Da janela do quarto andar do meu apartamento, na rua Os 18 do Forte, observo a chuva cair como quem assiste a um diálogo antigo. Não é barulho, é conversa! Cada gota parece uma palavra dita com calma, como se o céu tivesse decidido falar diretamente com os homens, sem intermediários, sem pressa, sem ruído desnecessário.
A chuva tem esse
jeito de bênção discreta! Não anuncia, não pede licença, apenas acontece. Gosto
de pensar que é Deus passando a mão sobre o mundo, regando a humanidade como
quem acredita, apesar de tudo, que ainda vale a pena fazer brotar. Tudo cresce
com a chuva: as plantas, os silêncios, as esperanças que estavam meio secas
dentro da gente.
Ela lava as ruas,
os telhados, os carros parados! Mas não para aí! A chuva também escorre por
dentro da alma. Vai levando embora poeiras invisíveis, cansaços acumulados,
dores que a gente nem sempre sabe nomear. É como se, por alguns minutos, fosse
permitido recomeçar sem explicar nada a ninguém.
Fico ali, olhando,
enquanto o tempo desacelera! A cidade muda de som, o mundo parece mais honesto,
menos performático. A chuva não finge, não promete, não se exibe! Ela apenas cumpre
o seu papel sagrado: cair, molhar, limpar, fazer germinar.
E talvez seja por isso que me sinto tão inteiro nesses momentos. Porque, enquanto chove lá fora, algo também se organiza aqui dentro. Como se o céu, generoso, estivesse dizendo em gotas: calma! Ainda dá. Ainda cresce! Ainda floresce!
J.K – 07.02.26

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