domingo, 12 de abril de 2026

Manual prático para enlouquecer um anjo da guarda

 

 Se existe um prêmio celestial de “cliente mais trabalhoso”, eu devo ter ganhado por unanimidade, com certeza! Meu anjo da guarda, coitado, não tem auréola, ele tem olheiras!

 Desde pequeno eu já dava sinais de que seria um projeto ambicioso demais para o céu. Na infância, eu era arteiro! Na adolescência, ousado e irreverente! Na faculdade? Um estudo de caso para teólogos e bartenders.

 Imaginem o guri do interior desembarcando em Porto Alegre achando que tinha chegado em Nova York! Eu trabalhava no Unibanco de dia, estudava na Universidade do Vale do Rio dos Sinos à noite e, aparentemente, fazia pós-graduação intensiva na vida noturna! Dormir era um detalhe! Responsabilidade eu tinha, das 9h às 18h, e das 19h às 23h. Depois disso, era apenas um jovem pesquisador das madrugadas porto-alegrenses.

 Ah, as casas noturnas: Bar Ocidente, Porto de Elis, Cord, Bere Ballare, … Eu dançava sozinho na frente dos espelhos como se estivesse ensaiando para um clipe que ninguém tinha pedido! O importante era extravasar! Se tivesse paredão, lá estava eu na frente. Se tivesse pista, eu inaugurava! Se tivesse saideira, eu eternizava!

 Bebia como se o mundo fosse acabar naquele dia! A saideira tinha mais capítulos que novela mexicana! No dia seguinte, eu era só dor de cabeça, gosto de corrimão na boca e um estoque estratégico de aspirinas. Balinha de menta virou acessório fixo! Teve fase em que pensei: “Será que sou alcoólatra?” Mas aí lembrava que também bebia chimarrão com destilado improvisado e concluía: não era vício, era criatividade irresponsável!

 E teve a lendária aventura na BR-116. Entre uma ideia brilhante e outra pior ainda, o pneu furou e não apertamos direito. Eu vi o pneu nos ultrapassando e um carro desgovernado! Após o susto, eu ria sentado na faixa enquanto os outros corriam ribanceira abaixo atrás do pneu. Meu anjo da guarda deve ter pedido transferência naquele dia. E, não foi milagre, foi plantão extra!

  Na formatura de um amigo, resolvi inovar: bebi todas, comi nada e protagonizei um espetáculo gastrointestinal digno de cortina fechada e de filmes de exorcismo! Fui transportado na carroceria de um furgão, declarando que podia voar. Não voei, ainda bem e ainda sobrevivi! Até tomei banho de roupa e tudo, e ainda acordei no dia seguinte com a dignidade parcelada em suaves prestações.

 Hoje eu rio, e rio alto, porque sobrevivi às minhas próprias decisões duvidosas. Virei um sujeito responsável, de família e um trabalhador aplicado. Mas guardo com carinho essas memórias que quase me renderam uma intervenção divina oficial. Meu anjo da guarda? Deve estar aposentado, tomando chá de camomila e contando para os colegas: “Vocês acham que têm trabalho? Vocês não conheceram o Jean…”

 

J.K – 20.02.26



 

Tempo de cicatrizar

 

 Eu sei que isso não vai passar de uma hora pra outra. Tem coisa aqui dentro que ainda arde, meio silenciosa, meio teimosa, como quem não aceita ir embora tão fácil. E tudo bem ser assim! Não é só comigo, eu sei que aí do teu lado também deve ter um pedaço tentando entender o que sobrou depois de tudo.


A gente ainda vai precisar de um tempo até conseguir olhar pra trás sem aquele peso no peito. Talvez um dia a gente até dê risada de algumas coisas, mas hoje não! Por enquanto, tudo anda devagar, quase parado, como se a vida estivesse andando com cuidado pra não cutucar o que ainda dói.


E sendo bem honesto, não foi um desastre completo! Teve momentos bons, teve verdade em muita coisa. Mas também não foi aquilo tudo que a gente tentou sustentar, não virou o que a gente imaginou! E admitir isso, por mais estranho que pareça, traz um certo alívio.


Eu não te desejo nada de ruim, nem tenho raiva de ti como tu insiste em dizer e repetir, de verdade! Só que também não existe mais espaço pra nós dois na mesma história. O que ficou não é ódio, nem mágoa pesada, é só ausência de vontade de continuar.


Tem sentimentos que não acabam com briga, acabam com clareza! E a minha chegou a fim! Desculpe, mas eu não quero mais, nunca mais!

