segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O amor que insiste

   Descubro que ser solteiro ou separado é, de certa forma, desacreditar no verdadeiro amor. Damos mais valor aos amores “fogo de palha”, aqueles que ardem rápido, iluminam por horas ou dias e depois se apagam por falta de lenha. Ser solteiro é esquecer que o grande amor da nossa vida podemos ser nós mesmos e, quem sabe, acreditar que lá na frente existe alguém que seja exatamente para nós.

 

Eu mesmo falo muito sobre amor, mas confesso: sei pouco. Não enxergo amor onde existe egoísmo ou indiferença. Para mim, amar é construir, mas também renunciar. É abrir mão de algo que você quer só para si, como aquela sobremesa que tanto deseja, e dividir com quem se ama de verdade.

 

O amor precisa ser renovado todos os dias, cuidado e regado com atenção. Ele é analgésico para a dureza da vida, especialmente em tempos difíceis como os que vivemos. Mesmo quando os corações ficam frios ou egoístas, o amor não morre; ele insiste, persiste e continua a germinar, mostrando sua força silenciosa.

 

Amar é, muitas vezes, como ser um adolescente insurreto: brigar sem parar, suspirar sem razão, querer transformar o mundo com a intensidade que só ele conhece. O amor não espera, não tem hora marcada, entra sem bater e pega a gente de surpresa, trazendo inquietação, calor e vida.

 

E, entre nós, o amor é inclassificável. Não se prende a rótulos, cores, credos ou regras. Ele simplesmente se sente, é livre e ainda vale a pena ser vivido. Porque, no fundo, amar é a forma mais humana de insistir, de persistir e de se conectar com algo maior que nós mesmos.

 

J.K – 29.12.25




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