terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Agora é a minha vez de falar

   Você vai escutar o que ficou entalado por tempo demais. Dizem que tudo melhora quando a gente esquece, e talvez até melhore mesmo. Mas há feridas que a memória se recusa a apagar. Eu não esqueci da falta de cuidado, nem da indiferença travestida de silêncio. O que você fez não foi pequeno — atingiu direto um coração que só queria permanecer inteiro.

O que digo agora não nasce da raiva, mas da clareza. São palavras sem enfeite, diretas, duras como precisam ser. Não há exagero, não há encenação. Apenas a verdade exposta, limpa, sem disfarces. É o limite sendo desenhado com calma: existe uma saída, e ela não passa mais por mim.

Fiquei tempo demais recolhido em mim mesmo. Houve dias longos de solidão, noites de choro contido, um cansaço que parecia não ter fim. Aguentei, esperei, sobrevivi. Aos poucos, comecei a me refazer, a respirar melhor, a acreditar que a dor também cansa de machucar.

E é justamente agora, quando volto a me encontrar, que você resolve bater à porta outra vez. Mas não. Não mais. Há encontros que só atrasam a cura. Se você voltou para perturbar a paz que demorei tanto a construir, chegou atrasado. O que eu devia a mim mesmo, eu já paguei. E seguir em frente também é um ato de coragem.

 

J.K – 26.12.25






Nenhum comentário:

Postar um comentário