 

J.K – 11.04.26




 

sábado, 11 de abril de 2026

Quando o silêncio também é resposta

 

 Recebi todas as tuas mensagens e as li com respeito, com cuidado e com a consciência de que ali há dor verdadeira! Não ignoro o que vivemos, nem diminuo o sentimento que tu expressaste tantas vezes. O que tivemos foi real, foi bonito em muitos momentos, mas também foi atravessado por conflitos que nos desgastaram! E quando o amor começa a ser mais peso do que abrigo, algo dentro da gente pede silêncio.

 

 Sobre o ciúme, eu entendo que ele possa nascer do gostar. Mas também aprendi que gostar não é o mesmo que sufocar, nem que viver em constante tensão. Há tempos, ao contrário de ti, eu aprendi a não mais cobrar, a não mais reagir com palavras duras, a não mais magoar. Aprendi a te aceitar como és! Só que, nesse aceitar, eu descobri algo difícil: aquilo não estava me fazendo bem! E, no fundo, também não estava nos fazendo bem!

 

Em hipótese alguma, nos últimos meses, eu te magoei com palavras! Se te feri, foi apenas com o meu silêncio! E esse silêncio não nasceu de desprezo, mas de esgotamento. Eu não brigo mais, mas respeito! Respeito os meus limites, respeito o que sinto e respeito também a história que tivemos. Não me afastei por indiferença, mas porque continuar significava continuar nos ferindo.

 

 Não guardo rancor, tenha certeza! O que eu desejo é que sejas feliz junto do teu marido, da tua família e dos novos amigos que insiste em ter e me contar! Desejo que encontres estabilidade, carinho e paz onde escolheste estar e ficar! O que vivemos fez parte da nossa história, mas não precisa ser carregado como mágoa! Pode ser lembrado como aprendizado, nada além disso!

 

 Eu não terminei por maldade! Apenas percebi que insistir já não era amor, era desgaste! Às vezes, a decisão mais madura não é permanecer e lutar, mas aceitar que o ciclo terminou! O silêncio, nesse caso, foi a forma mais honesta que encontrei de encerrar sem agressões. Hoje, o que eu escolho é serenidade! Não porque foi fácil, mas porque foi necessário!

 

J.K – 19.02.26




Para lavar o que o mundo não vê

 

 Tem dias em que eu sinto que não é o corpo que está cansado, é a minha alma! É como se eu tivesse acumulado poeira invisível das palavras atravessadas, dos olhares tortos, das energias pesadas que a gente encontra sem querer. Nessas horas, eu não procuro explicação lógica! Eu procuro cuidado, algo que me limpe por dentro!

 

 Eu aprendi que a fé também mora nos gestos simples, num banho demorado, numa erva cheirosa esfregada na pele, num ritual pequeno feito em silêncio. Não é superstição vazia, é crença! É como dizer para mim mesmo que nem tudo que encosta em mim precisa ficar, que posso sacudir o que pesa e seguir mais leve.

 

 Voltar às minhas raízes sempre me fortalece! E, lembrar das rezas antigas, dos conselhos das minhas avós, das bênçãos dadas com as mãos firmes e o olhar cheio de certeza! Existe uma sabedoria que não está nos livros, mas nas cozinhas, nos quintais, nas rodas de conversa! É ali que eu me reconecto, é ali que peço proteção para o que não entendo e coragem para enfrentar o que for preciso.

 

 Confesso que também tenho meus pequenos rituais! Eu bato na madeira quando o medo tenta se instalar e carrego comigo um símbolo que me lembra proteção! Em casa, gosto de manter sinais de cuidado espalhados, como uma planta forte na entrada, uma luz acesa quando o coração pede clareza, um incenso de limpeza, uma vela acessa ou um copo d’água para frisar: aqui há paz!

 

 Não é sobre viver com medo do mal, mas sobre viver cercado de bem! É reconhecer que o mundo pode ser duro, mas eu posso me fortalecer, me proteger! Eu sei que existem caminhos fechados, mas existem caminhos que se abrem quando a gente acredita.

 

 No fundo, tudo isso é uma forma de dizer: eu quero andar protegido, mas também consciente! Quero seguir com o corpo fechado para o que me diminui e com o coração aberto para o que me faz crescer! Porque fé, para mim, não é fuga, é preparo, é raiz, é coragem pra continuar!

 

J.K – 19.02.26




Entre ventos e calmarias

 

 Durante muito tempo, tudo o que eu quis foi um amor grande. Não perfeito, não cinematográfico, apenas grande! Daqueles que fazem promessa olhando nos olhos e seguram a mão com firmeza. Mas o que eu recebi, na maioria das vezes, foram palavras bonitas que o primeiro sopro de realidade levou embora. Eu acreditava e o vento vinha, sempre vinha!

