Tem gente que cruza meu caminho trazendo presentes, promessas, pequenos luxos. Outros oferecem abrigo, cuidado, companhia. E há também quem, no meio da rua ou da vida, tente levar de mim aquilo que custei a juntar — afeto, tempo, confiança.
Algumas mulheres entram na minha vida para somar,
outras apenas passam. Com umas eu fico porque quero, com outras eu só desejo
que sigam adiante. Aprendi que nem toda aproximação merece permanência, e nem
toda troca precisa continuar.
Tem quem mereça minhas noites inteiras, o descanso
do corpo e da cabeça. Outras ficam só com um sorriso contido, meio irônico,
meio defensivo. É o que dá pra oferecer quando o coração já apanhou demais.
Mesmo assim, eu sigo vivendo. Sigo apesar das
recusas, apesar dos desencontros, apesar de quem preferia que eu desistisse.
Continuo mesmo quando você não quer, mesmo quando diz não, mesmo quando fecha a
porta sem explicação.
Eu continuo porque quase ninguém fala a verdade.
Todo mundo esconde alguma coisa, adia conversas, finge certezas que não tem. E
eu cansei de esperar clareza de quem só sabe confundir.
Às vezes fico amargo, confesso. Um pouco mais duro,
menos disposto a acreditar. E me pergunto, em silêncio, pra que serve tanta
paixão se o preço quase sempre é alto demais.
No fim, quem paga a conta sou eu. Entre tensão,
choques e pequenas violências emocionais, sigo em frente. Não por heroísmo —
mas porque parar nunca foi uma opção.
J.K – 09.01.26






