domingo, 12 de abril de 2026

Domingo de fé

 

 Domingo, para mim, sempre foi esse refúgio silencioso que a gente nem sabia que precisava, mas precisa! É o dia em que o mundo desacelera por fora e, curiosamente, começa a falar mais alto por dentro. Fico entre a cama e o sofá, de abrigo, meias e chinelo, vivendo aquela mistura de preguiça com paz que só o domingo sabe entregar.


 Mas, dessa vez, teve algo diferente! Tive a companhia mais valiosa que existe: minha mãe, minha HH. Entre um café passado na hora e um risoto de camarão feito com carinho, a gente dividiu mais do que uma refeição! Dividimos tempo, presença, essas pequenas coisas que, quando a gente percebe, são as maiores de todas!


 Assistimos a dois filmes! Um fez a gente sorrir, o outro fez a gente chorar de verdade! Daqueles choros que não são só pelo que está na tela, mas por tudo que a gente carrega por dentro! E foi no meio desse “dilúvio” na sala que veio a lembrança mais simples e, ao mesmo tempo, mais poderosa: a fé!


 A fé não como algo distante ou complicado, mas como esse fio invisível que nos sustenta quando a gente nem percebe! Foi tão forte aquele momento que acendemos um incenso, uma velinha, e ali, juntos, rezamos uma Ave Maria! Sem pressa, sem formalidade. Apenas presença, gratidão e um pedido silencioso para que a vida continue sendo gentil conosco!


 Olhei para minha mãe e senti aquele aperto bonito no peito! O tempo passa, e ele não pede licença! Ela está mais velhinha, é verdade, mas continua sendo esse lugar onde meu coração descansa! E naquele instante, tudo que eu consegui fazer foi agradecer a Deus pela vida e esse privilégio de ainda poder estar ali, ao lado dela!


 Talvez a gente complique demais o que é simples! A fé não precisa ser grandiosa! Às vezes, ela está num café compartilhado, numa lágrima dividida, numa oração sussurrada no meio da sala. Está nesses momentos que parecem pequenos, mas que, no fundo, sustentam tudo! E, no fim das contas, é isso que fica: a certeza de que, enquanto houver amor, presença e um pouco de fé, a vida sempre encontra um jeito de fazer sentido.

 

J.K – 12.04.26

 

 

***O filme, em questão, é Inexplicável (2025), disponível na Netflix!




Amor que late, mia e cura

 

 Eu sempre achei que sabia o que era amor até um par de olhos brilhantes me esperando na porta como se eu fosse a melhor pessoa do mundo, mesmo nos dias em que eu claramente não era! Amor de quatro patas não faz discurso, não cobra coerência, não exige currículo emocional! Ele simplesmente deita aos nossos pés e fica de verdade!

 

 Ter um animal em casa é aprender sobre presença! Eles não estão conosco pelo que temos, mas pelo que somos! Não perguntam quanto ganhamos, não se importam com nossas falhas, não fazem levantamento de erros passados. Se a gente chega cansado, eles vibram! Se a gente chega triste, eles encostam! Se a gente chora, eles silenciam ao lado, como quem diz: “Eu não entendo tudo, mas estou aqui!”

 

 Cuidar de um bichinho é um exercício diário de responsabilidade e ternura. É acordar mais cedo para passear, é dividir espaço no sofá, é aceitar pelos na roupa como medalhas de afeto. É dar banho, vacina, atenção e, em troca, receber aquela alegria desproporcional por coisas mínimas, como jogar a mesma bolinha pela centésima vez! Amor não é intensidade passageira, é repetição feliz.

 

 Claro, eles aprontam! Roem o chinelo preferido, fazem xixi no lugar errado, mastigam o controle remoto como se fosse gourmet. Mas, no fundo, é só vida querendo brincar! Às vezes penso que somos nós que complicamos demais! Eles erram, a gente corrige! Eles aprendem, a gente ri! E tudo volta ao normal com um abanar de rabo ou um ronronar estratégico.

 

 O que mais me comove é a lealdade! Um animal não abandona, ele espera, ele acredita! Ele ama sem manual, sem condição, sem cláusula escondida. E talvez seja essa a maior lição: amar é permanecer! É aceitar imperfeições! É escolher ficar.

 

 Eu já tive dias difíceis salvos por um focinho encostado na minha mão. Já recebi consolo de quem não fala, mas entende! E toda vez que olho para aquele ser pequeno, que depende de mim, percebo que, na verdade, sou eu quem depende dele para lembrar o que importa. Porque amar um animal é isso: é descobrir que a forma mais pura de amor não fala nossa língua, mas fala direto com o coração.

 

J.K – 20.02.26




Manual prático para enlouquecer um anjo da guarda

 

 Se existe um prêmio celestial de “cliente mais trabalhoso”, eu devo ter ganhado por unanimidade, com certeza! Meu anjo da guarda, coitado, não tem auréola, ele tem olheiras!

 Desde pequeno eu já dava sinais de que seria um projeto ambicioso demais para o céu. Na infância, eu era arteiro! Na adolescência, ousado e irreverente! Na faculdade? Um estudo de caso para teólogos e bartenders.

