sábado, 31 de janeiro de 2026

Quando a Pepsi resolveu cutucar a gigante

 Confesso sem medo: eu adoro uma boa provocação bem feita. Daquelas inteligentes, irônicas, que não gritam, mas dão aquele tapinha no ombro e dizem “viu só?”. Foi exatamente isso que senti assistindo ao comercial da Pepsi cutucando a Coca-Cola. Ri sozinho. E ri com gosto. Porque quando a ousadia vem com criatividade, fica impossível não aplaudir.


O mais bonito ali não foi só a piada — foi a coragem. Provocar quem é maior exige sagacidade, timing e uma pitada de atrevimento bem calculado. A Pepsi foi lá, serviu o copo cheio e deixou a Coca que resolvesse se ia brindar junto ou engolir seco. Spoiler: genialidade reconhece genialidade, mesmo quando dói 😏.


Me peguei pensando como a publicidade anda precisando disso: menos obviedade, menos fórmula pronta e mais personalidade. O comercial não tentou convencer ninguém a mudar de lado. Só mostrou que tem espaço pra brincar, pra provocar e pra lembrar que marcas também podem ter senso de humor — e autoestima.


No fim, fiquei com aquela sensação boa de quem viu algo bem feito. Não é sobre Pepsi ou Coca. É sobre inteligência criativa, sobre rir de si mesmo e sobre entender que, às vezes, ganhar não é vender mais… é ser lembrado com um sorriso no rosto. E isso, meus amigos, a Pepsi conseguiu com gelo, gás e uma bela piscadela.

 

J.K – 31.01.26




Manual prático para gostar de quem some

 Ela promete eternidade em mensagens de WhatsApp, distribui corações, palavras bonitas e, quando tudo parece estável… desaparece! Some como quem vai ali comprar pão e resolve mudar de cidade. Nem pergunta se cheguei bem da viagem, se sobrevivi à semana ou se traí — em pensamento, corpo ou imaginação. Me deixa no vácuo com a maior naturalidade do mundo.

 

Ela é estranha! E talvez seja exatamente isso que me pega. Gosto do jeito torto, das provocações calculadas, dos ciúmes plantados com frases inocentes demais pra serem verdade. Diz que falou com outros amigos, que mandou mensagem errada, que não era pra mim… nem pro marido. Era pra outro alguém qualquer, desses que aparecem só pra me lembrar que não sou centro de nada. Funciona! Sempre funciona!

 

O curioso é que eu nunca puxo assunto. Sou orgulhoso, meio travado, desses que preferem sentir falta em silêncio a correr o risco de parecer carente. Mas quando ela some, sinto. Sinto mesmo! Começo a criar histórias: penso se está triste, se viajou, se a vida apertou, se cansou de mim ou se resolveu dar um tempo — desses que não têm data pra acabar.

 

Fico ainda mais perdido quando ela não curte nem comenta o que posto. O mundo segue, os stories passam, e o dela não aparece. Semana passada, nem um “oi”. Cheguei a desconfiar de mim, revisitar culpas antigas, procurar erros invisíveis. Mas, desta vez, estou limpo. Inocente! Meu único crime é gostar dela com seus defeitos… e não saber chamar quando a saudade aperta.

 

E olha que estou tentando melhorar. Menos marreto, mais acessível — conforme orientação dela, inclusive! Quem diria. Talvez esse seja meu maior gesto de amor: mudar um pouco, mesmo sem saber se ela vai voltar. Porque no fim, entre sumiços e silêncios, sigo aqui… apaixonado, confuso e levemente otimista.

 

J.K – 31.01.26




Estrada campeira

 Me vou deste rincão com o peito meio atravessado, sem afeto no embornal. Deixo o Rio Grande pra trás devagarito, como quem respeita a terra antes de seguir viagem. Vou só, que certas dores a gente não reparte nem em roda de mate.


Carrego lembrança de um querer que nasceu quieto, no tropeço dos olhos, sem promessa grande. Foi amor ligeiro, feito flor nativa: abriu bonito, faceiro, mas não aguentou o tempo brabo e se perdeu cedo no campo da vida.


