terça-feira, 20 de janeiro de 2026

De longe, todo mundo é elegante

  De longe, todo mundo parece normal, equilibrado, quase digno de capa de revista. De perto… bem, de perto a gente descobre que é tudo meio torto, exagerado, esquisito mesmo. Mas é exatamente aí que mora o encanto. Se todo mundo fosse certinho demais, a convivência seria um tédio digno de fila de banco em dia de chuva.

 

Basta chegar num balneário para a elegância tirar férias antes da gente. É um desfile de cadeiras de praia, caixas térmicas, sacolas suspeitas e gente disputando espaço como se estivesse montando acampamento permanente. O cardápio é sempre o mesmo: churrasquinho improvisado, pastel meio murcho, sanduíche amassado e aquela caipirinha que mistura mar, sol e coragem em proporções duvidosas.

 

Tem gente que ama holofotes, lente frontal e legenda reflexiva. Outros, como eu, preferem existir em modo avião nas redes sociais. Quanto menos fotos minhas circulando, melhor para todos — especialmente para mim. Ainda assim, confesso: adoro acompanhar a vida alheia. Acho fascinante como a vida dos outros sempre parece mais interessante, organizada e cheia de sentido do que a nossa. Ilusão? Claro. Mas é uma ilusão gostosa.

 

Enquanto uns transformam o feed num diário aberto, eu sigo discreto, só observando, comentando mentalmente e fingindo maturidade. Não é hipocrisia, é sobrevivência social. Cada um com seu jeito, suas manias, seus exageros e aquela estranheza particular que ninguém admite, mas todo mundo carrega.

 

No fim das contas, apesar dos defeitos — e eu tenho uma coleção respeitável — gosto de acreditar que sou uma boa pessoa. Meio contraditória, meio farofeira, meio curiosa demais com a vida alheia. Mas boa. E você, também se acha uma boa pessoa ou ainda está tentando convencer a si mesmo disso?

 

J.K – 30.12.25





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