terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Quando eu parei de esperar convite

      Demorei mais do que gostaria para admitir, mas por muito tempo eu só vivia metade das coisas. A outra metade eu deixava guardada, esperando alguém ir junto, alguém confirmar presença, alguém validar minha vontade. Como se meu desejo precisasse de plateia para existir.

 

O dia em que percebi isso foi desconfortável. Entendi que, cada vez que eu dizia “deixa pra depois, se ninguém for”, eu estava entregando meu tempo, minha energia e meu ritmo nas mãos de outra pessoa. Não era companhia. Era dependência disfarçada de costume.

 

Fazer coisas sozinho não me afastou do mundo — me aproximou de mim. No silêncio de um café sem conversa, numa caminhada sem pressa, comecei a ouvir pensamentos que antes eram abafados pelo medo de estar só. E ali descobri algo poderoso: eu gosto da minha própria companhia.

 

Com o tempo, algo mudou sem alarde. Passei a escolher melhor. Pessoas, lugares, convites. Parei de aceitar qualquer coisa só para preencher espaço. Quando a solidão deixa de assustar, a gente cria um filtro natural contra o que é raso, apressado ou vazio.

 

Cada pequena saída sozinho virou um treino de coragem. Um compromisso comigo mesmo. Às vezes com frio na barriga, às vezes com dúvida, mas sempre com a sensação de que eu estava me respeitando um pouco mais a cada passo.

 

Hoje sei: muita coisa boa não chega por convite. Chega quando a gente decide ir. Mesmo com medo. Mesmo devagar. Mas indo. Porque quando você se escolhe, o mundo aprende como te encontrar.

 

J.K – 19.01.26




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