segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Entre provocações e promessas

    Você chega com esse olhar que desmonta qualquer defesa minha. Tem algo selvagem escondido no teu jeito suave, como se cada gesto teu fosse um convite silencioso para eu me perder. E eu me perco mesmo — na tua pele, no teu riso, nesse perigo doce que você carrega sem perceber. Você me provoca, me cutuca por dentro, me chama… mas nunca se entrega inteira.


E aí fica esse jogo, esse vai-e-vem que me deixa no limite entre querer e desistir. Você jura que me quer, que sou eu, mas ao mesmo tempo me mantém do lado de fora, espiando por uma fresta aquilo que você não permite que eu alcance. E eu tremo, confesso. Porque sua delicadeza bagunça mais do que qualquer tempestade. Você me acende como ninguém — e, ironicamente, me deixa no escuro.


Mas eu não sou de meia-verdade, nem de paixão pela metade. Já aprendi que desejo sem coragem vira só repetição de frustração. Eu quero peito aberto, quero entrega, quero sentir que você me leva para dentro do seu mundo e não apenas me ronda pela beirada. Porque esse joguinho até diverte… mas não sustenta. O que eu quero mesmo é você inteira — corpo, impulso e coração, principalmente o coração.


E se você viesse de verdade? Se deixasse cair essa resistência disfarçada de charme? Se me puxasse para perto, sem medo do depois? Eu te acompanharia sem pensar duas vezes. Te levaria comigo para longe dos roteiros prontos, te deitaria no meu peito e te mostraria, com calma e vontade, tudo o que é possível quando ninguém está brincando. Só depende de você. Porque se me levar… eu vou.

 

J.K – 10.12.25






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