Nós já moramos no amanhã! Construímos um tempo que ainda nem existia e caminhamos por ele como se fosse certeza. Falávamos de anos à frente com a mesma naturalidade de quem fala do domingo seguinte. Era tão real que eu quase podia tocar. Mas o futuro, às vezes, é só uma miragem que dois corações insistem em enxergar juntos.
Entre promessas e desenganos, fomos nos perdendo sem perceber. Não
houve um grande adeus, apenas pequenos afastamentos, silêncios acumulados e olhares que já não se demoravam. Madrugadas longas demais, onde eu esperava por
algo que nem eu sabia mais nomear. Você virou o rosto antes de virar o corpo! E
quando percebi, já estávamos em margens opostas.
Ainda assim, não nego o que fomos. Houve entrega, houve verdade, houve momentos que não cabem em explicação, apenas em lembrança! Fizemos
história um no outro. E certas histórias não acabam; apenas mudam de lugar
dentro da gente.
Vai ser estranho substituir retratos, reorganizar os espaços, reaprender o silêncio! Mas talvez exista liberdade nisso! A liberdade de amar novamente sem carregar culpas. De desejar alguém sem trair memórias, de permitir que o que fomos seja lembrança, não prisão! Depois de tantos sonhos, restou maturidade e depois de tantos planos, restou verdade!
E, mesmo que doa, existe algo bonito em saber a hora de soltar. E eu, soltei!
J.K – 25.02.26

Vivenciado isso nesse momento, mas é como se não tivesse existido nada, um enorme vazio, como sentir falta de nada? Como denominar? Um ex- nada, pois nada aconteceu, todas as promessas, os sonhos, foi tudo nada. Não tem como voltar, como sentir falta de nada. Eu vivi um nada enorme. SyllZasso
ResponderExcluirTSyl, tem dores que não vêm do que aconteceu, vêm exatamente do que não aconteceu.
ExcluirAcredito que você não viveu um “nada”! Você viveu expectativa, entrega, imaginação, esperança! Viveu planos que chegaram a existir dentro de você, mesmo que nunca tenham se concretizado do lado de fora. E quando isso se quebra, o vazio é real! Não porque era nada, mas porque era tudo, só que só em um lado.
Talvez o nome disso não seja “ex-nada”! Talvez seja um “quase”! E os “quases” têm um jeito cruel de ficar ecoando, porque não têm um fim claro, não têm uma briga final, não têm um ponto definitivo. Ficam soltos, como uma história que parou no meio da frase.
E sabe o mais confuso? A gente sente falta não da pessoa em si, mas da versão da vida que a gente imaginou com ela! Faz falta o que poderia ter sido! Faz falta quem a gente era quando acreditava!
Mas uma coisa é importante você guardar com carinho: o que você sentiu foi verdadeiro! Mesmo que não tenha sido correspondido na mesma medida, não foi em vão! Não foi nada! Foi você sendo inteira, aberta, disponível pra viver algo bonito.
Agora, o vazio que ficou não é prova de que não existiu! É prova de que você sentiu de verdade. E isso, por mais que doa agora, diz muito mais sobre a sua capacidade de amar do que sobre a ausência do outro.