Há um momento em que a gente sente que não dá mais para empurrar as coisas para depois. Não porque o fim esteja batendo à porta, mas porque a consciência pede um balanço honesto. É como se a vida puxasse uma cadeira, sentasse à nossa frente e dissesse: fala agora. Sem plateia, sem maquiagem, sem ensaio. Apenas verdade.
Olho para trás e
vejo um caminho que não foi reto, nem fácil, mas foi meu. Fui por estradas que
muitos evitariam, atravessei atalhos que não estavam no mapa e, às vezes, me
perdi só para ter certeza de onde não queria ficar. Não fiz tudo certo, mas fiz do jeito que consegui, com o que eu era em cada fase.
Sim, houve
excessos! Momentos em que abracei mais do que podia sustentar, promessas
grandes demais para um coração cansado. Mas também houve coragem! Aquela
coragem silenciosa de continuar mesmo quando a dúvida sentava no banco do
carona e tentava assumir o volante. Engoli o medo, cuspi o orgulho e segui em
frente.
Amei com
intensidade, ri quando deu, chorei quando não tinha alternativa. Caí mais de
uma vez, colecionei tropeços e algumas derrotas que doeram fundo. Ainda assim,
quando penso em tudo isso, não sinto vergonha. Sinto espanto. Espanto por ter
vivido tanto, por ter sentido tanto, por ter permanecido inteiro apesar das
rachaduras.
No fim das contas,
talvez isso seja tudo o que importa: poder dizer que a história contada foi
verdadeira. Que as palavras ditas vieram do peito, não de um roteiro alheio.
Que os golpes recebidos não me tiraram a dignidade de permanecer de pé.
Se existe um
legado, é esse: não ajoelhei diante da vida! Encarei! E, com todas as
imperfeições, fiz à minha maneira.
J.K – 20.01.26





