Me vou deste rincão com o peito meio atravessado, sem afeto no embornal. Deixo o Rio Grande pra trás devagarito, como quem respeita a terra antes de seguir viagem. Vou só, que certas dores a gente não reparte nem em roda de mate.
Carrego lembrança de um querer que nasceu quieto,
no tropeço dos olhos, sem promessa grande. Foi amor ligeiro, feito flor nativa:
abriu bonito, faceiro, mas não aguentou o tempo brabo e se perdeu cedo no campo
da vida.
Mas este chão não se perde de mim, não. Sei que um
dia volto, pra rever o Guaíba correndo largo, pra sentir o vento minuano no
rosto e pisar de novo nesse chão que a gente chama de seu, mesmo quando anda
longe.
E se ela ainda quiser dividir a sombra e o mate,
que seja simples: só nós dois, proseando baixo, rindo sem pressa. Agora sigo
estrada afora — e que ninguém se engane: até gaúcho firme embarga a voz quando
precisa se apartar.
J.K – 02.01.26

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