Acordei acreditando que a noite ainda morava na gente. Dei bom dia com o mesmo sorriso de quem tinha amado sem medida poucas horas antes. Mas o silêncio veio primeiro! Um silêncio pesado, desses que ocupam o quarto inteiro e deixam a gente pequeno dentro dele! Fiquei tentando entender como algo tão intenso pode amanhecer tão distante.
Enquanto escovava os dentes, me olhei no espelho procurando
respostas. Perguntei a mim mesmo onde foi que errei. Se exagerei no sentimento,
se falei demais, se senti demais. Porque, na noite anterior, tudo parecia
encaixar. Era como se o mundo tivesse parado só para nos assistir. E agora havia
esse muro invisível entre nós!
É estranho como o coração da gente não acompanha as mudanças de
clima do outro. Ontem era verão, calor, entrega! Hoje é vento frio sem aviso! Aprendi, meio atordoado, que nem sempre a felicidade que a gente enxerga é
garantia de permanência. Às vezes o sorriso da noite não sobrevive à luz do
dia!
Ela muda como o céu muda antes da chuva! Num momento me envolve,
me puxa para perto, me faz acreditar que sou abrigo. No outro, se recolhe, se
fecha, vira mistério. E eu fico ali, tentando decifrar sinais que talvez nem
existam!
Amar alguém assim é aceitar viver entre eclipses e clarões! É nunca
ter certeza do tempo que faz no coração dela! E, mesmo assim, continuar olhando
para o alto, esperando que a lua volte a brilhar do meu lado.
J.K – 15.02.26

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