Tem horas que tudo o que eu preciso é voltar pro meu chão. Caminhar pelas coxilhas sem rumo, sentindo o campo debaixo do pé, o cheiro da terra misturado com o das ervas bravas. O vento minuano bate no rosto como quem acorda a alma e lembra, sem delicadeza nenhuma, que eu pertenço a esse lugar.
O sol do nosso
verão vai me tostando a pele e clareando os pensamentos. Aqui, a vida ensina
sem pressa. O tempo anda no passo do cavalo, no mate que se repete, na prosa
que começa tímida e termina virando amizade. É impossível não se sentir mais
inteiro quando se vive assim, no compasso do campo e do coração.
Gosto da
simplicidade do gaúcho. Do “chega mais” sincero, da porta aberta, da mesa que
sempre cabe mais um. Aqui ninguém pergunta de onde tu vem antes de te oferecer
um chimarrão. Primeiro se acolhe, depois se conversa. Hospitalidade não é
discurso, é costume antigo, passado de geração em geração, como reza boa.
Quando olho longe,
até onde o horizonte se perde, sinto Deus mais perto. Ele mora no silêncio do
campo, no canto antigo que ainda resiste, no respeito pela terra e pelas
histórias que ela guarda. As cantigas seguem vivas, os valores também. É
herança que não se deixa pra trás.
O que mais me
emociona é ver o sul florindo do jeito dele: campo verde, riso solto de
criança, gente simples vivendo com dignidade. Aqui ainda dá pra viver sem
endurecer o peito, sem esquecer quem a gente é. Dá pra tropeçar, levantar e seguir sempre com alguém estendendo a mão.
Esse é o meu Rio
Grande do Sul! Céu largo, terra forte, gente de alma campeira. Um lugar onde
tudo que se planta cria raiz. Mas o que mais floresce, teimoso e bonito, é o
amor! E enquanto eu puder chamar esse chão de meu, sigo firme, orgulhoso e
agradecido. Eu sou do Sul tchê!
J.K – 31.01.26

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