Não foi falta de vontade. Foi excesso! Aquele tipo de expectativa que a gente cria em silêncio, acreditando que carinho, quando bem-intencionado, encontra lugar para pousar. Eu queria oferecer leveza, presença, um sorriso que dissesse “fica”! Mas nem todo gesto encontra destino, e nem todo coração está aberto quando a gente chega.
Houve tentativas
discretas, quase tímidas! Um jeito de chegar devagar, respeitando o espaço,
como quem não quer assustar. Mas você seguia em frente, e eu ficava ali,
aprendendo que o desejo pode ser invisível para quem não quer enxergar. O
querer, quando não é correspondido, vira conversa interna, longa, insistente,
solitária.
Tentei fingir
neutralidade! Não deu! Algumas emoções não aceitam disfarce. Bastava um
encontro rápido de olhares para tudo se denunciar: o pensamento acelerava, o
corpo reagia, e a imaginação tomava o controle. Era nela que eu te encontrava
sem barreiras, sem silêncios constrangedores, sem a distância que o mundo
insistia em impor.
Nesse território
inventado, tudo fluía! Não havia receio nem cálculo, só entrega guiada pela
vontade. Pensar nisso me fazia bem, não como fuga, mas como abrigo. Às vezes,
imaginar é a forma mais honesta de sentir quando a realidade não colabora.
Talvez eu nunca
tenha querido que isso se tornasse concreto! Talvez o desejo também saiba
quando deve permanecer suspenso, intacto, protegido do desgaste do real. Se for
assim, que seja! Há sonhos que não pedem realização, pedem apenas para não
serem interrompidos.
J.K – 07.02.26

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