Nunca imaginei que um dia eu cruzaria com o diabo. E não foi em encruzilhada, nem com cheiro de enxofre. Foi num encontro casual desses que a vida marca sem avisar. Elegante, irônico, sorriso fácil e um papo envolvente. Se apresentou como “um anjo que caiu, mas caiu de pé”. Já gostei de cara. 😈😅
O curioso é que ele não tentou me tentar com
dinheiro, fama ou promessas mirabolantes. Nada disso. O sujeito só me ofereceu
verdades. Daquelas que a gente evita ouvir, mas reconhece na hora. Falou dos
meus excessos, das minhas incoerências e, principalmente, da minha mania de me
sabotar achando que é humildade. O danado era perspicaz.
Conversamos como velhos conhecidos. Rimos bastante.
Ele dizia que o inferno anda vazio porque o pessoal anda se condenando sozinho,
sem precisar de ajuda. Confesso que gargalhei alto. O diabo tem um humor
refinado e um talento especial pra jogar espelho na nossa frente.
No fim, percebi que aquele encontro não era sobre
ele, mas sobre mim. O tal anjo caído só apareceu pra me lembrar que nem todo
erro é pecado e que nem toda virtude é santa. Às vezes, a tentação é só um
convite pra ser mais honesto consigo mesmo.
Me despedi agradecendo. Ele sorriu, ajeitou as asas
imaginárias e sumiu como quem sabe que cumpriu bem o papel. Voltei pra casa
leve, rindo sozinho e pensando: se até o diabo anda tão lúcido, talvez esteja
na hora de eu prestar mais atenção em mim. 😄🔥
J.K -
02.01.26

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