terça-feira, 19 de maio de 2026

A cidade que me acolheu!

 Cheguei em Caxias do Sul há mais de quarenta anos! Naquela época eu ainda não imaginava que aquela cidade da Serra Gaúcha, cercada por morros e parreirais, acabaria se tornando parte da minha própria história. Vim, me apaixonei e fiquei! E, sem perceber fui criando raízes! Hoje, quando falo de Caxias, não digo que é apenas a segunda maior cidade do Estado Gaúch0, mas digo que é a minha casa, a cidade que me acolheu de braços abertos!


 Com o tempo fui entendendo que esta cidade carrega algo muito especial no seu DNA, nas suas ruas, avenidas e edificações. Muito antes de nós, outros já tinham apostado tudo aqui! Imigrantes italianos chegaram em 1875 trazendo na bagagem pouco dinheiro, muita coragem e uma vontade enorme de construir um futuro melhor! Entre plantações, vinhedos e pequenas casas de madeira, começaram a desenhar a cidade que hoje conhecemos.


 Essa herança está em todo canto! Está no jeito trabalhador do povo, na mesa farta de domingo, no vinho servido com orgulho e na famosa hospitalidade da Serra. Aqui a cultura italiana se misturou com tantas outras influências e criou uma identidade própria, forte e acolhedora! Caxias cresceu, se industrializou, virou potência econômica e referência para toda a região, mas nunca perdeu aquele espírito de comunidade que faz a gente se sentir parte de algo maior!


 Ao mesmo tempo, a cidade também sabe ser beleza pura! Quem se aventura pelo interior encontra paisagens que parecem pintadas à mão: parreirais que mudam de cor com as estações, cantinas familiares cheias de histórias, cachoeiras escondidas e estradas que convidam a dirigir sem pressa! Em lugares como o distrito de Criúva, por exemplo, a natureza parece lembrar que a Serra Gaúcha ainda guarda muitos segredos.


 No coração da cidade, os símbolos da nossa história seguem firmes! A imponente Catedral Diocesana de Caxias do Sul, a sempre movimentada Praça Dante Alighieri e a impressionante Igreja de São Pelegrino, com as obras de Aldo Locatelli, contam um pouco dessa trajetória feita de fé, arte e tradição.


 E quando chega a época da grande festa, então, a cidade mostra ainda mais o seu orgulho. A Festa da Uva transforma ruas e pavilhões em um espetáculo de cultura, música, gastronomia e memória. Não é apenas um evento para atrair turístas! É um lembrete vivo da história de quem chegou aqui com quase nada e conseguiu construir uma das cidades mais fortes do sul do Brasil.


 Depois de mais de quatro décadas vivendo aqui, posso dizer sem medo de exagerar: Caxias do Sul me ensinou muita coisa! Ensinou sobre trabalho, sobre perseverança e sobre o local que escolhi ficar e construir parte da minha vida! Eu escolhi Caxias e Caxias me acolheu!

 

J.K – 13.03.26





segunda-feira, 18 de maio de 2026

O preconceito sempre fala mais sobre quem julga ou quando o preconceito vem disfarçado de piada!

 

 Sinceramente, eu juro que até hoje tento entender o motivo de algumas pessoas perderem tanto tempo preocupadas com a sexualidade alheia! Parece que virou esporte olímpico cuidar da vida dos outros enquanto a própria bagunça segue acumulando poeira em casa. Já passou da hora de cada um cuidar da sua vida amorosa, dos seus boletos emocionais e dos parceiros ou parceiras que escolheu para dividir sua rotina. Amor é amor! Sem manual, sem fiscalização e sem gente querendo apitar partida que sequer foi convidada para jogar.

