segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Quando o samba aplaude… e a gente pensa

   Eu fico hipnotizado assistindo ao Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro na Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É impossível não se arrepiar! Cada escola entra como se carregasse o peso e o orgulho de milhares de histórias. É suor transformado em luxo, é comunidade virando espetáculo, é arte que nasce da luta e explode em cor.

 

A Estação Primeira de Mangueira veio gigante. A Beija-Flor de Nilópolis mostrou porque sabe fazer impacto. A Acadêmicos do Salgueiro incendiou a avenida. A Portela desfilou com aquela elegância que parece sussurrar tradição. Todas estavam lindas! Todas merecem aplauso.

 

Mas no meio do brilho, eu me peguei pensando em outra coisa. Carnaval é palco de homenagens — e eu acho isso maravilhoso. Celebrar cultura, ancestralidade, personagens históricos, artistas populares… é lindo! Só que quando a exaltação envolve alguém que ainda ocupa espaço de poder, que ainda decide, que ainda distribui recursos… eu começo a me perguntar: estamos reverenciando a história ou estamos fortalecendo relações?

 

Não é sobre partido! Não é sobre torcida! É sobre coerência! A avenida é gigante, mas não é ingênua. Quem financia também aparece, mesmo quando não pisa na passarela. E quando a homenagem vem acompanhada de patrocínio generoso, eu fico com aquela sensação agridoce — tipo samba-enredo animado com letra que dá nó na cabeça.

 

Eu continuo amando o Carnaval! Continuo acreditando que ele é uma das maiores manifestações culturais do planeta. Mas talvez amar também seja ter coragem de perguntar. Porque o samba sempre foi voz do povo — e voz que só aplaude, sem refletir, vira eco. E eu, sinceramente, prefiro que a bateria marque o ritmo… mas que a consciência não saia do compasso. 🎭🔥

 

J.K – 16.02.26






Nenhum comentário:

Postar um comentário