Mas este chão não se perde de mim, não. Sei que um dia volto, pra rever o Guaíba correndo largo, pra sentir o vento minuano no rosto e pisar de novo nesse chão que a gente chama de seu, mesmo quando anda longe.


E se ela ainda quiser dividir a sombra e o mate, que seja simples: só nós dois, proseando baixo, rindo sem pressa. Agora sigo estrada afora — e que ninguém se engane: até gaúcho firme embarga a voz quando precisa se apartar.

 

J.K – 02.01.26




Encontro inesperado

   Nunca imaginei que um dia eu cruzaria com o diabo. E não foi em encruzilhada, nem com cheiro de enxofre. Foi num encontro casual desses que a vida marca sem avisar. Elegante, irônico, sorriso fácil e um papo envolvente. Se apresentou como “um anjo que caiu, mas caiu de pé”. Já gostei de cara. 😈😅


O curioso é que ele não tentou me tentar com dinheiro, fama ou promessas mirabolantes. Nada disso. O sujeito só me ofereceu verdades. Daquelas que a gente evita ouvir, mas reconhece na hora. Falou dos meus excessos, das minhas incoerências e, principalmente, da minha mania de me sabotar achando que é humildade. O danado era perspicaz.


Conversamos como velhos conhecidos. Rimos bastante. Ele dizia que o inferno anda vazio porque o pessoal anda se condenando sozinho, sem precisar de ajuda. Confesso que gargalhei alto. O diabo tem um humor refinado e um talento especial pra jogar espelho na nossa frente.


No fim, percebi que aquele encontro não era sobre ele, mas sobre mim. O tal anjo caído só apareceu pra me lembrar que nem todo erro é pecado e que nem toda virtude é santa. Às vezes, a tentação é só um convite pra ser mais honesto consigo mesmo.


Me despedi agradecendo. Ele sorriu, ajeitou as asas imaginárias e sumiu como quem sabe que cumpriu bem o papel. Voltei pra casa leve, rindo sozinho e pensando: se até o diabo anda tão lúcido, talvez esteja na hora de eu prestar mais atenção em mim. 😄🔥

 

J.K - 02.01.26




sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Entre a Paixão que se Perdeu e a Esperança que Insiste

  Nunca fui daqueles torcedores fanáticos, desses que vivem o futebol como religião. Confesso que já gostei mais — e muito mais. Já vibrei em Inter x Grêmio, já senti a energia de Juventude x Caxias no estádio, aquele frio na barriga que só o futebol raiz sabia provocar. Naquele tempo, a bola parecia obedecer ao coração. Os jogadores jogavam por amor à camisa, o futebol era arte, encantava no gramado e na televisão. Hoje, dói admitir, isso se perdeu. O amor virou contrato, a paixão virou salário. Jogam mais pelo quanto ganham do que pelo escudo que vestem. E antes que perguntem: sim, torço pelo Internacional e pelo Juventude.


Com a política, o caminho foi parecido. Nunca fui fanático, mas já fui mais interessado, mais esperançoso. Hoje, a política virou torcida organizada — e das mais intolerantes. Se tu é de direita, a esquerda te massacra. Se é de esquerda, a direita faz o mesmo. Não existe mais conversa, só rótulos. Amigos se afastam, outros se revelam apenas conhecidos, incapazes de aceitar que alguém pense diferente. Eu respeito quem pensa diferente de mim. Evito debates vazios. Mas voto consciente: pesquiso propostas, histórias, coerência. Sei muito bem em quem votei e em quem votarei.


Ainda assim, não escondo a frustração. Estou decepcionado com muitos dos que hoje ocupam o poder. Prometeram muito, entregaram pouco. Cobram impostos com rigor, mas devolvem migalhas em forma de serviços. A conta chega sempre para o cidadão comum. E, mesmo sabendo que o sistema é falho, cansativo e, muitas vezes, injusto, seguimos em frente. Porque a alternativa — desistir — custa caro demais.


