Eu fico hipnotizado assistindo ao Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro
na Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É
impossível não se arrepiar! Cada escola entra como se carregasse o peso e o
orgulho de milhares de histórias. É suor transformado em luxo, é comunidade
virando espetáculo, é arte que nasce da luta e explode em cor.
A Estação Primeira de Mangueira veio gigante. A Beija-Flor de Nilópolis mostrou porque sabe
fazer impacto. A Acadêmicos do Salgueiro
incendiou a avenida. A Portela desfilou
com aquela elegância que parece sussurrar tradição. Todas estavam lindas! Todas
merecem aplauso.
Mas no meio do
brilho, eu me peguei pensando em outra coisa. Carnaval é palco de homenagens —
e eu acho isso maravilhoso. Celebrar cultura, ancestralidade, personagens
históricos, artistas populares… é lindo! Só que quando a exaltação envolve
alguém que ainda ocupa espaço de poder, que ainda decide, que ainda distribui
recursos… eu começo a me perguntar: estamos reverenciando a história ou estamos
fortalecendo relações?
Não é sobre partido! Não é sobre torcida! É sobre
coerência! A avenida é gigante, mas não é ingênua. Quem financia também
aparece, mesmo quando não pisa na passarela. E quando a homenagem vem
acompanhada de patrocínio generoso, eu fico com aquela sensação agridoce — tipo
samba-enredo animado com letra que dá nó na cabeça.
Eu continuo amando
o Carnaval! Continuo acreditando que ele é uma das maiores manifestações
culturais do planeta. Mas talvez amar também seja ter coragem de perguntar.
Porque o samba sempre foi voz do povo — e voz que só aplaude, sem refletir,
vira eco. E eu, sinceramente, prefiro que a bateria marque o ritmo… mas que a
consciência não saia do compasso. 🎭🔥
J.K – 16.02.26

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