Há exatos 24 anos meu pai partiu. O tempo passou, o mundo mudou, eu mudei — mas a saudade não. O amor e a admiração continuam intactos, como se ele tivesse saído ontem e esquecido algo importante em casa. É impossível lembrar do Seu Martins sem que o peito aperte e os olhos denunciem.
Ele não foi
perfeito, e ainda bem! Nunca deixou faltar nada para nós, principalmente amor.
Foi mais do que pai: foi herói, foi bandido quando precisava me assustar, e foi
meu melhor amigo quando eu mais precisei. Hoje entendo que tudo o que ele
queria era o meu bem! O melhor para mim! Eu é que era peralta demais, travesso
demais, imaturo demais para compreender seus ensinamentos na época.
Escrever sobre o
Dalton é deixar a verdade entrar sem pedir licença. Sempre desejei ser ao menos
um terço do homem extraordinário que ele foi — pelo caráter, pelo talento, pela
forma como cuidava da família, dos amigos e dos negócios. Ele tinha o dom raro
de ser grande sem fazer barulho.
Meu pai foi
querido por todos. Deixou marcas, histórias e uma presença que o tempo não
apagou. Era um homem de fé, educado, elegante nos gestos e simples na essência.
Sabia transitar entre a firmeza e o carinho como poucos.
Ele me ensinou que
o amor não acaba. Que família é a maior riqueza que alguém pode ter. Que não
existe nada mais valioso do que chegar em casa no fim do dia e ser recebido de
braços abertos — seja por quem divide o sangue, seja por quem escolheu ficar.
Hoje, quando me olho no espelho, vejo meu
pai refletido em mim. A semelhança vai além do rosto: está nos gestos, nas
manias, na forma de amar. Às vezes, encaro meu reflexo e brinco comigo mesmo: “por
que você tá me olhando assim, Seu Martins?” — de tão impressionante que é
a semelhança. E lá do Céu, com todos os meus defeitos, eu sei que ele se
orgulha do filho que tenta, todos os dias, ser um pouco mais como ele.
J.K – 17.12.25

Bela montagem, meu querido e amigo sogro. Meu cunhado, parabéns pela postagem
ResponderExcluirMuito obrigado, cunhado! Você é um irmão para mim!
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