Eu saí de casa para trabalhar. Voltei promovido a degustador oficial do Brasil. Foram três semanas de estrada, abraços apertados, reuniões produtivas… e mesas que pareciam desfile de escola de samba: uma explosão de cores, cheiros e tentações. Resultado? Engordei três quilos. Um por semana. Organização e disciplina eu tenho — só usei no lugar errado.
Minha nutricionista deve estar sentindo uma perturbação na força. Tenho quase certeza de que, em algum momento dessas semanas, o celular dela vibrou sozinho e apareceu a notificação: “Jean repetiu a sobremesa”. Minha família também já deve estar organizando uma intervenção, daquelas com cadeiras em círculo e cara de decepção. E o pior: eu participaria… como acusado e como testemunha. Porque eu sabia. Eu via o perigo. E mesmo assim dizia: “Só mais um pedacinho”. O pedacinho vinha do tamanho do Rio Grande do Sul.
Mas, meu guri… como resistir? Cada agente de compras nos esperava com uma mesa que parecia banquete de casamento. Tinha bolo, tinha torta, tinha salgado, tinha aquela sobremesa que a gente aceita “só pra não fazer desfeita”. Eu não queria magoar ninguém. Sou uma pessoa sensível. Solidária. Empática. Gulosa também, mas principalmente empática. Confesso que só de lembrar já senti a calça apertar meio centímetro.
Teve um momento de desespero em que pensei: “E se eu tomar detergente? No rótulo diz que elimina até as gorduras mais difíceis…” Mas logo me dei conta de que a única coisa que ia embora era o meu juízo. Melhor manter os quilinhos do que virar experiência científica doméstica. A maturidade chegou. Tarde, mas chegou.
Quando voltei pra casa e fui vestir minhas roupas, elas me receberam com tanta saudade que decidiram me abraçar. E não foi abraço frouxo, não. Foi abraço apertado, firme, daqueles que dizem: “Sentimos tua falta… e agora vamos te lembrar disso o dia inteiro.” A calça fechou? Fechou. Mas com negociação. A camisa serviu? Serviu. Mas respirando com respeito.
No fim das contas, foram três quilos a mais e incontáveis histórias pra contar. A estrada cansa o corpo, mas engorda a alma… e aparentemente o resto também. Agora é fazer as pazes com a balança, pedir desculpas à nutricionista e combinar com as roupas que, na próxima viagem, a gente tenta manter a dignidade. Ou pelo menos dividir o doce em duas vezes. 😄
J.K – 12.02.26







