Sou páginas escancaradas, mas quase sem enredo. Um sonho frágil, meio perdido, sem lembranças claras do que ficou para trás. Trago marcas de um passado que passou rápido demais, deixando mais silêncio do que respostas. Ainda assim, sigo sendo esse rascunho inacabado chamado eu.
Sou cais acolhedor onde poucos atracam. Sou
imensidão que recebe rios de histórias alheias, mesmo quando as minhas parecem
dispersas. Não finjo ser mais do que sou: um abrigo possível, imperfeito, mas
sincero, tentando existir do jeito que dá.
Carrego em mim essa contradição curiosa: jovem
cansado de tanto viver, velho precoce de tantas dores. Vivi demais em alguns
instantes, sofri cedo em outros, e houve partes de mim que morreram antes da
hora. Ao mesmo tempo, deixei muita coisa para depois, como se o tempo fosse
infinito.
Sou livre, e isso me basta! Nunca me curvei como
escravo, tampouco usei a máscara de senhor. Sou apenas um homem comum, com
falhas e esperanças, que apesar de tudo — e talvez por causa de tudo — ainda
acredita no amor!
J.K – 28.12.25

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