domingo, 4 de janeiro de 2026

Entre o amor e o caos


    Eles brigam feito cão e gato, e às vezes eu juro que é dessa mistura de caos e carinho que nasce essa história tão torta e tão bonita. É como se cada discussão fosse apenas uma forma torta de confirmar que, apesar de tudo, eles sempre voltam um para o outro. Vivem caminhos paralelos, famílias diferentes, rotinas que não se encontram… mas basta um instante, um gesto, uma brecha no tempo, e o elo reaparece, firme, teimoso, impossível de romper.


Eles juram amor eterno com a mesma força com que, minutos depois, parecem querer devorar o fígado um do outro. É intenso, contraditório, exagerado. Mas talvez seja exatamente isso que os define: a impossibilidade de viverem algo morno. Quando se amam, é com o corpo inteiro. Quando se ferem, também. Ainda assim, no silêncio entre uma tormenta e outra, existe um sentimento que não desiste, que insiste, que permanece.


No fundo, eles carregam uma verdade que nem sempre têm coragem de admitir: um não sabe existir sem o outro. Podem até tentar, podem fingir que seguem em frente, que vivem suas vidas separadas, que o destino já os desencontrou. Mas basta o vazio apertar o peito para perceberem que falta um pedaço — e esse pedaço tem nome, rosto, cheiro, história.


E é nesse vai e vem, entre amor e raiva, promessa e ruptura, que eles se encontram de verdade. Talvez não sejam perfeitos, talvez nunca encontrem a paz que tantos procuram. Mas há algo neles que é maior do que os tropeços: a certeza silenciosa — e, ao mesmo tempo, gritante — de que um sente falta do outro, sempre. E que, de um jeito ou de outro, vão continuar se procurando, mesmo quando juram que não querem mais.

 

J.K 10.12.25

2 comentários:

  1. Boa noite! Quanto tempo,que não venho aqui,já estava com saudades dos seus textos lindos!...
    Ps...Esse texto está: Eu diria,uma mistura de estamos brigados,mas com uma louca vontade de vamos voltar!? Lindo demais!!

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    1. Esse texto realmente é um reflexo dos altos e baixos da vida, mas com uma esperança de reconciliação. Nem eu mesmo sei responder.

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