Nunca fui daqueles torcedores fanáticos, desses que vivem o futebol como religião. Confesso que já gostei mais — e muito mais. Já vibrei em Inter x Grêmio, já senti a energia de Juventude x Caxias no estádio, aquele frio na barriga que só o futebol raiz sabia provocar. Naquele tempo, a bola parecia obedecer ao coração. Os jogadores jogavam por amor à camisa, o futebol era arte, encantava no gramado e na televisão. Hoje, dói admitir, isso se perdeu. O amor virou contrato, a paixão virou salário. Jogam mais pelo quanto ganham do que pelo escudo que vestem. E antes que perguntem: sim, torço pelo Internacional e pelo Juventude.
Com a política, o
caminho foi parecido. Nunca fui fanático, mas já fui mais interessado, mais
esperançoso. Hoje, a política virou torcida organizada — e das mais
intolerantes. Se tu é de direita, a esquerda te massacra. Se é de esquerda, a
direita faz o mesmo. Não existe mais conversa, só rótulos. Amigos se afastam,
outros se revelam apenas conhecidos, incapazes de aceitar que alguém pense
diferente. Eu respeito quem pensa diferente de mim. Evito debates vazios. Mas
voto consciente: pesquiso propostas, histórias, coerência. Sei muito bem em
quem votei e em quem votarei.
Ainda assim, não
escondo a frustração. Estou decepcionado com muitos dos que hoje ocupam o
poder. Prometeram muito, entregaram pouco. Cobram impostos com rigor, mas
devolvem migalhas em forma de serviços. A conta chega sempre para o cidadão
comum. E, mesmo sabendo que o sistema é falho, cansativo e, muitas vezes,
injusto, seguimos em frente. Porque a alternativa — desistir — custa caro
demais.
Agora, às vésperas
de mais uma eleição, resta a esperança teimosa de que algo possa melhorar. Que
os novos candidatos olhem menos para os partidos e mais para as pessoas. Menos
para os próprios bolsos e mais para quem os elege. E, aqui entre nós, concordo
com aquela velha ideia: políticos, assim como fraldas, precisam ser trocados de
tempos em tempos. Antes de votar, pesquise. Conheça. Questione. E se não
cumprirem o que prometeram, que a gente não se cale. Que vá às ruas, que cobre,
que participe. Porque só assim esse país — esse lugar que é nosso — pode se
tornar mais justo, mais igual e, sobretudo, melhor para se viver.
J.K – 30.01.26

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