no fim do dia e, acima de tudo, estar perto da minha família.

 

E se tem algo que hoje me enche de gratidão é poder celebrar a vida da minha velinha, que neste ano nos foi abençoada com seus 85 anos. Isso, sim, é riqueza. No fim das contas, talvez a juventude não esteja no corpo, mas na vontade de continuar aprendendo, sentindo e vivendo — enquanto houver tempo. 💙


J.K – 07.02.26




 

Quando o silêncio vira crueldade


Há histórias que não pedem apenas atenção, pedem consciência. A do cãozinho Orelha, em Santa Catarina, não é só mais uma notícia triste — é um espelho quebrado da nossa humanidade. Um animal indefeso, que confiou, que não soube se proteger da maldade gratuita, e que perdeu a vida por atos que nunca deveriam ser chamados de descuido, mas pelo nome certo: barbárie. Ler isso dói. Saber que aconteceu, revolta. E aceitar em silêncio seria compactuar.

 

Animal não é distração de verão, não é objeto de uso momentâneo, não é algo que se ignora quando deixa de ser conveniente. Quem convive com um cão sabe: eles oferecem tudo sem pedir quase nada. Um olhar inteiro, uma alegria sem cálculo, uma lealdade que não negocia. Quando alguém escolhe ferir um animal, não está apenas machucando um corpo pequeno — está rompendo um pacto básico de humanidade.

 

Orelha não morreu só pela violência direta. Ele morreu também pela falta de empatia, pela ausência de limites claros, pela certeza, ainda muito presente, de que maus-tratos a animais ficam impunes. E isso precisa mudar. Precisa haver punição exemplar. Não por vingança, mas por justiça. Para que fique claro, ferir um animal é crime. É falha moral. É sinal de uma sociedade que precisa reaprender a cuidar.

 

Cuidar é mais do que alimentar. É proteger. É vigiar o ambiente. É intervir quando algo está errado. É entender que um animal depende inteiramente de nós. Quando falhamos nisso, falhamos feio. E não há desculpa aceitável. Quem ama, protege. Quem respeita, não vira o rosto. Quem tem caráter, não normaliza a crueldade.

 

Que a história do Orelha não seja só mais um nome esquecido nas redes. Que ela provoque reflexão, indignação e mudança. Que sirva de alerta e de limite. Porque a forma como tratamos os animais diz muito sobre quem somos — e sobre o tipo de mundo que estamos permitindo existir. Sempre é tempo de escolher diferente. Sempre é tempo de cuidar.

 

J.K – 07.02.26