sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Quanto menos, mais verdade

    Muitos amigos perguntaram se eu tirei férias, se viajei, e por que não postei fotos. A resposta é simples: há momentos que não pedem vitrine. Eles pertencem ao silêncio da memória, ao arquivo invisível do coração — mesmo que tenham passado pela câmera do celular. Férias, para mim, são assim: vividas antes de serem mostradas, se é que precisam ser.

 

Raramente vocês vão me ver expondo onde estou ou o que faço. Quando aparece algo, quase sempre é em contexto de família ou trabalho. A vida particular, essa, eu guardo. Não por mistério, mas por cuidado. Nem tudo precisa de legenda; algumas coisas pedem apenas presença.

 

Acredito que felicidade incomoda. E não falo da alegria barulhenta, mas da felicidade verdadeira, essa que não precisa provar nada. Quanto menos pessoas sabem da nossa vida, melhor. Não é paranoia — é experiência! Mesmo sem intenção, o olhar pesa, a inveja encosta, e o que era leve pode perder o brilho.

 

Por isso sou mais na minha. Discreto, reservado fora do que é necessário. Talvez muitos não saibam, mas apesar de parecer sociável e espontâneo, eu gosto mesmo é do recolhimento: um bom livro, uma música que abrace, um filme que fique depois, poucos amigos, família por perto. Multidões nunca foram meu lugar. Para mim, quanto menos, é mais — e é exatamente aí que tudo faz sentido.

 


J.K. – 28.12.25




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