Que saudade danada de ti! Não é dessas que passa com distração ou
com conversa fiada, é daquelas que acorda junto comigo e deita do meu lado à
noite. A solidão, quando percebe tua ausência, vira personagem principal aqui
dentro. Sente falta de um abraço, me faz chorar escondido, me deixa conversando
com o nada como se o nada tivesse teu rosto.
Quem inventou a distância não conhece a saudade! Não sabe o que é
contar os dias como quem conta passos até um reencontro. Eu finjo força, faço
discurso bonito pra mim mesmo, digo que estou acostumado, mas não estou! Meu
peito nunca aprendeu a aguentar silêncio demais! Ele prefere tua voz, teu riso
atravessado, até teu jeito de me provocar só pra me ver perder a pose.
Tem algo em nós que é chama fácil! Quando a gente se encontra, o
mundo lá fora perde importância. É como se o tempo resolvesse fechar a porta e
deixar só nós dois existindo. Nosso amor começa na pele, no arrepio, no jogo de
olhar que já sabe onde vai terminar. É riso, é desejo, é entrega sem manual de
instrução, é malícia misturada com carinho, é intensidade que não pede licença.
E quando tu me chama de professor, eu rio por fora e derreto por
dentro. Diz que eu te estimulo, que te deixo louca, que sei exatamente como
conduzir cada movimento. Mas a verdade é que quem aprende sou eu! Aprendo teu
ritmo, teu suspiro, teu silêncio antes do beijo. A gente se ensina sem
quadro-negro, sem regra, só com vontade.
Só que, depois, vem o intervalo! E é nesse intervalo que a saudade
me pega de jeito. Ah! Se pega! Fico lembrando do teu cheiro na cama, do teu cabelo
bagunçado e de nós dois fazendo amor. E por mais que eu tente bancar o forte, a
verdade é simples e nua: eu gosto de espantar minha solidão contigo porque,
quando tu tá aqui, eu não sou metade. Eu sou inteiro!
Se amar assim é exagero, que seja! Prefiro a intensidade ao vazio!
Porque no fim das contas, o que mais me dói não é a distância, é saber
que, quando tu vai embora, leva contigo a melhor parte do meu silêncio e me deixa
aqui um coração que só aprende a bater direito quando escuta teus passos voltando.
J.K
– 01.03.26





