Confesso que achei que houve um certo exagero por
parte da mídia e dos órgãos responsáveis pelos alertas climáticos. Durante
dias, o Rio Grande do Sul viveu sob a expectativa de uma semana de terror, com
previsão de vendavais, granizo e chuvas intensas. Elas vieram, é verdade, mas
atingiram apenas algumas regiões. Em outras, tudo aconteceu dentro do
esperado.
Não sou contra os alertas, muito pelo contrário! Depois da tragédia que vivemos em 2024, toda prevenção é pouca e necessária. Apenas
acredito que eles poderiam ser um pouco mais específicos, indicando com maior
precisão as regiões realmente ameaçadas.
Eu e meu colega estávamos justamente no Alto
Uruguai quando o tempo resolveu mostrar sua força. Pegamos de tudo pela
estrada: chuva torrencial, granizo, rajadas de vento e até um tornado entre
Santo Cristo, Santa Rosa e Giruá. É uma sensação difícil de explicar. Ao mesmo
tempo em que assusta, também desperta fascínio! Como pode o vento ganhar a
forma de um enorme funil e, em poucos minutos, transformar completamente uma
paisagem?
Agora, de volta ao conforto do meu apartamento,
organizo as malas outra vez. A próxima semana promete novos quilômetros, novas
visitas aos clientes e, pelo visto, mais uma dose de instabilidade no tempo.
Mas quem vive na estrada aprende que não dá para esperar o céu abrir. Os
boletos não suspendem o vencimento porque está chovendo. Aliás, às vezes eles
conseguem ser mais implacáveis do que o granizo e os temporais.
Então, não tem muito segredo! É respirar fundo,
ligar o carro, colocar a fé no banco do carona e seguir viagem. Porque a vida,
faça sol ou faça tempestade, continua chamando a gente para a estrada.
J.K. – 31.07.26






