sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Entre a Paixão que se Perdeu e a Esperança que Insiste

  Nunca fui daqueles torcedores fanáticos, desses que vivem o futebol como religião. Confesso que já gostei mais — e muito mais. Já vibrei em Inter x Grêmio, já senti a energia de Juventude x Caxias no estádio, aquele frio na barriga que só o futebol raiz sabia provocar. Naquele tempo, a bola parecia obedecer ao coração. Os jogadores jogavam por amor à camisa, o futebol era arte, encantava no gramado e na televisão. Hoje, dói admitir, isso se perdeu. O amor virou contrato, a paixão virou salário. Jogam mais pelo quanto ganham do que pelo escudo que vestem. E antes que perguntem: sim, torço pelo Internacional e pelo Juventude.


Com a política, o caminho foi parecido. Nunca fui fanático, mas já fui mais interessado, mais esperançoso. Hoje, a política virou torcida organizada — e das mais intolerantes. Se tu é de direita, a esquerda te massacra. Se é de esquerda, a direita faz o mesmo. Não existe mais conversa, só rótulos. Amigos se afastam, outros se revelam apenas conhecidos, incapazes de aceitar que alguém pense diferente. Eu respeito quem pensa diferente de mim. Evito debates vazios. Mas voto consciente: pesquiso propostas, histórias, coerência. Sei muito bem em quem votei e em quem votarei.


Ainda assim, não escondo a frustração. Estou decepcionado com muitos dos que hoje ocupam o poder. Prometeram muito, entregaram pouco. Cobram impostos com rigor, mas devolvem migalhas em forma de serviços. A conta chega sempre para o cidadão comum. E, mesmo sabendo que o sistema é falho, cansativo e, muitas vezes, injusto, seguimos em frente. Porque a alternativa — desistir — custa caro demais.


Agora, às vésperas de mais uma eleição, resta a esperança teimosa de que algo possa melhorar. Que os novos candidatos olhem menos para os partidos e mais para as pessoas. Menos para os próprios bolsos e mais para quem os elege. E, aqui entre nós, concordo com aquela velha ideia: políticos, assim como fraldas, precisam ser trocados de tempos em tempos. Antes de votar, pesquise. Conheça. Questione. E se não cumprirem o que prometeram, que a gente não se cale. Que vá às ruas, que cobre, que participe. Porque só assim esse país — esse lugar que é nosso — pode se tornar mais justo, mais igual e, sobretudo, melhor para se viver.

 

 

J.K – 30.01.26




 

Nenhum comentário:

Postar um comentário