 Imaginem o guri do interior desembarcando em Porto Alegre achando que tinha chegado em Nova York! Eu trabalhava no Unibanco de dia, estudava na Universidade do Vale do Rio dos Sinos à noite e, aparentemente, fazia pós-graduação intensiva na vida noturna! Dormir era um detalhe! Responsabilidade eu tinha, das 9h às 18h, e das 19h às 23h. Depois disso, era apenas um jovem pesquisador das madrugadas porto-alegrenses.

 Ah, as casas noturnas: Bar Ocidente, Porto de Elis, Cord, Bere Ballare, … Eu dançava sozinho na frente dos espelhos como se estivesse ensaiando para um clipe que ninguém tinha pedido! O importante era extravasar! Se tivesse paredão, lá estava eu na frente. Se tivesse pista, eu inaugurava! Se tivesse saideira, eu eternizava!

 Bebia como se o mundo fosse acabar naquele dia! A saideira tinha mais capítulos que novela mexicana! No dia seguinte, eu era só dor de cabeça, gosto de corrimão na boca e um estoque estratégico de aspirinas. Balinha de menta virou acessório fixo! Teve fase em que pensei: “Será que sou alcoólatra?” Mas aí lembrava que também bebia chimarrão com destilado improvisado e concluía: não era vício, era criatividade irresponsável!

 E teve a lendária aventura na BR-116. Entre uma ideia brilhante e outra pior ainda, o pneu furou e não apertamos direito. Eu vi o pneu nos ultrapassando e um carro desgovernado! Após o susto, eu ria sentado na faixa enquanto os outros corriam ribanceira abaixo atrás do pneu. Meu anjo da guarda deve ter pedido transferência naquele dia. E, não foi milagre, foi plantão extra!

  Na formatura de um amigo, resolvi inovar: bebi todas, comi nada e protagonizei um espetáculo gastrointestinal digno de cortina fechada e de filmes de exorcismo! Fui transportado na carroceria de um furgão, declarando que podia voar. Não voei, ainda bem e ainda sobrevivi! Até tomei banho de roupa e tudo, e ainda acordei no dia seguinte com a dignidade parcelada em suaves prestações.

 Hoje eu rio, e rio alto, porque sobrevivi às minhas próprias decisões duvidosas. Virei um sujeito responsável, de família e um trabalhador aplicado. Mas guardo com carinho essas memórias que quase me renderam uma intervenção divina oficial. Meu anjo da guarda? Deve estar aposentado, tomando chá de camomila e contando para os colegas: “Vocês acham que têm trabalho? Vocês não conheceram o Jean…”

 

J.K – 20.02.26



 

Tempo de cicatrizar

 

 Eu sei que isso não vai passar de uma hora pra outra. Tem coisa aqui dentro que ainda arde, meio silenciosa, meio teimosa, como quem não aceita ir embora tão fácil. E tudo bem ser assim! Não é só comigo, eu sei que aí do teu lado também deve ter um pedaço tentando entender o que sobrou depois de tudo.


A gente ainda vai precisar de um tempo até conseguir olhar pra trás sem aquele peso no peito. Talvez um dia a gente até dê risada de algumas coisas, mas hoje não! Por enquanto, tudo anda devagar, quase parado, como se a vida estivesse andando com cuidado pra não cutucar o que ainda dói.


E sendo bem honesto, não foi um desastre completo! Teve momentos bons, teve verdade em muita coisa. Mas também não foi aquilo tudo que a gente tentou sustentar, não virou o que a gente imaginou! E admitir isso, por mais estranho que pareça, traz um certo alívio.


Eu não te desejo nada de ruim, nem tenho raiva de ti como tu insiste em dizer e repetir, de verdade! Só que também não existe mais espaço pra nós dois na mesma história. O que ficou não é ódio, nem mágoa pesada, é só ausência de vontade de continuar.


Tem sentimentos que não acabam com briga, acabam com clareza! E a minha chegou a fim! Desculpe, mas eu não quero mais, nunca mais!

 

J.K – 11.04.26




 

sábado, 11 de abril de 2026

Quando o silêncio também é resposta

 

 Recebi todas as tuas mensagens e as li com respeito, com cuidado e com a consciência de que ali há dor verdadeira! Não ignoro o que vivemos, nem diminuo o sentimento que tu expressaste tantas vezes. O que tivemos foi real, foi bonito em muitos momentos, mas também foi atravessado por conflitos que nos desgastaram! E quando o amor começa a ser mais peso do que abrigo, algo dentro da gente pede silêncio.

 

 Sobre o ciúme, eu entendo que ele possa nascer do gostar. Mas também aprendi que gostar não é o mesmo que sufocar, nem que viver em constante tensão. Há tempos, ao contrário de ti, eu aprendi a não mais cobrar, a não mais reagir com palavras duras, a não mais magoar. Aprendi a te aceitar como és! Só que, nesse aceitar, eu descobri algo difícil: aquilo não estava me fazendo bem! E, no fundo, também não estava nos fazendo bem!

