sábado, 17 de janeiro de 2026

Entre o que fui e o que ainda sou

   Sou páginas escancaradas, mas quase sem enredo. Um sonho frágil, meio perdido, sem lembranças claras do que ficou para trás. Trago marcas de um passado que passou rápido demais, deixando mais silêncio do que respostas. Ainda assim, sigo sendo esse rascunho inacabado chamado eu.

 

Sou cais acolhedor onde poucos atracam. Sou imensidão que recebe rios de histórias alheias, mesmo quando as minhas parecem dispersas. Não finjo ser mais do que sou: um abrigo possível, imperfeito, mas sincero, tentando existir do jeito que dá.

 

Carrego em mim essa contradição curiosa: jovem cansado de tanto viver, velho precoce de tantas dores. Vivi demais em alguns instantes, sofri cedo em outros, e houve partes de mim que morreram antes da hora. Ao mesmo tempo, deixei muita coisa para depois, como se o tempo fosse infinito.

 

Sou livre, e isso me basta! Nunca me curvei como escravo, tampouco usei a máscara de senhor. Sou apenas um homem comum, com falhas e esperanças, que apesar de tudo — e talvez por causa de tudo — ainda acredita no amor!

 

J.K – 28.12.25




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