 

 Hoje mesmo, um colega resolveu, outra vez, brincar com a minha sexualidade através daquelas piadinhas que fazem mais barulho do que graça! E eu fiquei pensando: de onde nasce esse interesse todo em saber com quem eu durmo ou quem ocupa espaço na minha cama? Porque, sinceramente, nem eu tenho tanta curiosidade sobre a vida íntima dos outros! Estou muito bem resolvido comigo mesmo, sei exatamente do que gosto e da pessoa que quero ao meu lado! Isso já me basta!

 

 O mais engraçado dessa história toda é que algumas pessoas confundem convivência, amizade e parceria profissional com liberdade para ultrapassar limites! E aqui, agora, vai a minha sinceridade, daquelas que chega sem pedir licença: se um dia eu resolvesse me envolver com algum colega de trabalho, definitivamente você seguiria ocupando apenas o crachá de colega mesmo! Pode ser divertido, inteligente, ótimo profissional e parceiro de rotina, mas certas vagas seguem encerradas por falta de interesse do RH emocional.

 

 E quer saber mais? Mesmo vivendo uma pausa nesse meu relacionamento turbulento, cheio de idas, voltas e capítulos dignos de novela das nove, continuo feliz com ela! Ao menos neste momento! Amanhã a vida pode mudar, o coração pode inventar moda, o destino pode trocar o roteiro inteiro e até o técnico do time. Só tem uma coisa que permanece igual: quem decide a minha felicidade sou eu! E seja com ela, com outra pessoa ou até sozinho assistindo filme enrolado numa coberta em pleno sábado à noite, sigo vivendo do jeito que faz sentido para mim.

 

 No fim das contas, gente feliz costuma ocupar o tempo vivendo, rindo, amando e pagando boleto atrasado e com juros! Quem vive fiscalizando a felicidade dos outros geralmente anda em guerra com sua própria sexualidade ou com quem esta ao seu lado. E isso, convenhamos, explica muita coisa, até as piadinhas sem graça e noção! Lembrando que: “amor continua sendo amor, independente da embalagem”! Então, te liga tchê!

 


 

J.K – 18.05.26



Quando o pano cai!

 

 Às vezes eu olho ao redor e percebo como a sua história está espalhada pelas paredes da tua casa. Fotografias antigas, quadros, lembranças de uma época em que tudo parecia possível! Cada detalhe conta um pedaço de quem você foi e de tudo que viveu no passado! E, sendo bem sincero, dá para perceber que você chegou onde muita gente sonhou chegar. Parabéns!


 Seu nome brilhou forte! Houve um tempo em que ele parecia iluminar tudo ao redor, como uma luz chamando atenção em meio à multidão, um neon colorido e brilhante! Você despertou emoções nas pessoas, fez corações baterem mais rápido, provocou admiração, curiosidade, raiva e inveja! Era o tipo de vida que muitos queriam ter, mas arrepiava quem assistia e deixava marcas por onde tu passava!


 Imagino também o frio na barriga antes de cada momento importante! A expectativa, o nervosismo, o calor dos olhares atentos esperando que algo extraordinário acontecesse! Foram dias intensos, cheios de aplausos, comentários, recortes guardados como pequenas provas de que tudo aquilo realmente aconteceu! Momentos que, para quem viveu, nunca deixam de ter valor!


 Mas a vida tem uma maneira curiosa de deixar a gente seguir em frente. Aos poucos, o barulho diminui, as luzes  dos holofotes apagaram e o palco ficou vazio e  silencioso! É o fim natural de um espetáculo que foi vivido com intensidade e chegou ao fim.


 E cá entre nós, quando as luzes apagam e o silêncio chega é melhor seja falar mais baixo e aceitar o que o tempo nos reservou. Porque, no fundo, o mais importante já aconteceu: você viveu, marcou presença e deixou sua história ali, registrada nas memórias de quem viu e acompanhou toda a sua trajetória.

 

J.K – 12.03.26






domingo, 17 de maio de 2026

A complicada vida de quem tem coração demais!

