sábado, 10 de janeiro de 2026

A rebeldia tardia de uma italiana apaixonada


   Outro
dia, conversando com um amigo e sua esposa, ouvi uma história que me fez rir, suspirar e perder um pouco mais a fé na humanidade. A mãe dele, viúva, com mais de 70 anos, decidiu que já tinha sido sensata demais nessa vida. Resolveu se rebelar. Resolveu namorar. E resolveu fazer isso sem capacete emocional.

Até aí, tudo ótimo. Amor não tem idade, não tem freio e claramente não tem assessoria jurídica. O detalhe inconveniente é que o namorado, além de bem mais jovem, não trabalha. E como todo romântico atualizado, além de pedir ajuda financeira, passou direto para o modo profissional: pediu PIX. Porque o amor evoluiu — antes eram flores, hoje é PIX. De preferência com chave aleatória e urgência.

A doce italiana, dessas que alimentam três gerações e ainda mandam marmita pro vizinho, já fugiu pra namorar de madrugada, ao amanhecer, na praça, no cemitério (sim, no cemitério!) e em qualquer lugar que tivesse um banco disponível e nenhuma testemunha. A paixão não escolhe cenário. O aproveitador, sim.

Ela quer carinho. Ele quer “apoio”. Ela sonha com romance. Ele sonha com saldo positivo. E assim nasce uma nova modalidade afetiva: o amor por transferência, onde o sentimento é intenso, mas o compromisso só aparece depois que o dinheiro cai na conta.

No fim, ela segue apaixonada, rebelde e acreditando no amor. Já ele segue firme, empreendedor, atuando no setor mais promissor do país: a mineração de ingenuidade alheia, com recebimento imediato e sem nota fiscal. 💸🖤

 

J.K – 08.01.26

 



 


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