quinta-feira, 12 de março de 2026

Manual de como quase amar

         Não foi falta de vontade. Foi excesso! Aquele tipo de expectativa que a gente cria em silêncio, acreditando que carinho, quando bem-intencionado, encontra lugar para pousar. Eu queria oferecer leveza, presença, um sorriso que dissesse “fica”! Mas nem todo gesto encontra destino, e nem todo coração está aberto quando a gente chega.

 

 Houve tentativas discretas, quase tímidas! Um jeito de chegar devagar, respeitando o espaço, como quem não quer assustar. Mas você seguia em frente, e eu ficava ali, aprendendo que o desejo pode ser invisível para quem não quer enxergar. O querer, quando não é correspondido, vira conversa interna, longa, insistente, solitária.

 

 Tentei fingir neutralidade! Não deu! Algumas emoções não aceitam disfarce. Bastava um encontro rápido de olhares para tudo se denunciar: o pensamento acelerava, o corpo reagia, e a imaginação tomava o controle. Era nela que eu te encontrava sem barreiras, sem silêncios constrangedores, sem a distância que o mundo insistia em impor.

 

 Nesse território inventado, tudo fluía! Não havia receio nem cálculo, só entrega guiada pela vontade. Pensar nisso me fazia bem, não como fuga, mas como abrigo. Às vezes, imaginar é a forma mais honesta de sentir quando a realidade não colabora.

 

 Talvez eu nunca tenha querido que isso se tornasse concreto! Talvez o desejo também saiba quando deve permanecer suspenso, intacto, protegido do desgaste do real. Se for assim, que seja! Há sonhos que não pedem realização, pedem apenas para não serem interrompidos.

 

J.K – 07.02.26




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