Tem dias em que a gente não acorda com o pé esquerdo. A gente acorda tropeçando nos dois pés ao mesmo tempo! E olha que nem vou me aprofundar muito no assunto “pé esquerdo” pra não gerar confusão, cancelamento ou uma crise diplomática com as Havaianas. O fato é que, hoje, minha vida simplesmente descarrilhou. Saiu dos trilhos, ignorou qualquer tentativa de freio e seguiu sem governo até boa parte da tarde, como um trem turístico conduzido por alguém que nunca viu um mapa.
E não fui só eu! O
universo decidiu que seria um ótimo dia para as pessoas virem desabafar comigo.
Clientes, colegas, conhecidos… uma espécie de plantão emocional improvisado.
Alguns relatos eram tão densos que tudo o que coube foi ouvir. E ouvir de
verdade! Porque há dores que não pedem resposta, só presença. A gente escuta,
balança a cabeça, respira fundo e pensa: “ainda bem que hoje eu só preciso
escutar”.
Já em outros
momentos, confesso, arrisquei um ou dois conselhos. Mas sempre com aquele
cuidado de quem sabe que mal consegue administrar a própria bagunça. Afinal, se
eu não tenho manual nem controle remoto da minha vida, que ousadia seria querer
orientar a dos outros? Um perigo público! Um conselheiro sem credenciais, com
prazo de validade emocional vencido.
No fim das contas,
percebo que quase ninguém quer soluções mirabolantes. O que a gente quer mesmo
é atenção. Um abraço sincero, um sorriso que não seja automático, alguém que
nos escute sem olhar o relógio ou o celular. Se consegui oferecer isso hoje,
ótimo! Se não, ao menos tentei! E, convenhamos, em dias descarrilhados, tentar
já é um baita feito.
J.K – 20.01.26





