terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Os novos 60 não pedem licença

   Chegar aos 50 é um susto silencioso. Não dói, não faz barulho, mas muda tudo por dentro. De repente, o espelho não mente mais, o corpo dá seus avisos educados (às vezes nem tanto) e a vida começa a perguntar, com mais insistência: “e agora, vai viver ou apenas continuar existindo?”. Foi aí que entendi que envelhecer não é perder tempo, é ganhar consciência.

 

Os 60 que se aproximam já não cabem mais na palavra “idoso”. Idoso soa como pausa, espera, fim de linha. Nós não somos isso. Somos 60+, somos movimento, curiosidade, reinvenção. Somos NOLT — New Older Living Trend — uma geração que não aceita ser empurrada para a prateleira do “já foi”. A gente ainda quer aprender, errar de novo, mudar de ideia e, se possível, mudar de rota.

 

A maturidade deixou de ser sinônimo de resignação. Hoje ela anda de mãos dadas com propósito. A gente escolhe melhor as batalhas, filtra melhor as pessoas, valoriza o silêncio e desconfia das pressas. Não é que falte tempo — é que agora ele é precioso demais para ser desperdiçado com o que não faz sentido.

 

Ser 60+ é carregar histórias no corpo e curiosidade nos olhos. É entender que evolução não tem idade, que desejo não tem prazo de validade e que crescer, no fundo, nunca foi sobre números. É sobre não endurecer. Sobre continuar flexível, emocionalmente vivo e disposto a aprender até com aquilo que a gente jurava já saber.

 

Se os 20 foram impulsos e os 40 foram cobranças, os novos 60 prometem ser escolhas. Escolher viver com mais verdade, menos medo e um baita respeito pela própria trajetória. Porque envelhecer, no fim das contas, não é um problema. O problema seria parar de evoluir. E isso, meu amigo, definitivamente não é coisa da nossa geração.

 

J.K – 19.01.26




 

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