quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Dalton Martins, meu pai

   Há exatos 24 anos meu pai partiu. O tempo passou, o mundo mudou, eu mudei — mas a saudade não. O amor e a admiração continuam intactos, como se ele tivesse saído ontem e esquecido algo importante em casa. É impossível lembrar do Seu Martins sem que o peito aperte e os olhos denunciem.

 

Ele não foi perfeito, e ainda bem! Nunca deixou faltar nada para nós, principalmente amor. Foi mais do que pai: foi herói, foi bandido quando precisava me assustar, e foi meu melhor amigo quando eu mais precisei. Hoje entendo que tudo o que ele queria era o meu bem! O melhor para mim! Eu é que era peralta demais, travesso demais, imaturo demais para compreender seus ensinamentos na época.

 

Escrever sobre o Dalton é deixar a verdade entrar sem pedir licença. Sempre desejei ser ao menos um terço do homem extraordinário que ele foi — pelo caráter, pelo talento, pela forma como cuidava da família, dos amigos e dos negócios. Ele tinha o dom raro de ser grande sem fazer barulho.

 

Meu pai foi querido por todos. Deixou marcas, histórias e uma presença que o tempo não apagou. Era um homem de fé, educado, elegante nos gestos e simples na essência. Sabia transitar entre a firmeza e o carinho como poucos.

 

Ele me ensinou que o amor não acaba. Que família é a maior riqueza que alguém pode ter. Que não existe nada mais valioso do que chegar em casa no fim do dia e ser recebido de braços abertos — seja por quem divide o sangue, seja por quem escolheu ficar.

 

Hoje, quando me olho no espelho, vejo meu pai refletido em mim. A semelhança vai além do rosto: está nos gestos, nas manias, na forma de amar. Às vezes, encaro meu reflexo e brinco comigo mesmo: “por que você tá me olhando assim, Seu Martins?” — de tão impressionante que é a semelhança. E lá do Céu, com todos os meus defeitos, eu sei que ele se orgulha do filho que tenta, todos os dias, ser um pouco mais como ele.

 

J.K – 17.12.25







2 comentários:

  1. Bela montagem, meu querido e amigo sogro. Meu cunhado, parabéns pela postagem

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    1. Muito obrigado, cunhado! Você é um irmão para mim!

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