Agora, às vésperas de mais uma eleição, resta a esperança teimosa de que algo possa melhorar. Que os novos candidatos olhem menos para os partidos e mais para as pessoas. Menos para os próprios bolsos e mais para quem os elege. E, aqui entre nós, concordo com aquela velha ideia: políticos, assim como fraldas, precisam ser trocados de tempos em tempos. Antes de votar, pesquise. Conheça. Questione. E se não cumprirem o que prometeram, que a gente não se cale. Que vá às ruas, que cobre, que participe. Porque só assim esse país — esse lugar que é nosso — pode se tornar mais justo, mais igual e, sobretudo, melhor para se viver.

 

 

J.K – 30.01.26




 

Quando o atraso vira soberba

Vou ser direto: essa história me deu vergonha alheia. Não pelo comentário feito no ar, mas pela reação exagerada de quem se sentiu intocável. Um programa que atrasa com frequência não está “fazendo charme”, está desrespeitando o telespectador, os patrocinadores e toda a engrenagem que vem depois na grade. Apontar isso não é falta de profissionalismo — é constatação.


O curioso é como, num passe de mágica, quem atrasa vira vítima e quem avisa vira problema. Falar em “quebra de protocolo” soa bonito, mas no fundo parece só medo de contrariar quem ocupa um pedestal antigo demais para aceitar crítica. Hierarquia não deveria servir para calar, e sim para dar exemplo. E exemplo, aqui, passou longe.

Enquanto isso, o Jornal do Almoço segue fazendo o que sempre fez: jornalismo próximo, regional, com identidade e compromisso. Cristina Ranzolin e Marco Matos não estavam reclamando por vaidade, mas defendendo o tempo do público gaúcho. Tempo esse que vale tanto quanto qualquer pão de queijo enviado em tom de deboche disfarçado de simpatia.

Se punição tiver que existir, que comece por quem acha normal atrasar e ainda ironizar quem se incomoda. Respeito não se mede por fama nacional nem por anos de carreira, mas por atitude diária. Aqui no Sul, atraso repetido não é charme — é descaso. E descaso, sim, deveria dar advertência.

J.K - 30.01.26



Quando a estrada vira encontro

    Viajar, nos dias de hoje, é muito mais do que cruzar quilômetros no mapa. É sobre atravessar telas, sair do on-line e voltar para o essencial: o olho no olho, o aperto de mão firme, o abraço que confirma que a parceria continua viva. E foi exatamente por isso que eu e o Delmar pegamos a estrada. Porque negócio bom também se constrói com presença, conversa e café compartilhado.


Há pouco mais de uma semana, começamos essa jornada pelos três estados do Sul. Já foram mais de 3.600 quilômetros rodados, muitas histórias trocadas e encontros que reforçam algo em que eu acredito profundamente: estar perto faz toda a diferença. Passamos por cidades que nos recebem de portas abertas, com carinho e confiança, e cada visita renova a certeza de que estamos no caminho certo.


Essa viagem também é um convite. Um convite para que nossos clientes e parceiros venham até a Serra Gaúcha, conheçam Farroupilha, sintam o clima do maior polo atacadista de moda do Rio Grande do Sul e vivenciem de perto o que estamos preparando para a nova estação. Aqui, moda não é só produto — é identidade, cuidado e muita dedicação em cada detalhe.


Nos dias 24 de março, no Shopping 585, e 28 de abril, no Farroupilha’s Center, vamos apresentar o lançamento de inverno, exclusivamente no atacado. É a oportunidade perfeita para abastecer sua loja com o melhor da moda do Sul, fortalecer parcerias e, claro, fazer boas compras em um lugar que recebe bem e valoriza quem vem de longe. A Serra Gaúcha espera por vocês — e a gente também.

 

J.K – 30.01.26




sábado, 24 de janeiro de 2026

Quando o espelho pede mais gentileza

Sabe quando você se olha no espelho e sente que aquela imagem não conversa mais com quem você é por dentro? Não é rejeição total, é estranhamento. Foi assim comigo. Há alguns meses, eu aceitava bem a idade, o tempo passando, as marcas da vida. O que eu não aceitava eram os quilos a mais — eles pesavam mais na autoestima do que no corpo.


