quinta-feira, 5 de março de 2026

Onde o chão ensina a viver

         Tem dias em que tudo o que eu quero é botar os pés na terra e deixar o campo falar comigo. Andar sem pressa pelas coxilhas, sentir o cheiro das ervas amassadas no passo, deixar o vento do sul me contar histórias antigas. É ali que eu me encontro! É ali que eu lembro quem eu sou e de onde vim.

 

O sol do verão vai me marcando a pele e o tempo vai me deixando mais simples, mais inteiro. O corpo se ajusta ao ritmo do campo, o pensamento desacelera e o coração aprende a bater no compasso da natureza. Nesse chão largo, não falta inspiração, sobra motivo pra verso, canto e gratidão.

 

Gosto de buscar água limpa, dessas que parecem rezar junto com a gente. Olhar longe, até onde a vista alcança, e agradecer em silêncio. Aqui, a fé não grita, ela se espalha! Vive nas cantigas antigas, no mate bem cevado, na memória que passa de pai pra filho sem precisar ser explicada.

 

O que mais me emociona é ver a vida florescendo do jeito mais simples: campo verde, riso de criança, gente vivendo sem precisar endurecer. É um lugar onde o viver não pesa tanto, onde ainda dá pra sonhar sem pedir licença e seguir em frente sem chorar.

 

Esse é o meu Rio Grande do Sul! Terra forte, céu aberto, vento que limpa a alma. Um lugar onde tudo que se planta encontra jeito de crescer, mas o que mais brota, o que mais insiste em ficar, é o amor! E enquanto eu puder pisar nesse chão, sei que nunca vou caminhar sozinho.

 

J.K – 31.01.26




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