 

 Preciso confessar uma coisa que talvez explique por que minha vida amorosa parece uma mistura de comédia romântica com programa de auditório. E, aqui entre nós, eu sempre desconfiei que nasci com um pequeno defeito de fábrica. Enquanto a maioria das pessoas veio ao mundo com apenas um coração, eu devo ter recebido um kit promocional com vários, muitos! E o problema é que nenhum deles sabe ficar quieto!

 

 Funciona mais ou menos assim: eu saio de casa decidido a viver um dia absolutamente normal! Cinco minutos depois, um coração meu já suspira por causa de um sorriso bonito, outro se emociona com um olhar simpático e um terceiro já está escolhendo nome do filho antes mesmo do café terminar de esfriar.

 

 O pior é que esses meus corações não têm organização nenhuma! Um se apaixona de manhã, esquece à tarde e à noite já quer viver outra grande história! Outro resolve se entusiasmar três vezes pela mesma pessoa, só para não correr o risco de perder a emoção! E às vezes acontece o caos completo: todos resolvem disparar ao mesmo tempo, igual torcida em final de campeonato.

 

 Também não ajuda em nada o fato de existir tanta gente interessante no mundo! Basta aparecer alguém elegante, divertida ou dona de um sorriso bonito que meu setor interno dos sentimentos entra em pane. É coração correndo de um lado para o outro tentando registrar primeiro a nova ocorrência emocional.

 

 Mas no fundo eu sei que a verdade é bem mais simples! Não é que eu tenha muitos corações! É que eu tenho um só, completamente curioso, animado e sem o menor senso de responsabilidade afetiva com a minha paz. Ou seja: exatamente igual ao dono dele!

 

 E pensando bem, talvez seja melhor assim! Porque viver com um coração calmo pode até ser mais organizado! Mas tenho quase certeza de que também deve ser muito mais sem graça!!!

 


 

J.K – 12.03.26



sábado, 16 de maio de 2026

Uma mulher que não cabe em moldes!

 

 Confesso que sempre admirei mulheres que não cabem nas expectativas fáceis do mundo. Aquelas que despertam encanto no primeiro olhar, mas que também carregam uma força que não se deixa dominar. Você sempre me pareceu assim! Uma mulher que muitos querem por perto, mas que poucos realmente entendem.

 

 Já vi homens se aproximarem de você cheios de certezas, como se soubessem exatamente quem você é! No começo, gostam da tua leveza, do teu riso solto, desse jeito quase menina que ilumina qualquer ambiente. Mas basta perceberem que você tem vontade própria, opinião firme e um coração que não aceita ser controlado e muitos recuam. Alguns por medo, outros por orgulho.

 

 Também percebi como existe uma estranha contradição no olhar de muitos homens. Eles admiram a tua beleza, o teu jeito livre, a intensidade que você carrega. Mas, quando essa mesma mulher decide falar o que pensa, defender suas ideias ou escolher seu próprio caminho, o encanto de alguns vira incômodo. Como se não soubessem lidar com uma mulher que não nasceu para se encaixar em papéis antigos.

 

 E é justamente isso que mais me chama atenção em você! Essa mistura rara de delicadeza e independência! Uma mulher que pode ser intensa na paixão, vibrante na vida e, ainda assim, não aceita entregar o próprio coração como se fosse algo para ser alugado ou administrado por alguém.

 

 Talvez muitos homens passem pela tua vida tentando te transformar em algo mais conveniente para eles. Mas eu aprendi uma coisa olhando para você: algumas mulheres não nasceram para ser moldadas! Elas nasceram para ser vividas, respeitadas e admiradas exatamente como são! E, sinceramente, são justamente essas que fazem a vida valer a pena.

 

J.K – 11.03.26




Verdades que o espelho revela!

 

 Outro dia me disseram que você anda contando histórias sobre nós dois! Histórias em que eu apareço como alguém completamente rendido a você, dominado pelo teu jeito, quase sem vontade própria. Dizem que você fala disso com um certo sorriso no canto da boca, como quem revive uma lembrança divertida. Eu ouvi e confesso que achei curioso como a memória pode escolher versões tão diferentes da mesma história.