A barriga incomodava. Não só pela estética, mas pela sensação de descuido, de ter me colocado em segundo plano por tempo demais. De camisa, parecia que eu estava sempre disfarçando algo. A barriga chegava antes de mim nos lugares. E não era só vaidade: era saúde, era bem-estar, era amor-próprio pedindo atenção.


Até que resolvi criar vergonha — da melhor forma possível. Vergonha de não me cuidar, de não me priorizar. Decidi me amar um pouco mais e procurei ajuda profissional. Foi aí que comecei meu acompanhamento na Clínica Light, em Caxias do Sul e Flores da Cunha. Uma decisão simples, mas transformadora, que mudou não só meu corpo, mas minha relação comigo mesmo.


Hoje, três meses depois, estou 17 quilos mais magro, com a autoestima nas alturas e, finalmente, gostando do que vejo no espelho. Voltei a me reconhecer. Voltei a me escolher. Faz tempo que não me sentia tão bem comigo. Ouso dizer que estou feliz, leve e de bem com a vida. Até aquela papadinha que eu fingia não ver — sim, aquela debaixo do queixo — ficou pelo caminho junto com um monte de inseguranças.


E se você que está lendo isso também anda evitando o espelho, se escondendo atrás de roupas largas ou fazendo de conta que está tudo bem, eu te entendo. Eu estive aí. Procurar ajuda não me diminuiu, me fortaleceu. O acompanhamento na Clínica Light foi um divisor de águas na minha vida. Se quiser conversar, tirar dúvidas ou saber como foi esse processo, me chama aqui nos comentários ou no reservado. Não é sobre caber em um padrão. É sobre caber melhor em si mesmo. A gente merece esse cuidado. A gente merece ser feliz.


J.K - 24.01.26





Tesão sem horário marcado

    Dizem que, na terceira idade, tudo desacelera. Mentira! O corpo até pode negociar prazos, mas o desejo continua chegando sem avisar, como visita que não liga antes! E quando ele aparece, meu amigo, não é hora de fingir que não ouviu a campainha! É hora de abrir a porta, sorrir e dizer: “entra, fica à vontade”! 😄


Na juventude, a gente transa por ansiedade, por urgência, por medo de perder a chance. Já depois de uma certa idade, a coisa muda de tom! O tesão vem mais seletivo, mais consciente… e talvez até mais ousado! Porque agora sabemos que não é todo dia — então, quando vem, merece atenção especial! 😂


Aprendi que negar fogo nessa fase da vida é quase uma falta de educação com o próprio corpo! Se surgiu vontade, bora aproveitar! Sem cronômetro, sem culpa, sem desempenho olímpico! O prazer agora é mais sobre entrega do que sobre acrobacia! E olha… funciona muito bem assim! 😏


Transar na maturidade é quase um ato de rebeldia! Contra o relógio, contra os rótulos e contra aquela ideia besta de que desejo tem prazo de validade! Pelo contrário: ele amadurece, ganha malícia, humor e uma deliciosa falta de pressa!


Então fica o conselho sincero: sentiu vontade, vá! Se esbalde! Se acabe! Ria no meio do caminho se precisar! Porque, nessa fase da vida, o maior pecado não é exagerar… é deixar o tesão passar em branco! 😄🔥

 

J.K – 02.01.26






Quando o tempo não apaga o que é verdadeiro

    Pensei em ti hoje. Não foi por saudade de um momento específico, mas pela forma como algumas pessoas atravessam o tempo sem nunca irem embora de verdade. A nossa história é assim. A gente se conhece há anos, já se afastou, já voltou, já discordou, já brigou… e mesmo assim, o carinho nunca se perdeu. Ele apenas mudou de lugar, amadureceu, aprendeu a ficar em silêncio quando era preciso. 💛


