Há dias em que a conta não fecha. E não é falta de cálculo, é falta de dinheiro mesmo. Quem vive com um salário mínimo, ou com uma aposentadoria, sabe: sobreviver virou um exercício diário de malabarismo. Não se trata de luxo, de exagero, de vontade de ostentar. Trata-se do básico. Aluguel, luz, água, comida, transporte, saúde, educação. Só o essencial. E mesmo assim, não cabe no bolso.
Por isso, eu me pergunto — e pergunto em voz alta:
será que nossos políticos conseguiriam viver assim? Não em discurso, não em
planilha, não em entrevista. Viver de verdade. Três meses. Apenas três.
Recebendo um salário mínimo, pagando aluguel, pegando ônibus, escolhendo qual
conta atrasar e qual mercado cortar da lista. Sem verba extra, sem auxílio, sem
carro oficial, sem cartão corporativo. Será que aguentariam?
E vou além, porque a reflexão precisa ser honesta.
Desafio também parte dos empreendedores que pagam salários que mal sustentam um
mês inteiro. Que defendem números frios sem olhar o rosto de quem trabalha. Que
falam em “custo” sem lembrar que do outro lado há gente, famílias, crianças,
idosos. Será que sobreviveriam pagando tudo o que exigem que seus funcionários
paguem, com o valor que oferecem?
Talvez esteja mais do que na hora de repensar
prioridades. Salários, sim. Mas também gastos desnecessários, estruturas
inchadas, privilégios que não conversam com a realidade do povo. Está na hora
de falar sério sobre corrupção, sobre interesses partidários que só engordam
bolsos, sobre decisões que esquecem quem aperta o cinto todos os meses.
Governar deveria ser servir. E servir começa entendendo, na pele, quanto custa
viver — de verdade.
J.K – 07.02.26

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