Eu já estava com a decisão quase pronta. Na cabeça, ensaiava despedidas maduras, dessas que a gente faz para não parecer fraco. Dizia a mim mesmo que era melhor sair antes que doesse mais, antes que o orgulho fosse ferido de vez. E foi exatamente nesse instante, quando eu me convenci de que precisava ir, que você me olhou diferente. Um sorriso leve, quase inocente, mas carregado de intenções.
Eu sabia que você
não estava sozinha na noite anterior. Não era segredo, nem surpresa! Você
passou horas ao lado de alguém que acreditou ser dono daquele momento. Talvez
ele tenha saído achando que venceu, que seus gestos foram suficientes, que seus
beijos bastaram para preencher algum vazio. Mas há coisas que não se resolvem
com presença física. Há desejos que não se satisfazem com companhia morna.
Quando te vi sorrir
daquele jeito, entendi o que antes me escapava. Não era deboche, nem descaso! Era provocação! Era convite! Era o reconhecimento silencioso de que havia algo
ali que o outro não soube enxergar. Ele pode ter tocado sua pele, mas não
percebeu o que ardia por dentro. Não leu o brilho no seu olhar! Não ouviu o que
seu silêncio gritava.
E eu, que pensava
em ir embora, me vi parado, imóvel, atravessado por uma coragem inesperada.
Porque há momentos em que partir é fácil! Difícil é ficar e assumir o que se
quer. Se ele não soube ocupar o espaço que esteve nas mãos dele, talvez eu
saiba. Se ele não entendeu seu sorriso, eu entendi! E foi nesse entendimento
que percebi: às vezes, a vida nos testa exatamente no instante em que decidimos
desistir.
J.K – 13.02.26

Nenhum comentário:
Postar um comentário