Resolvi escrever sobre um tema delicado e profundamente espiritual: minha Experiência de Quase Morte. Não por curiosidade ou escolha, mas porque a vida me levou até um limite onde o corpo já não manda mais e a alma começa a sussurrar verdades.
Tudo aconteceu
durante uma cirurgia na mão direita. Em determinado momento, algo se rompeu —
não apenas no corpo, mas no tempo. Meu coração parou. E, nesse instante, eu não
fui embora… apenas deixei de estar aqui.
Eu via e ouvia
tudo. As vozes, os movimentos, os esforços ao meu redor. Eu via meu corpo
deitado na mesa de cirurgia, imóvel, enquanto eu estava desperto em outro lugar.
Não havia medo. Havia clareza!
Então surgiu um
túnel. Escuro no início, mas conduzindo a uma luz dourada e branca, quente e
viva. Não era uma luz que cegava, era uma luz que acolhia. Nela havia paz,
reconhecimento, pertencimento. Minha vida passou diante de mim como um sopro, e
um amor imenso tomou conta de tudo — um amor sem julgamento, sem cobrança, sem
tempo.
Eu sentia que
alguém me esperava. Não vi um rosto, não ouvi palavras, mas havia presença. Uma
presença que dizia, sem voz: você está seguro. O que vivi ali não cabe
em explicações humanas. Há experiências que só o espírito compreende.
Enquanto isso,
aqui, tentavam me trazer de volta. Eu escutava cada esforço. Lembro de ouvir
que eu ainda estava vivo porque uma lágrima escorreu do meu olho. Eu tentava
avisar que estava ali, que escutava, que sentia — mas não conseguia me mover. E
mesmo assim, não houve desespero. A serenidade era absoluta. A morte, naquele
instante, não assustava. Ela parecia um retorno.
Voltei. Graças às
mãos humanas, mas também — eu acredito — por decisão divina. Voltei diferente.
Mais atento ao simples, menos preso ao material, mais consciente do essencial.
Desde então,
ganhei um amigo invisível aos olhos, mas presente em tudo. Converso com Ele
todos os dias. Dou bom-dia, boa-noite, entrego minhas dores, minhas dúvidas e
minha gratidão. Nele eu acredito. Nele eu descanso. E sei que, quando chegar a
hora, nos reconheceremos sem susto. Nesse dia, vou abraçá-lo e dizer, com a paz
que senti naquele túnel de luz: “Finalmente te conheci, meu amigo. Meu Deus.”
J.K – 17.12.25

Nenhum comentário:
Postar um comentário