 

Em hipótese alguma, nos últimos meses, eu te magoei com palavras! Se te feri, foi apenas com o meu silêncio! E esse silêncio não nasceu de desprezo, mas de esgotamento. Eu não brigo mais, mas respeito! Respeito os meus limites, respeito o que sinto e respeito também a história que tivemos. Não me afastei por indiferença, mas porque continuar significava continuar nos ferindo.

 

 Não guardo rancor, tenha certeza! O que eu desejo é que sejas feliz junto do teu marido, da tua família e dos novos amigos que insiste em ter e me contar! Desejo que encontres estabilidade, carinho e paz onde escolheste estar e ficar! O que vivemos fez parte da nossa história, mas não precisa ser carregado como mágoa! Pode ser lembrado como aprendizado, nada além disso!

 

 Eu não terminei por maldade! Apenas percebi que insistir já não era amor, era desgaste! Às vezes, a decisão mais madura não é permanecer e lutar, mas aceitar que o ciclo terminou! O silêncio, nesse caso, foi a forma mais honesta que encontrei de encerrar sem agressões. Hoje, o que eu escolho é serenidade! Não porque foi fácil, mas porque foi necessário!

 

J.K – 19.02.26




Para lavar o que o mundo não vê

 

 Tem dias em que eu sinto que não é o corpo que está cansado, é a minha alma! É como se eu tivesse acumulado poeira invisível das palavras atravessadas, dos olhares tortos, das energias pesadas que a gente encontra sem querer. Nessas horas, eu não procuro explicação lógica! Eu procuro cuidado, algo que me limpe por dentro!

 

 Eu aprendi que a fé também mora nos gestos simples, num banho demorado, numa erva cheirosa esfregada na pele, num ritual pequeno feito em silêncio. Não é superstição vazia, é crença! É como dizer para mim mesmo que nem tudo que encosta em mim precisa ficar, que posso sacudir o que pesa e seguir mais leve.

 

 Voltar às minhas raízes sempre me fortalece! E, lembrar das rezas antigas, dos conselhos das minhas avós, das bênçãos dadas com as mãos firmes e o olhar cheio de certeza! Existe uma sabedoria que não está nos livros, mas nas cozinhas, nos quintais, nas rodas de conversa! É ali que eu me reconecto, é ali que peço proteção para o que não entendo e coragem para enfrentar o que for preciso.

 

 Confesso que também tenho meus pequenos rituais! Eu bato na madeira quando o medo tenta se instalar e carrego comigo um símbolo que me lembra proteção! Em casa, gosto de manter sinais de cuidado espalhados, como uma planta forte na entrada, uma luz acesa quando o coração pede clareza, um incenso de limpeza, uma vela acessa ou um copo d’água para frisar: aqui há paz!

 

 Não é sobre viver com medo do mal, mas sobre viver cercado de bem! É reconhecer que o mundo pode ser duro, mas eu posso me fortalecer, me proteger! Eu sei que existem caminhos fechados, mas existem caminhos que se abrem quando a gente acredita.

 

 No fundo, tudo isso é uma forma de dizer: eu quero andar protegido, mas também consciente! Quero seguir com o corpo fechado para o que me diminui e com o coração aberto para o que me faz crescer! Porque fé, para mim, não é fuga, é preparo, é raiz, é coragem pra continuar!

 

J.K – 19.02.26




Entre ventos e calmarias

 

 Durante muito tempo, tudo o que eu quis foi um amor grande. Não perfeito, não cinematográfico, apenas grande! Daqueles que fazem promessa olhando nos olhos e seguram a mão com firmeza. Mas o que eu recebi, na maioria das vezes, foram palavras bonitas que o primeiro sopro de realidade levou embora. Eu acreditava e o vento vinha, sempre vinha!

 

 Tentei de novo, de novo e mais uma vez, de novo! Às vezes parecia que, finalmente, eu tinha acertado! Era como se a vida tivesse me dado um prêmio inesperado, um presente raro, mas bastava a tempestade apertar um pouco para tudo desmoronar. Não era amor fraco, era esperança demais colocada em estruturas frágeis.

 

 Entre brisas suaves e furacões emocionais, fui aprendendo a amar, fui me refazendo depois de cada queda. Houve momentos leves, quase serenos. Outros foram duros, intensos, daqueles que arrancam certezas. E, ainda assim, eu continuei! Porque amar, para mim, nunca foi opcional, sempre foi necessidade!

 

 Hoje me encontro num lugar tranquilo demais! Não há gritos, não há promessas quebradas, não há tempestades! Hoje, existe paz! Uma paz estável, constante, mas solitária! E eu confesso: às vezes essa calmaria pesa! Porque descobri que não nasci para viver apenas seguro, eu nasci para compartilhar!

 

 Talvez eu ainda esteja esperando aquele amor que não se desmanche com o vento. Não um abrigo contra as tempestades, mas alguém que queira atravessá-las comigo! Porque viver em paz é bonito, mas viver em paz acompanhado é infinitamente melhor!

 

J.K – 19.02.26