 

 A verdade é que entre nós sempre existiu um jogo silencioso! Aqueles encontros cheios de olhares demorados, conversas que pareciam inocentes e um clima que aquecia devagar, como quem acende uma chama sem pressa. Havia noites em que bastava a proximidade, um gesto teu, o jeito que você sorria e tudo já ganhava outro sentido. Não era preciso dizer muito! O corpo entendia aquilo que as palavras evitavam explicar.

 

 Mas se alguém quiser falar de quem usou quem nessa história, talvez seja melhor olhar com um pouco mais de honestidade. Sim, eu também me deixei levar! Aproveitei o teu riso, a tua presença, o calor das noites em que a solidão parecia distante quando você estava por perto. Em alguns momentos, confesso, eu só queria sentir aquele conforto silencioso que existia entre nós.

 

 O curioso é que, no meio de tudo isso, quem acabou se cansando de tudo isso fui eu! Não por falta de desejo, mas porque certas histórias, quando repetidas demais, começam a perder o brilho que tinham no começo. Aquilo que antes parecia intenso passa a soar como um eco distante de algo que já foi mais forte.

 

 Então, antes de continuar contando versões por aí, talvez valha a pena fazer um pequeno exercício de sinceridade. Olhar no espelho com calma e lembrar de como as coisas realmente aconteceram. Porque, no fundo, nós dois sabemos que aquela história nunca foi tão simples quanto parece quando alguém resolve contá-la para os outros.

 

J.K – 11.03.26




A epopeia da Os 18 do Forte!

 

 Há mais de um mês morar no início da Os 18 do Forte, em Caxias do Sul, virou praticamente um esporte radical! Todo dia acordo curioso para descobrir qual será o desafio da vez: desviar de buraco, encontrar um pedaço de calçada ainda vivo ou tentar sair da garagem sem precisar de mapa, oração e coragem ao mesmo tempo. O progresso chegou com vontade e trouxe junto poeira, barro, brita, máquinas e um caos que parece ganhar capítulos novos diariamente.

 

 E o mais fascinante em qualquer obra pública, municipal, estadual ou até particular, é o conceito de prazo! Existe sempre uma data prevista, mas ela chega, passa, desaparece e reaparece na semana seguinte como se fosse temporada de série. Quem faz esses cálculos claramente vive em outra dimensão, porque basta cair uma chuvinha, aparecer um feriado ou um caminhão atravessar errado para o cronograma entrar em colapso emocional.

 

 Outro detalhe que sempre chama atenção é a famosa dinâmica dos trabalhadores. Em toda obra existe um padrão quase científico: de dez pessoas, duas realmente estão trabalhando firme! Enquanto isso, as outras exercem funções altamente importantes como observar o movimento, conferir o celular, fumar, tomar café ou admirar as moças bonitas que passam pela Os 18 do Forte. E eu olhando tudo da janela, já praticamente formado em engenharia de obra atrasada.

 

 Enquanto isso, caminhar pela calçada virou jogo de sobrevivência! Tem trecho com pedra solta, trecho sem pedra nenhuma, buraco, barro e aquela sensação permanente de que a qualquer momento alguém vai precisar resgatar um morador perdido no meio da rua. Sair de casa limpo virou vitória pessoal.

 

 E claro, apesar de toda reclamação, a gente sabe que são obras necessárias. O viaduto próximo aos Pavilhões da Festa da Uva, por exemplo, promete melhorar muito o trânsito ali na frente. O problema é sobreviver até esse glorioso dia chegar. Até lá, seguimos convivendo com poeira, desvios, barulho e aquela esperança brasileira clássica de olhar para as máquinas e pensar: “agora vai”!

 

J.K – 16.05.26