Não tenho dificuldade em reconhecer meus erros. Houve falhas, escolhas apressadas, palavras ditas fora de hora. Houve idas e voltas que cansam, que machucam. Mas, ainda assim, em nenhum desses caminhos eu deixei de te respeitar, nem de reconhecer a importância do que vivemos. Nossa história merece cuidado, porque foi construída com verdade, mesmo quando doeu. 💛


Eu admiro profundamente quem tu és. A tua força, a tua sensibilidade, a forma como enxerga o mundo e como permanece fiel a si mesma. Poucas pessoas têm essa presença que acalma e, ao mesmo tempo, inquieta. Tu és uma delas. Estar perto de ti sempre teve esse efeito em mim: de me sentir inteiro, mesmo sabendo que a vida nunca é simples. 💛


Talvez o que exista entre nós nunca tenha sido apenas coincidência ou costume. Talvez seja esse afeto que resiste, que não exige, que não prende — mas que permanece. Eu não escrevo para prometer nada além de honestidade. Escrevo porque tu importas. Porque pensar em ti ainda faz sentido. E porque algumas histórias, quando são verdadeiras, nunca acabam — apenas esperam o momento certo para serem sentidas de novo. 💛😊

 

J.K - 24.01.26




sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Quando a rua grita e o poder finge não ouvir

    Tem dias em que dirigir pela cidade cansa mais a alma do que o corpo. Não é o trânsito, não é o sinal fechado. É o que acontece entre um vermelho e outro. Em Caxias do Sul, por exemplo, é pedinte demais para pouca sinaleira. São sempre os mesmos rostos, os mesmos olhares, as mesmas histórias repetidas dia após dia. A gente passa ali todos os dias, e nada muda. Nem para eles. Nem para nós.

 

O que mais incomoda não é o pedido — é o abandono. Porque quando tu não ajuda, alguns te olham atravessado, resmungam, como se a culpa fosse tua. Mas como ajudar todos? Se tu decide ajudar cada um, precisa de um rio de dinheiro. E já não é mais uma moeda, um trocado simbólico. Muitos pedem valores altos, como se o motorista também não estivesse tentando sobreviver do lado de cá do vidro fechado.

 

E aí vem a parte mais dura: onde estão nossos governantes? Onde estão as políticas públicas que prometem dignidade, acolhimento, saída real da rua? Porque o que vemos não é inclusão, é empurrar o problema para o colo da população. O Estado lava as mãos, e a rua vira palco de um constrangimento diário, injusto para quem pede e cruel para quem é obrigado a escolher quem merece ajuda naquele dia.

 

Não sou contra a abordagem nos sinais. Pelo contrário. Quando vejo quem trabalha ali, quem faz arte, malabarismo, música, poesia no meio do caos, meu coração agradece. Aquilo é trabalho, é tentativa, é dignidade em movimento. Talvez a gente não consiga ajudar todos, mas esses ao menos merecem nosso aplauso, nosso respeito e o reconhecimento de que estão tentando.

 

Quero — preciso — acreditar que políticas sérias ainda vão surgir. Que alguém, em algum gabinete, vai olhar para essas pessoas como cidadãos e não como incômodo urbano. Porque enquanto nada é feito, seguimos todos presos no mesmo sinal vermelho: eles pedindo porque precisam, nós desviando o olhar porque não damos conta. E no meio disso tudo, a sensação amarga de que falhamos juntos — mas não igualmente responsáveis.


 

J.K – 19.01.26




 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Cheiros que contam histórias

    Adoro o cheiro dos livros. Novos ou velhos, tanto faz. Há algo de quase íntimo naquele perfume de papel e tinta, algo que desperta sentidos, memórias e vontades. É afrodisíaco, confesso. Gosto de sentar em livrarias, tomar um café sem pressa, garimpar sebos como quem caça pequenos tesouros esquecidos pelo tempo.


Também gosto de ouvir CDs — sim, eu sei, soa estranho hoje em dia. Mas eu ainda compro, e alguns custam pequenas fortunas. Não é só pela música. É pelo ritual! Ler o encarte, buscar informações, descobrir quem tocou o quê, onde e por quê. Isso me encanta de verdade.


