Demorei mais do que gostaria para admitir, mas por muito tempo eu só vivia metade das coisas. A outra metade eu deixava guardada, esperando alguém ir junto, alguém confirmar presença, alguém validar minha vontade. Como se meu desejo precisasse de plateia para existir.
O dia em que
percebi isso foi desconfortável. Entendi que, cada vez que eu dizia “deixa pra
depois, se ninguém for”, eu estava entregando meu tempo, minha energia e meu
ritmo nas mãos de outra pessoa. Não era companhia. Era dependência disfarçada
de costume.
Fazer coisas
sozinho não me afastou do mundo — me aproximou de mim. No silêncio de um café
sem conversa, numa caminhada sem pressa, comecei a ouvir pensamentos que antes
eram abafados pelo medo de estar só. E ali descobri algo poderoso: eu gosto da
minha própria companhia.
Com o tempo, algo
mudou sem alarde. Passei a escolher melhor. Pessoas, lugares, convites. Parei
de aceitar qualquer coisa só para preencher espaço. Quando a solidão deixa de
assustar, a gente cria um filtro natural contra o que é raso, apressado ou
vazio.
Cada pequena saída
sozinho virou um treino de coragem. Um compromisso comigo mesmo. Às vezes com
frio na barriga, às vezes com dúvida, mas sempre com a sensação de que eu
estava me respeitando um pouco mais a cada passo.
Hoje sei: muita
coisa boa não chega por convite. Chega quando a gente decide ir. Mesmo com
medo. Mesmo devagar. Mas indo. Porque quando você se escolhe, o mundo aprende
como te encontrar.
J.K – 19.01.26

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