Hoje em dia, manter um relacionamento virou tarefa difícil. Vivemos a era dos fast amores, das fast fodas, do sexo por aplicativo, entregue em domicílio e descartado na manhã seguinte. A solidão aperta, abre-se um site de encontros, um chat, um aplicativo qualquer. Conhece alguém hoje, transa hoje e, na maioria das vezes, nunca mais. O sexo virou isso: você consome e segue adiante, sem digestão, sem memória.
Essa geração não
se preocupa mais com o ritual da conquista. A sedução perdeu o encanto, a
espera virou desperdício de tempo. No meu tempo — e não digo isso com nostalgia
vazia — a gente aprendia a esperar. Esperava o momento certo para o toque, para
o sexo, para pedir em namoro, para pensar em casamento. Sabíamos que a vida não
vinha pronta, que tudo exigia paciência, esforço e desejo verdadeiro. E,
principalmente, sabíamos o que queríamos.
Hoje, tudo se
abandona com facilidade. Começa uma faculdade, não gosta, bloqueia. Arruma um
emprego, não se adapta, pede demissão. Inicia um relacionamento, surge a
primeira frustração, termina. Não se sustenta nada. Tudo precisa ser rápido,
simples, sem desconforto. Pouco se pensa nas consequências, muito menos no
processo.
Funciona assim:
deu fome, fast food. Quer roupa, fast fashion. Quer alguém,
aplicativo. Incomodou, silencia. Discordou, bloqueia. Cansou, dá mute,
desfaz amizade, apaga da vida. Sempre existe um atalho, uma artimanha, um jeito
fácil de não lidar com o que exige esforço. E assim se pula de galho em galho,
sem raiz, sem chão, sem saber o que realmente se quer.
No fundo, o que
vejo são pessoas tentando preencher um vazio enorme, acreditando que insistir é
fracasso. Não aprenderam que tudo o que vale a pena exige tempo. Que é preciso
plantar antes de colher. Que nem todo desconforto é sinal de erro — às vezes, é
só crescimento.
J.K 17.12.25

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