Sempre acreditei que o tempo é o juiz mais paciente que existe. Ele observa, anota em silêncio e, quando decide agir, não pede desculpa. O que caiu não despencou por surpresa, mas por desgaste! Um poder que sobreviveu à base de frases recicladas e de uma realidade negada tantas vezes que acabou se tornando insustentável até para quem fingia não ver.
Nas ruas, a cena não tem nada de simbólica ou
abstrata. É concreta, barulhenta e humana! São pessoas celebrando não uma
ideologia, mas o fim de um sufoco. Gente que aprendeu a conviver com a
escassez, com a partida dos seus e com a sensação de viver sempre no limite.
Enquanto isso, à distância segura, alguns ainda defendem ruínas como se fossem
monumentos.
Há quem tente explicar tudo com uma única palavra
mágica, como se ela resolvesse o quebra-cabeça inteiro. Petróleo! Dizem, como
se riqueza natural fosse responsável por autoritarismo, miséria e destruição.
Esquecem — ou preferem esquecer — que houve um tempo em que esse mesmo recurso
financiava crescimento, trabalho e normalidade. O problema nunca foi o que
havia no subsolo, mas o que faltou na condução.
Quando governar virou doutrinar, o país entrou em
modo de contenção permanente. A gestão cedeu lugar ao controle, a pluralidade
virou ameaça e o pragmatismo foi tratado como traição. O resultado não veio em
discurso, veio em colapso: social, econômico e humano.
O poder caiu porque nenhum projeto resiste
indefinidamente ao próprio delírio. A história até tolera arrogância por um
tempo, mas não convive com ela para sempre. Enquanto alguns choram a queda de
um ícone gasto, milhões enxergam algo raro e precioso: a chance de recomeçar um
país que volte a existir para as pessoas, não para os slogans!
J.K – 05.01.26

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