De longe, todo mundo parece normal, equilibrado, quase digno de capa de revista. De perto… bem, de perto a gente descobre que é tudo meio torto, exagerado, esquisito mesmo. Mas é exatamente aí que mora o encanto. Se todo mundo fosse certinho demais, a convivência seria um tédio digno de fila de banco em dia de chuva.
Basta chegar num balneário para a elegância tirar
férias antes da gente. É um desfile de cadeiras de praia, caixas térmicas,
sacolas suspeitas e gente disputando espaço como se estivesse montando
acampamento permanente. O cardápio é sempre o mesmo: churrasquinho improvisado,
pastel meio murcho, sanduíche amassado e aquela caipirinha que mistura mar, sol
e coragem em proporções duvidosas.
Tem gente que ama holofotes, lente frontal e
legenda reflexiva. Outros, como eu, preferem existir em modo avião nas redes
sociais. Quanto menos fotos minhas circulando, melhor para todos —
especialmente para mim. Ainda assim, confesso: adoro acompanhar a vida alheia.
Acho fascinante como a vida dos outros sempre parece mais interessante,
organizada e cheia de sentido do que a nossa. Ilusão? Claro. Mas é uma ilusão
gostosa.
Enquanto uns transformam o feed num diário aberto,
eu sigo discreto, só observando, comentando mentalmente e fingindo maturidade.
Não é hipocrisia, é sobrevivência social. Cada um com seu jeito, suas manias,
seus exageros e aquela estranheza particular que ninguém admite, mas todo mundo
carrega.
No fim das contas, apesar dos defeitos — e eu tenho
uma coleção respeitável — gosto de acreditar que sou uma boa pessoa. Meio
contraditória, meio farofeira, meio curiosa demais com a vida alheia. Mas boa.
E você, também se acha uma boa pessoa ou ainda está tentando convencer a si
mesmo disso?
J.K – 30.12.25

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