segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Elis, 44 anos depois

Hoje, 19 de janeiro, fazem exatos 44 anos que Elis Regina nos deixou.

Em 1982, o corpo silenciava cedo demais e se juntava às estrelas, mas a voz — intensa, urgente, indomável — começava ali sua travessia definitiva pelo tempo. A vida e a carreira, tão intensas quanto breves, deixaram uma marca única, dessas que não se apagam.

Era um furacão. Devastadora. Elis vivia sem meias-verdades e se entregava inteira à música. Derrubou conceitos, confundiu, anarquizou, gritou e encantou. ❤🌹

Elis não canta, Elis atravessa a gente.  


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Ser gaúcho e falar de Elis Regina nunca é um gesto neutro. É sempre um misto de orgulho, emoção e aquela suspeita deliciosa de que a gente está sendo bairrista — e está mesmo. Mas como não ser, se Elis foi uma das maiores cantoras do Brasil e do mundo? Daquelas vozes que não pedem licença: entram, ocupam e ficam.


Elis cantava com o corpo inteiro. Cada música parecia uma urgência. Em Arrastão, ela já avisava que vinha para ficar, rasgando o palco com força e presença. Em Como nossos pais, não era só uma canção: era um espelho desconfortável, desses que mostram verdades que a gente tenta driblar. Elis nunca foi trilha sonora de fundo — ela sempre foi o centro da sala.


O que mais me impressiona é como Elis conseguia ser técnica e emoção na mesma medida. Perfeita sem ser fria. Intensa sem ser exagerada. Em Águas de março, ela brincava com a música como quem entende profundamente o jogo da vida. Já em O bêbado e a equilibrista, virou símbolo de esperança num país machucado, cantando o que muita gente sentia, mas não conseguia dizer.

Elis tinha opinião, tinha coragem e tinha pressa. Cantava como quem sabe que o tempo é curto demais pra ser morno. Talvez por isso sua voz ainda soe tão atual. Ela não envelheceu. Não ficou datada. Elis segue viva porque cantava verdades humanas, dessas que atravessam décadas sem perder o sentido.


Como gaúcho, confesso: ouvir Elis dá um orgulho danado. Não só por ela ter nascido aqui, mas porque ela carregava no canto uma força que combina com vento sul, com céu pesado e com coração intenso. Elis era emoção em estado bruto — lapidada pela música, mas nunca domesticada.


Elis Regina não morreu. Ela ecoa. Em cada interpretação arrebatadora, em cada música que arrepia, em cada silêncio respeitoso depois do último acorde. E se isso é bairrismo, que seja. Porque algumas vozes não pertencem só a um lugar — mas a gente tem, sim, o direito de dizer com o peito estufado: essa voz nasceu aqui. 🎶💚

 

J.K – 19.01.26




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