Eu nunca vou esquecer aqueles dias em que a água tomou conta das ruas, das casas, dos silêncios. Ver o meu amado Rio Grande do Sul machucado doeu fundo, como se cada esquina alagada fosse um pedaço da minha própria história submersa. Mas, no meio daquele cenário de incertezas, surgiu ele, o tal do Cavalo Caramelo. E, bah, que baita símbolo ele se tornou pra todos nós!
A imagem daquele cavalo resistindo, firme, ilhado mas não vencido,
virou mais do que notícia: virou espelho! Espelho do povo gaúcho! Porque nós
também ficamos cercados por dificuldades, por perdas, por medos. Mas não
arriamos o pé! Assim como o Caramelo, seguimos de cabeça erguida, esperando a
maré baixar e trabalhando enquanto ela ainda subia.
Confesso, tchê, que me emocionei ao ver a corrente de
solidariedade se formando! Gente daqui, gente de fora, gente do mundo inteiro
estendendo a mão! Mas, principalmente, nós mesmos! O povo gaúcho mostrando que
sabe se unir quando o bicho pega! Teve chimarrão compartilhado em abrigo, teve
vizinho salvando vizinho de barco improvisado, teve trabalhador virando
voluntário sem pensar duas vezes! Isso é ser do Sul! Isso é ser de fibra!
E se a enchente levou muito, ela também revelou muito mais! Revelou coragem, parceria, hospitalidade, essa nossa mania bonita de ajudar
antes mesmo de perguntarem. Em pouco tempo, começamos a levantar paredes,
limpar ruas, reconstruir sonhos. Não foi fácil! Não está sendo! Mas estamos
fazendo! Porque somos teimosos no melhor sentido da palavra. Somos
trabalhadores, solidários, orgulhosos da nossa querência.
Hoje, quando lembro do Cavalo Caramelo, não penso na tragédia.
Penso na força! Penso que, assim como ele, a gente pode até ficar cercado pelas
águas da vida, mas não se entrega. A gente resiste, aguenta firme e, quando a
água baixa, sai mais forte, mais unido, mais humano.
Somos gaúchos, com muito orgulho! E se alguém duvida da nossa
capacidade de recomeçar, eu só respondo: mas bah, vivente, aqui é o Sul! Aqui
ninguém se entrega fácil!
J.K – 15.02.26

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