sábado, 28 de março de 2026

Amor em modo online

       Tudo começou com um gesto simples, quase inocente! Um olhar insinuado pela tela, um carinho lançado em forma de emoji. Quando percebi, você já tinha atravessado o oceano invisível da internet e batido na porta do meu mundo digital. Um pedido de amizade virou curiosidade! A curiosidade virou conversa! E, de repente, eu já estava sorrindo sozinho diante do computador, como se a luz do monitor fosse luar particular.

 

 Passei a esperar suas notificações como quem espera carta antiga, só que mais apressado. Madrugadas viraram nosso território secreto! Entre playlists compartilhadas, vídeos engraçados e confidências digitadas às pressas, fomos criando intimidade em pixels! A câmera ligada nos aproximava, e mesmo separados por quilômetros, eu sentia que havia algo muito real naquele encontro de duas solidões conectadas.

 

 A verdade é que eu me entreguei! Sem perceber, você deixou de ser apenas um perfil e virou presença! Seu rosto na tela já não era imagem, era companhia! E quando finalmente nos vimos fora do Wi-Fi, sob o céu aberto e o barulho do mar ao fundo, eu entendi que o que começou virtual tinha criado raízes profundas. Nossos corpos se reconheceram como se já se conhecessem há tempos, livres de cabos, livres de senhas, livres de qualquer filtro.

 

 Mas, como às vezes acontece, a conexão caiu! Não houve aviso prévio, apenas silêncio! Você partiu, e o que restou foram registros salvos em algum canto da memória. Fotos, mensagens, fragmentos de uma história que já foi colorida e intensa! Nenhum arquivo, porém, consegue guardar o cheiro da sua pele ou o calor dos seus beijos e abraços.

 

 Hoje, confesso, ainda revisito nossas lembranças como quem abre pastas antigas procurando algo que talvez não esteja mais lá. Às vezes parece que basta um clique para sentir tudo outra vez. Outras vezes, percebo que o sinal não volta! E mesmo assim, no fundo do meu peito, a tela ainda acende quando penso em você! Porque certos amores, mesmo offline, continuam vivos na rede do coração.

 

J.K – 15.02.26




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