Tudo começou com um gesto simples, quase inocente! Um olhar insinuado pela tela, um carinho lançado em forma de emoji. Quando percebi, você já tinha atravessado o oceano invisível da internet e batido na porta do meu mundo digital. Um pedido de amizade virou curiosidade! A curiosidade virou conversa! E, de repente, eu já estava sorrindo sozinho diante do computador, como se a luz do monitor fosse luar particular.
Passei a esperar suas notificações como quem espera carta antiga,
só que mais apressado. Madrugadas viraram nosso território secreto! Entre
playlists compartilhadas, vídeos engraçados e confidências digitadas às
pressas, fomos criando intimidade em pixels! A câmera ligada nos aproximava, e
mesmo separados por quilômetros, eu sentia que havia algo muito real naquele
encontro de duas solidões conectadas.
A verdade é que eu me entreguei! Sem perceber, você deixou de ser
apenas um perfil e virou presença! Seu rosto na tela já não era imagem, era
companhia! E quando finalmente nos vimos fora do Wi-Fi, sob o céu aberto e o
barulho do mar ao fundo, eu entendi que o que começou virtual tinha criado
raízes profundas. Nossos corpos se reconheceram como se já se conhecessem há
tempos, livres de cabos, livres de senhas, livres de qualquer filtro.
Mas, como às vezes acontece, a conexão caiu! Não houve aviso
prévio, apenas silêncio! Você partiu, e o que restou foram registros salvos em
algum canto da memória. Fotos, mensagens, fragmentos de uma história que já foi
colorida e intensa! Nenhum arquivo, porém, consegue guardar o cheiro da sua
pele ou o calor dos seus beijos e abraços.
Hoje, confesso, ainda revisito nossas lembranças como quem abre
pastas antigas procurando algo que talvez não esteja mais lá. Às vezes parece
que basta um clique para sentir tudo outra vez. Outras vezes, percebo que o
sinal não volta! E mesmo assim, no fundo do meu peito, a tela ainda acende
quando penso em você! Porque certos amores, mesmo offline, continuam vivos na
rede do coração.
J.K – 15.02.26






