Você nunca chegou inteira, nem saiu por completo! Sempre foi essa presença entre um passo e outro, esse quase que permanece. Quando vinha, trazia o vento da desordem; quando ia, deixava o silêncio em desalinho. E eu, mesmo sabendo, aprendia a te esperar como quem aceita que algumas coisas não pedem lógica, apenas espaço.
Houve promessas que
fiz só para mim, todas manhas antes do amanhecer. Eu dizia que não estaria
mais ali, que teu retorno encontraria portas fechadas. Mas você sempre voltava
pelo mesmo lugar onde eu deixava aberto por mais que eu negasse. Enquanto se perdia no mundo, eu
ficava, fazendo do tempo um pretexto para não te esquecer.
Você nunca pediu
cuidado, mas eu te dei abrigo! Nunca pediu perdão, mas eu ofereci descanso! Com
gestos pequenos, desarmava minhas defesas, espalhava desordem doce nos meus
sentidos. Tocava onde não havia palavra, bagunçava o que estava quieto, e
partia como se nada tivesse acontecido, deixando tudo em mim aceso.
Há mulheres que
ensinam a ficar! Você me ensinou a sentir! A ficar vulnerável, exposto, sem
escudos. No teu jeito leve, quase criança, havia uma ilusão que não doía, apenas encantava. E talvez seja isso: você nunca foi permanência, mas foi
marca. Não ficou, mas também nunca passou.
J.K – 24.01.26