Os discos de vinil ocupam outro lugar no meu coração. O barulhinho da agulha tocando o long-play é música antes da música. Um prazer quase físico. A sonoridade, então, nem se fala: é quente, viva, imperfeita — exatamente como eu gosto.


Folhear jornais também me fascina. Não sou só do on-line, não. Gosto do papel entre os dedos, de ler cada linha, observar títulos, fotolegendas, detalhes que passam despercebidos na pressa digital. E sim, adoro o cheiro dos jornais! Ele também conta histórias.


E, para não tornar essa lista interminável, escrevo. Escrevo muito. Sobre mim, sobre os outros, sobre o cotidiano e suas pequenas grandezas. Desabafo, invento, relato, imaginando se quem lê gostou, odiou ou simplesmente seguiu adiante.


Sou esse sujeito meio estranho, fora de moda talvez. E quer saber? Adoro ser assim!

 

J.K – 01.01.26




Um jovem senhor com palavras demais

  Nunca fui exatamente o que planejei ser. Sonhei em ser escritor de alma, daqueles que mudam o mundo com uma frase, mas o destino me fez cronista por acaso ou talvez por pura vocação travessa. Entre exageros, risadas e algumas pitadas de ácido, vou registrando a vida, como quem pega a intensidade e transforma em palavras, sempre sem medo de parecer desmedido.

 

Sou intenso, sim! Amigos sabem que lealdade é meu sobrenome, e família é meu oxigênio. Minha mãe, Helena Horácia, é minha base, meu porto seguro em um mundo que insiste em acelerar sem avisar. Entre ser paizão e tiozão, gaúcho e colorado, juventudista de coração, vou me equilibrando entre risadas, abraços e algum drama – porque um pouco de exagero faz parte da vida.

 

A balança e a pressão alta são minhas inimigas declaradas, mas luto contra elas com a mesma coragem que enfrento a vida: às vezes tropeçando, sempre persistente. Já quis mudar o mundo, confesso, mas o mundo insiste em permanecer teimoso. Ainda assim, cada derrota carrega sua lição, e cada vitória é celebrada como se fosse a primeira.

 

Hoje, aos sessenta, percebo que ser “jovem senhor” é mais do que idade: é manter a chama viva, rir das próprias manias, amar demais, falar demais e nunca deixar de escrever, mesmo que seja só para mim. Porque, no fundo, escrever é a forma que encontrei de permanecer inteiro, mesmo quando o mundo insiste em ser um pouco menor do que sonhei.

 

J.K – 29.12.25




 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Férias sem legenda

    Me perguntaram o que eu fiz nas férias. Respondi que nada. Mas, pensando bem, fiz tudo! Fiz o que dava, o que não dava, o que devia e o que claramente não estava no plano original. Foi tanta coisa que perdi a caixa preta, a branca, a colorida e qualquer senso de organização emocional. Só sei que era bom. E eu gostava muito!


Em algum ponto, percebi que o amor não cabia em singular. Precisou de plural, de fila, de revezamento e, às vezes, até de rodízio afetivo! Abraços se multiplicaram, risadas se confundiram, corações dividiram espaço sem reclamar. Houve encontros que começaram a dois, ganharam plateia e terminaram como boas histórias que ninguém consegue contar direito — mas todo mundo entende!


Me perdi de mim mesmo com gosto! Desativei o freio moral, deixei a bússola de folga e permiti que o afeto assumisse o volante. A vida virou pista livre, sem radar, sem multa e com excesso liberado. Foi confuso? Foi. Foi intenso? Demais. Foi maravilhoso? Nem se fala!


Não me lembro de tudo — e isso só confirma o sucesso da experiência! Se a memória falha, é porque o coração trabalhou em turno extra. Houve carinho de sobra, desejo compartilhado, emoção espalhada e uma sensação deliciosa de estar vivendo sem pedir licença.