 

 Tentei de novo, de novo e mais uma vez, de novo! Às vezes parecia que, finalmente, eu tinha acertado! Era como se a vida tivesse me dado um prêmio inesperado, um presente raro, mas bastava a tempestade apertar um pouco para tudo desmoronar. Não era amor fraco, era esperança demais colocada em estruturas frágeis.

 

 Entre brisas suaves e furacões emocionais, fui aprendendo a amar, fui me refazendo depois de cada queda. Houve momentos leves, quase serenos. Outros foram duros, intensos, daqueles que arrancam certezas. E, ainda assim, eu continuei! Porque amar, para mim, nunca foi opcional, sempre foi necessidade!

 

 Hoje me encontro num lugar tranquilo demais! Não há gritos, não há promessas quebradas, não há tempestades! Hoje, existe paz! Uma paz estável, constante, mas solitária! E eu confesso: às vezes essa calmaria pesa! Porque descobri que não nasci para viver apenas seguro, eu nasci para compartilhar!

 

 Talvez eu ainda esteja esperando aquele amor que não se desmanche com o vento. Não um abrigo contra as tempestades, mas alguém que queira atravessá-las comigo! Porque viver em paz é bonito, mas viver em paz acompanhado é infinitamente melhor!

 

J.K – 19.02.26




Entre o risco e a vontade

  Eu não tenho mais paciência para calcular cada passo quando o assunto é sentir. Se o ar está carregado de possibilidade, eu prefiro não interromper o fluxo. Deixo acontecer! Há coisas que não nascem da lógica, mas do encontro, daquele instante em que dois olhares se demoram um segundo além do necessário e o resto simplesmente se organiza sozinho.

 

 Não sei de onde vem essa eletricidade que surge quando você se aproxima! Talvez seja química, talvez seja destino, talvez seja só vontade acumulada. A verdade é que, nessas horas, ninguém é tão diferente assim: todo mundo oscila entre prudência e impulso, entre o lado luminoso e aquele pedaço mais ousado que gosta de brincar com o fogo.

 

  O perigo começa quando você entra no meu campo de visão e resolve ficar. Porque há uma distância muito curta entre admirar e desejar, entre observar e se envolver. E eu sei o quanto é arriscado permitir que alguém se instale nos pensamentos sem pedir autorização. O problema é que você sorri e esse simples gesto desmonta qualquer estratégia de defesa que eu tente construir.

 

 Seus olhos têm essa capacidade inquietante de prometer mais do que dizem. Em uma única noite, tudo pode mudar de intensidade. Eu finjo controle, mas por dentro já estou em negociação com o meu próprio coração. No fundo, o que me assusta não é você estar perto, é eu querer que fique.

 

J.K – 18.02.26




sexta-feira, 10 de abril de 2026

Escrever é me mostrar por inteiro!

 Eu sempre fui apaixonado por escrever! Isso não é novidade para quem me conhece! Sou formado em Jornalismo e, de uns tempos para cá, tenho me jogado ainda mais nesse espaço que é meu blog. E olha, saber que tem gente que reserva um tempinho do dia para ler o que eu escrevo me deixa realmente lisonjeado!


 Talvez você já tenha percebido que alguma coisa mudou por aqui! Meus textos estão mais pessoais, mais confessionais, mais verdadeiros! Eu comecei a escrever com menos filtro e mais coração! Escrevo o que vivo, o que vejo nas ruas, as conversas com amigos e as situações do trabalho! E, às vezes, deixo que uma música ou um filme acenda aquela faísca criativa!


 Mas nem tudo que está ali aconteceu exatamente comigo! Muitas vezes, é a imaginação que toma conta e conduz o caminho! Eu deixo ela ir, sem pressa, e uso a tecnologia como aliada para dar forma final ao texto, corrigir detalhes e deixar tudo mais fluido! E confesso: fico até orgulhoso quando vejo que quase não tem correções! Ainda sei brincar com as palavras!


 No fim das contas, o que mais importa para mim são vocês! Quem lê, quem sente, quem se identifica e, principalmente, quem tira um tempinho para comentar e deixar sua opinião! Em um mundo tão apressado, onde as pessoas não conseguem ler nem duas linhascom atenção, ter leitores assim é um privilégio enorme!


 Por isso, eu só posso agradecer! De verdade, do fundo do meu coração! Pode até não ser uma multidão, mas eu tenho certeza: são os melhores leitores do mundo! E isso, para mim, vale muito mais que qualquer número!


J.K - 10.04.26