Não me arrependo de nada! Amaria de novo, repetiria tudo e ainda faria bis. Se perder foi a melhor parte, não se encontrar virou objetivo. Porque férias boas não são as que a gente explica… são as que fazem a imaginação dos outros trabalhar sozinha!


 

J.K – 02.01.26




Sozinho, mas inteiro

    Demorei para entender que estar sozinho não é sinônimo de estar vazio. Por muito tempo, confundi silêncio com abandono e ausência com fracasso. Hoje, confesso: aprendi a gostar da minha própria companhia. Não por falta de opção, mas por escolha. E isso muda tudo!

 

Existe uma diferença enorme entre a solidão que dói e a solitude que cura. A primeira machuca, aperta o peito e faz a gente se sentir deslocado do mundo. A segunda é um abraço interno, um espaço seguro onde não preciso agradar, explicar ou performar. É ali que me escuto de verdade, sem interferências, sem máscaras!

 

Quando fico sozinho, descanso da vida social, das expectativas alheias e até das minhas próprias cobranças. O barulho do mundo cansa, mesmo quando vem disfarçado de convites, mensagens e compromissos. A solitude me recarrega, baixa o volume da ansiedade e devolve clareza aos pensamentos que andavam embaralhados!

 

É nesse silêncio escolhido que a criatividade aparece, que as ideias ganham forma e que os sentimentos se organizam. Sozinho, produzo mais, sonho melhor e crio com mais honestidade. Descubro soluções, faço planos e, principalmente, me reconecto com aquilo que realmente importa!

 

Aprender a ser feliz sozinho fortalece a autoestima de um jeito quase invisível, mas poderoso. A gente percebe que não precisa de plateia para existir, nem de validação constante para se sentir inteiro. Estar bem comigo mesmo me ensinou que compartilhar a vida é maravilhoso — mas não deve ser uma necessidade desesperada. Antes de tudo, é um complemento!

 

Hoje sei: quem se basta não se fecha. Pelo contrário, se abre com mais verdade. Porque quando a gente aprende a gostar de si, a solidão deixa de ser ausência… e vira presença!

 

J.K – 30.12.25




terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Os novos 60 não pedem licença

   Chegar aos 50 é um susto silencioso. Não dói, não faz barulho, mas muda tudo por dentro. De repente, o espelho não mente mais, o corpo dá seus avisos educados (às vezes nem tanto) e a vida começa a perguntar, com mais insistência: “e agora, vai viver ou apenas continuar existindo?”. Foi aí que entendi que envelhecer não é perder tempo, é ganhar consciência.

 

Os 60 que se aproximam já não cabem mais na palavra “idoso”. Idoso soa como pausa, espera, fim de linha. Nós não somos isso. Somos 60+, somos movimento, curiosidade, reinvenção. Somos NOLT — New Older Living Trend — uma geração que não aceita ser empurrada para a prateleira do “já foi”. A gente ainda quer aprender, errar de novo, mudar de ideia e, se possível, mudar de rota.

 

A maturidade deixou de ser sinônimo de resignação. Hoje ela anda de mãos dadas com propósito. A gente escolhe melhor as batalhas, filtra melhor as pessoas, valoriza o silêncio e desconfia das pressas. Não é que falte tempo — é que agora ele é precioso demais para ser desperdiçado com o que não faz sentido.

 

Ser 60+ é carregar histórias no corpo e curiosidade nos olhos. É entender que evolução não tem idade, que desejo não tem prazo de validade e que crescer, no fundo, nunca foi sobre números. É sobre não endurecer. Sobre continuar flexível, emocionalmente vivo e disposto a aprender até com aquilo que a gente jurava já saber.

 

Se os 20 foram impulsos e os 40 foram cobranças, os novos 60 prometem ser escolhas. Escolher viver com mais verdade, menos medo e um baita respeito pela própria trajetória. Porque envelhecer, no fim das contas, não é um problema. O problema seria parar de evoluir. E isso, meu amigo, definitivamente não é coisa da nossa geração.

 

J.K – 19.01.26